AGRONEGÓCIO
Comissão Técnica de Leite da FAEP debate ações para 2022
Lideranças rurais representantes da cadeia dos lácteos das principais regiões produtoras do Paraná definiram, nesta terça-feira (15), o plano de ações para auxiliar no enfrentamento da crise generalizada vivida pelo setor. O apanhado de como está a situação do leite e sugestões de melhorias ocorreram durante reunião da Comissão Técnica (CT) de Bovinocultura de Leite da FAEP, realizada de forma remota, para evitar aglomerações ainda em respeito às medidas de distanciamento social impostas pela pandemia do novo coronavírus.
Entre os principais assuntos debatidos estiveram os altos custos de insumos, a definição de pagamentos pelo leite e o futuro dos produtores de lácteos. “Estamos passando pela maior crise que eu já vivi nesses 30 anos em que sou produtor de leite. Não é uma questão exclusiva do Paraná, trata-se de um problema generalizado. Por um lado, altos custos de produção, do outro um consumidor com pouco dinheiro. Precisamos, mais do que nunca, de união para resistirmos e atravessarmos esse momento delicado”, diagnosticou Ronei Volpi, presidente da CT de Bovinocultura de Leite da FAEP.
Ao longo do encontro, os produtores rurais puderam fazer perguntas e interagir para desenhar o cenário do leite no Estado. Além disso, o Sindicato de Leite do Paraná (Sindileite-PR), representante das indústrias, fez uma apresentação dos planos que a entidade tem para auxiliar a profissionalizar a cadeia produtiva ao longo de 2022. A entidade detalhou que planeja desenvolver soluções buscando competitividade comercial, qualidade reconhecida, saúde animal, integração da cadeia, aposta no mercado internacional e auxílio na sobrevivência das empresas.
Rodada de encontros
Em 2022, representantes do Conseleite-PR, que envolve o Sistema FAEP/SENAR-PR, o Sindileite e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) vão promover uma série de encontros presenciais com produtores rurais e indústrias das principais regiões produtoras de lácteos. O objetivo é proporcionar uma troca de informações, com esclarecimentos sobre como funciona a metodologia do Conseleite-PR.
Além disso, a ideia é recolher junto aos produtores novos pontos de reivindicação para proporcionar o aprimoramento das pautas a serem reivindicadas pela união dos bovinocultores de leite. O cronograma será construído conforme a demanda regional e, posteriormente, amplamente divulgado nos canais de comunicação do Sistema FAEP/SENAR-PR.
AGRONEGÓCIO
Risco de geada no Sul agrava escassez e faz preço do feijão bater recordes
O feijão voltou ao centro das preocupações do mercado agrícola brasileiro. Com oferta curta, dificuldade para encontrar produto de qualidade e ameaça de geadas sobre áreas produtoras do Sul do país, os preços dispararam nas últimas semanas e já atingem patamares históricos em algumas regiões.
O movimento é puxado principalmente pelo feijão carioca, variedade mais consumida pelos brasileiros. Em importantes polos produtores de São Paulo e Minas Gerais, lotes considerados “extra” já superam R$ 430 por saca no mercado físico. Em negociações destinadas ao abastecimento da capital paulista, negócios pontuais chegaram perto de R$ 470 por saca — um dos maiores níveis já registrados para a cultura.
A escalada dos preços acontece em um momento delicado para o abastecimento. O mercado enfrenta escassez justamente dos grãos de melhor qualidade, enquanto produtores seguram parte da oferta apostando em novas altas. Empacotadoras e atacadistas relatam dificuldade para montar lotes homogêneos, o que elevou a disputa pelos feijões classificados como nota alta.
Ao mesmo tempo, problemas climáticos aumentam a tensão sobre a segunda safra 2025/26. Paraná e Minas Gerais tiveram atrasos no plantio, excesso de chuvas e ritmo lento de colheita nas últimas semanas. Agora, a chegada do frio intenso ao Sul do Brasil adiciona um novo fator de preocupação.
As geadas passaram a entrar no radar do setor justamente em uma fase importante para parte das lavouras. Técnicos alertam que o frio pode comprometer enchimento dos grãos, peneira e qualidade final da produção, reduzindo ainda mais a disponibilidade de feijão premium no mercado.
A pressão já começa a contaminar também o mercado do feijão preto. Tradicionalmente mais barato, ele passou a ganhar competitividade diante da disparada do carioca e vem registrando forte valorização nas últimas semanas. Em algumas regiões do Paraná, as cotações saltaram de cerca de R$ 160 para perto de R$ 200 por saca em poucos dias.
O avanço do feijão preto reflete uma migração parcial do consumo. Com o carioca cada vez mais caro, parte do varejo e dos consumidores começou a buscar alternativas para reduzir custos, aumentando a demanda pela variedade preta.
O cenário preocupa porque o feijão é um dos produtos mais sensíveis ao abastecimento interno. Diferentemente da soja ou do milho, grande parte da produção é destinada ao consumo doméstico e trabalha com estoques historicamente apertados. Quando há quebra de qualidade ou retenção de oferta, o impacto nos preços costuma ser rápido.
Hoje, o Brasil produz entre 2,8 milhões e 3 milhões de toneladas de feijão por ano, somando as três safras cultivadas em diferentes regiões do país. Paraná, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Mato Grosso estão entre os principais produtores nacionais.
Com a combinação entre oferta restrita, clima adverso e estoques reduzidos, analistas avaliam que o mercado deve continuar pressionado nas próximas semanas, mantendo os preços em níveis elevados tanto para o produtor quanto para o consumidor final.
Fonte: Pensar Agro
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