AGRONEGÓCIO
Maior exportador global, Brasil vê crescer fila de navios para embarque da produção
A fila de navios carregados de açúcar voltou a aumentar nos principais portos do país e reforça o forte ritmo das exportações brasileiras do setor sucroenergético neste início de safra 2026/27. Levantamento da agência marítima Williams Brasil aponta que 47 embarcações aguardavam carregamento até 13 de maio, acima dos 43 navios registrados na semana anterior.
O volume programado para embarque chega a 1,837 milhão de toneladas de açúcar, contra 1,791 milhão na semana anterior. O Porto de Santos concentra a maior parte da movimentação, com 1,46 milhão de toneladas previstas, seguido por Paranaguá, com 270 mil toneladas. Também aparecem na programação embarques em São Sebastião, Maceió, Recife e Suape.
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador mundial de açúcar. Na safra 2025/26, o país produziu cerca de 44 milhões de toneladas e respondeu por quase metade do comércio global da commodity. No ano passado, as exportações brasileiras de açúcar renderam aproximadamente R$ 89 bilhões ao país, consolidando o setor como uma das principais fontes de divisas do agronegócio.
A maior parte da carga atualmente na fila dos portos é formada por açúcar VHP, produto bruto utilizado por refinarias internacionais. Do total programado, cerca de 1,77 milhão de toneladas correspondem a esse tipo de açúcar. O restante envolve cargas ensacadas e açúcar refinado.
Os números da Secretaria de Comércio Exterior mostram que os embarques seguem acelerados neste início de maio. Nos primeiros dias úteis do mês, o Brasil exportou 683 mil toneladas de açúcar, com receita próxima de R$ 1,2 bilhão na conversão pela cotação de R$ 5 por dólar.
Apesar do avanço no volume exportado, os preços internacionais seguem pressionados pela maior oferta global. O valor médio da tonelada exportada caiu mais de 21% em relação ao mesmo período do ano passado. Ainda assim, a combinação entre câmbio favorável, demanda internacional aquecida e aumento da moagem no Centro-Sul mantém o Brasil altamente competitivo no mercado global.
O setor também acompanha com atenção as condições climáticas nas regiões produtoras, especialmente em São Paulo, Goiás e Minas Gerais, além da demanda de grandes compradores asiáticos e do Oriente Médio, que seguem puxando os embarques brasileiros neste começo de safra.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Setor cooperativo, que movimenta R$ 758 bilhões, ganha acesso a fundos regionais
As 4.384 cooperativas brasileiras ganharam uma nova alternativa para financiar projetos de infraestrutura, armazenagem, industrialização e expansão das atividades econômicas. A Lei Complementar 231/2026 passou a permitir que essas organizações utilizem recursos dos fundos de desenvolvimento da Amazônia, do Nordeste e do Centro-Oeste.
A mudança, defendida pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) durante a tramitação no Congresso, alcança um setor que reúne 25,8 milhões de cooperados e gera mais de 578 mil empregos diretos. Segundo o levantamento mais recente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), referente a 2024, as cooperativas movimentaram R$ 757,9 bilhões e acumulavam R$ 1,39 trilhão em ativos.
O número de cooperativas contabilizadas pela OCB caiu de 4.509 para 4.384 entre os dois levantamentos mais recentes. O movimento, porém, não representa uma retração econômica do cooperativismo. No mesmo período, a quantidade de cooperados aumentou de 23,45 milhões para 25,8 milhões, enquanto os empregos diretos avançaram de 550,6 mil para 578 mil. O volume movimentado cresceu 9,5%, passando de R$ 692 bilhões para R$ 757,9 bilhões.
No agronegócio, a presença das cooperativas é ainda mais significativa. O país reúne 1.172 cooperativas agropecuárias, formadas por aproximadamente 1,1 milhão de produtores e responsáveis por 268 mil empregos diretos. O ramo movimentou R$ 438,3 bilhões em 2024, o equivalente a quase 58% de todo o cooperativismo nacional.
Essas organizações respondem por mais da metade da originação de grãos e fibras no Brasil. Também possuem participação importante nas cadeias de leite, café, carnes, frutas e hortaliças, principalmente por reunir pequenos e médios produtores que, individualmente, teriam menor capacidade de armazenar, industrializar e comercializar a produção.
A nova legislação inclui expressamente as cooperativas entre os possíveis beneficiários do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA), do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FDNE) e do Fundo de Desenvolvimento do Centro-Oeste (FDCO). Até então, a ausência dessa previsão limitava a apresentação direta de projetos por essas organizações.
Na prática, uma cooperativa poderá buscar financiamento para construir ou ampliar silos, armazéns frigorificados, unidades de beneficiamento, fábricas de ração, laticínios, frigoríficos e agroindústrias. Os recursos também podem apoiar investimentos em energia, irrigação, logística e outras estruturas compartilhadas pelos cooperados.
O financiamento não será liberado automaticamente. As cooperativas precisarão apresentar projetos técnica e economicamente viáveis, enquadrados nas prioridades de desenvolvimento de cada região. As propostas serão avaliadas pelas superintendências regionais e pelos agentes financeiros responsáveis pela operação dos recursos.
Os três fundos não devem ser confundidos com o FNO, o FNE e o FCO, linhas constitucionais já utilizadas no crédito rural. O FDA, o FDNE e o FDCO são voltados principalmente a empreendimentos estruturantes, com potencial para gerar empregos, ampliar a atividade econômica e reduzir desigualdades regionais.
Para a FPA, a mudança permite que os recursos cheguem a municípios nos quais o crédito tradicional ainda é restrito. A organização coletiva também possibilita que produtores dividam custos e executem projetos que dificilmente seriam viáveis de forma individual.
Presidente da FPA, o deputado Pedro Lupion afirmou que o acesso aos fundos amplia a capacidade de investimento das cooperativas e fortalece a geração de renda no interior. O vice-presidente da frente na Câmara, Arnaldo Jardim, destacou que a medida favorece projetos maiores de industrialização e comercialização, com maior agregação de valor à produção.
A Lei Complementar 231/2026 não cria novos gastos nem reserva uma parcela dos fundos exclusivamente para o cooperativismo. A mudança amplia o grupo de organizações autorizadas a disputar os recursos já disponíveis, conforme as regras de cada programa e a qualidade dos projetos apresentados.
Para os municípios produtores, o principal efeito esperado é a possibilidade de transformar uma parcela maior da produção no próprio interior. Em vez de apenas vender grãos, leite, café ou animais, as cooperativas poderão investir no armazenamento e na industrialização, mantendo empregos, renda e arrecadação mais próximos das propriedades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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