AGRONEGÓCIO
Lácteos do Paraná esboçam reação nos primeiros meses de 2022
Após quedas contínuas registradas no segundo semestre de 2021, o setor de lácteos do Paraná começou a apresentar indícios de recuperação nos dois primeiros meses deste ano. Na parcial de fevereiro aferida pelo Conselho Paritário Produtores-Indústrias de Leite do Paraná (Conseleite-PR), a alta foi generalizada: de 14 produtos, apenas um teve queda significativa. O colegiado aprovou o valor de referência projetado de R$ 1,8476 para o litro de leite padrão entregue em fevereiro a ser pago em março: alta de 3,71% em relação à projeção anterior.
Considerado o “termômetro” do comportamento do mercado, o leite spot foi o que mais ganhou preço na parcial de fevereiro, subindo 6,3%. O muçarela – produto que responde a quase 46% do mix de comercialização de lácteos no Paraná – teve alta de 4,4%, contribuindo para a recuperação do setor. O leite UHT e o queijo prato, que também estão entre os itens mais comercializados, também tiveram variação positiva de 2,8% e 3,2%, respectivamente.
Na cesta de comercialização, o destaque foi o UHT, que ganhou espaço, chegando a responder por 28,2% do mix. Ainda assim, o muçarela permanece como principal produto, correspondendo a 45,9% do total de lácteos comercializado pelas indústrias do Estado. Um dos responsáveis pelo levantamento, o professor José Roberto Canziani, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), ressalta que a tendência é de que o mercado siga aquecido ao longo dos próximos meses.
“Historicamente, estamos em um período em que a produção é menor. A menor oferta deve dar sustentação aos preços. Eu ouso dizer que esse movimento de alta de permanecer pelo menos durante este semestre”, disse Canziani. “Não temos nenhum derivado em tendência de baixa. O avião, que tinha pousado no fim do ano passado, decolou”, acrescentou.
Vice-presidente do Conseleite e representante da FAEP no colegiado, Ronei Volpi, ressalva, no entanto, que a tendência é de que os custos de produção da atividade continuem a pressionar os produtores. “Continuamos em um momento que pede muita cautela. Os preços dos grãos seguem em alta no mercado internacional. De outro lado, temos uma série de incertezas que também demandam que tenhamos pé no chão”, disse.
AGRONEGÓCIO
Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado
A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.
O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.
Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.
A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.
A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.
Fonte: Pensar Agro
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