AGRONEGÓCIO

Em Missão ao Caribe, Brasil abre mercado para carne bovina em São Vicente e Granadinas e aprimora relações agrícolas

Entre os dias 12 e 16 de agosto, uma delegação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) esteve em missão oficial a São Vicente e Granadinas. A agenda contemplou reuniões de alto nível com o propósito de fortalecer as relações bilaterais e promover as exportações brasileiras, abordando questões sanitárias e fitossanitárias, além de explorar oportunidades de cooperação. A delegação foi liderada pelo secretário-executivo adjunto, Cleber Soares, acompanhado do secretário-adjunto de Comércio e Relações Internacionais, Marcel Moreira, e da adida agrícola na Costa Rica, Priscila Rech Moser.

Em São Vicente e Granadinas, a comitiva foi recebida pelo ministro da Agricultura, Saboto Caesar, ocasião em que foi assinado um Memorando de Entendimento de Cooperação Técnica. O acordo é considerado um marco para a expansão de projetos de desenvolvimento agrícola e incremento do comércio bilateral. Durante o encontro, o ministro destacou a relevância do Brasil no combate à fome e citou como inspiração o programa “Fome Zero”, idealizado por José Graziano, ex-diretor-geral da FAO.

Na mesma oportunidade, o governo local agradeceu a doação brasileira de quase 110 quilos de sementes de hortaliças e vegetais, quantidade suficiente para produzir cerca de 5 mil toneladas de alimentos e aproximadamente 6 milhões de plantas. Segundo Saboto Caesar, o Brasil passa a ser visto como parceiro estratégico no suprimento alimentar da população.

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Ainda no país, a missão se reuniu com o secretário permanente de Agricultura, Cuthbert Knights, para discutir certificados sanitários e temas bilaterais relacionados à carne bovina, material genético animal e outros produtos. O encontro resultou na conclusão do processo de certificação para exportação de carne, produtos cárneos e miúdos bovinos do Brasil, formalizando a abertura de um novo mercado para o agronegócio brasileiro.

Em Granada, foi assinado um novo Memorando de Entendimento de Cooperação Técnica entre os dois governos, voltado ao fortalecimento das parcerias agrícolas e de sustentabilidade. A cerimônia contou com a presença do ministro do Desenvolvimento Econômico, Planejamento, Agricultura, Economia Azul e Cooperativas, Lennox Andrews, e de outras autoridades locais.

Foram discutidos certificados sanitários para carne bovina, material genético de aves, suínos, bovinos e caprinos, além de produtos agrícolas como sementes e mudas de coco, graviola, feijão e milho de pipoca. Também avançaram os diálogos sobre cooperação técnica, a participação dos dois países na próxima Junta Interamericana de Agricultura (JIA/IICA) e ações conjuntas de preparação para a COP 30, a ser realizada no Brasil.

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PARCERIA COMERCIAL

Em 2024, o Brasil exportou quase US$ 15,9 milhões em produtos agropecuários para os países caribenhos, incluindo São Vicente e Granadinas e Granada, com destaque para carnes, produtos florestais e lácteos. A pauta é concentrada em cinco produtos que representam cerca de 91% do total exportado: carne bovina e frango (75,7%), produtos florestais (13,4%) e açúcar e derivados (1,7%).

Com este anúncio, o agronegócio brasileiro alcança 403 aberturas de mercado desde o início da atual gestão, sendo 103 somente em 2025.

A missão reforçou o compromisso do Brasil com a promoção da segurança alimentar, o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento dos laços estratégicos com os países caribenhos.

Informações à imprensa
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Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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AGRONEGÓCIO

Confronto armado e feridos em colheita judicial reforçam urgência por segurança jurídica

O cumprimento de uma ordem judicial para a colheita de safra em uma propriedade rural de Feliz Natal (cerca de 510 km da capital, Cuiabá) em Mato Grosso, na última sexta-feira (26.06), terminou em um confronto armado que deixou feridos e expôs a fragilidade dos protocolos atuais para a execução de mandados no meio rural.

O produtor rural Maikel Alan Tespesel, que estava acompanhado pela esposa e pelos dois filhos menores no momento da ocorrência, foi atingido por disparos de arma de fogo. O prestador de serviços contratado pela empresa credora também ficou ferido após ser atingido pela caminhonete do produtor. Ambos estão internados num hospital de Sorriso e passam bem.

O caso, que está sob investigação da Polícia Civil, coloca em debate o modelo adotado para o cumprimento de decisões judiciais que envolvem ativos agrícolas. A presença de empresas de segurança privada em diligências de alto risco, em vez de um aparato ostensivo das forças de segurança do Estado, é apontada por especialistas como um dos fatores que transformaram uma ação de natureza cível em um episódio de violência física.

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A empresa credora da produção, contratou serviços de terceiros para realizar a colheita autorizada pela Justiça. Segundo informações da Polícia Militar, o conflito teve início quando houve uma tentativa de bloqueio do veículo do produtor. Os homens contratados pela empresa teriam efetuado disparos contra a caminhonete do produtor rural.

O episódio repercutiu negativamente no setor. A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT) divulgou nota oficial repudiando a violência e defendendo uma investigação rigorosa. Para a entidade, disputas comerciais e execuções de ordens judiciais precisam observar protocolos estritos de legalidade, sendo inaceitável que o ambiente de produção se torne palco de confrontos que coloquem em risco a vida de produtores e suas famílias.

O incidente em Mato Grosso reforça um pleito antigo do setor agropecuário: a necessidade de garantir que decisões judiciais sejam executadas de forma técnica e segura. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) defende sistematicamente que o cumprimento de mandados judiciais em áreas rurais ocorra com apoio das forças de segurança pública, evitando que produtores e credores sejam submetidos a situações de risco iminente.

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O episódio reflete um cenário de crescente tensão na zona rural brasileira. Dados do relatório ‘Conflitos no Campo Brasil 2025’, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), apontam a ocorrência de 1.408 episódios de conflito no último ano, atingindo mais de 715 mil pessoas.

Estados como Mato Grosso, Pará e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) concentram as áreas de maior atrito, onde a expansão da fronteira agrícola e a complexidade na regularização de terras têm transformado disputas comerciais e possessórias em confrontos diretos.

Para a bancada do agronegócio, esses números evidenciam um vácuo de autoridade que exige solução urgente. A FPA sustenta que a insegurança jurídica e a falta de protocolos estaduais eficientes para o cumprimento de mandados judiciais impedem a pacificação no campo, transformando a resolução de litígios — que deveriam ser estritamente técnicos — em cenários de risco iminente para produtores, trabalhadores e seus familiares.

Fonte: Pensar Agro

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