AGRONEGÓCIO
Exportações cresceram em volume, mas a receita caiu em 2025
O Brasil exportou mais carne de frango em 2025, mas faturou menos. Mesmo com um recorde de 5,324 milhões de toneladas embarcadas ao longo do ano, alta de 0,6% em relação a 2024, a receita do setor recuou 1,4%, evidenciando um cenário de preços internacionais mais pressionados e maior competição entre grandes exportadores globais.
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o faturamento das exportações brasileiras de carne de frango totalizou cerca de R$ 52,9 bilhões em 2025, abaixo dos aproximadamente R$ 53,6 bilhões registrados no ano anterior, considerando a cotação média do dólar a R$ 5,40. O descompasso entre volume e valor reflete um mercado externo mais sensível a preço, além de efeitos pontuais sobre a oferta ao longo do ano.
O desempenho econômico do setor foi influenciado, sobretudo, pelas restrições comerciais temporárias impostas após o registro, em maio, de um foco de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade em aves comerciais. Embora o episódio tenha sido rapidamente superado do ponto de vista sanitário, ele provocou suspensões e revisões de contratos em mercados estratégicos, impactando a formação de preços ao longo do ano.
Os sinais de recuperação, no entanto, tornaram-se mais evidentes no último trimestre. Em dezembro, os embarques brasileiros somaram 510,8 mil toneladas, crescimento de 13,9% na comparação anual. A receita do mês alcançou cerca de R$ 5,1 bilhões, avanço de 10,6%, indicando retomada dos fluxos comerciais e recomposição gradual de valores.
Entre os mercados que puxaram essa reação estão a União Europeia, que ampliou em 52% suas compras no último mês do ano, e a China, que voltou a importar volumes relevantes, totalizando 21,2 mil toneladas em um curto espaço de tempo. O movimento reforça a percepção de normalização das exportações após as turbulências do primeiro semestre.
No acumulado de 2025, os Emirados Árabes Unidos se consolidaram como o principal destino da carne de frango brasileira, com 479,9 mil toneladas importadas, crescimento de 5,5%. O Japão aparece na sequência, com 402,9 mil toneladas, registrando leve retração de 0,9%, enquanto a Arábia Saudita avançou 7,1%, com 397,2 mil toneladas adquiridas.
Também se destacam os embarques para a África do Sul, que somaram 336 mil toneladas, alta de 3,3%, e para as Filipinas, que ampliaram suas importações em 12,5%, totalizando 264,2 mil toneladas no ano. A diversificação de destinos ajudou a diluir os impactos das restrições pontuais e sustentou o crescimento físico das exportações.
Para 2026, o quadro que se desenha para a avicultura brasileira é de manutenção de volumes elevados, mas com atenção redobrada às margens. O comportamento do câmbio, os custos de produção e a disputa por espaço em mercados tradicionais devem seguir como fatores centrais na formação de preços e na rentabilidade do setor.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos
Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.
Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.
No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.
Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.
O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.
No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.
Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.
Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.
Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.
A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.
O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.
Fonte: Pensar Agro
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