AGRONEGÓCIO

Curso de inseminação capacita trabalhadores em Pedro Afonso

O Senar Tocantins deu sequência à capacitação de trabalhadores e produtores rurais para facilitar a adoção de técnicas adequadas para a realização de inseminação artificial nas propriedades rurais da região central do Tocantins. Desta vez, o treinamento ocorreu na fazenda Boa Esperança, no município de Pedro Afonso.

O curso “Trabalhador na Bovinocultura – Inseminação Artificial” abordou temas como melhoramento genético, sanidade do rebanho, mineralização do rebanho e anatomia do sistema reprodutor feminino. E além da teoria, os alunos tiveram atividades práticas, com os animais da fazenda, onde realizaram o manejo de botijão de sêmen e montagem do aplicador. Eles também fizeram o reconhecimento de estruturas anatômicas das vacas nas peças adquiridas do matadouro municipal.

A inseminação artificial em bovinos é uma técnica de reprodução em que o sêmen de um touro é depositado no aparelho reprodutivo da vaca com a utilização de equipamentos específicos. A aplicação feita por um profissional da área tem o objetivo de fecundar uma fêmea sem o contato físico do macho. Por conta de programas de incentivo à inseminação e treinamento de mão de obra, o sistema FAET/Senar está estimulando o melhoramento genético do rebanho bovino do Tocantins.

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O agrônomo Thalles Moreira Matos, aluno da turma, ficou sabendo do curso por indicação de um amigo que já participou de outras turmas. Hoje estagiário de uma empresa do ramo agropecuário, o aluno tem pretensões de retornar à atividade no campo como inseminador. “Antes da capacitação do SENAR eu pensava que inseminação era algo muito simples, mas agora perceber que vai muito além disso; existe cuidado e técnicas corretas de manejo pra garantir a sanidade do animal”, destacou.

Gabriel Inácio Costa da Silva também é agrônomo e trabalha com o pai na fazenda da família. Com cerca de 60 cabeças na propriedade, ele agora quer se valer da inseminação artificial para aumentar o rebanho com qualidade. “As técnicas que aprendi me animaram. Acho que podemos colocar em prática na nossa fazenda e chegar nos resultados que a gente deseja”, afirmou.

Fonte: CNA Brasil

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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