AGRONEGÓCIO

Brasil bate recorde histórico de receita com exportações: R$ 84,3 bilhões

O Brasil terminou o ciclo 2024/2025 com um resultado histórico em receita. Foi o maior faturamento já registrado em um ano-safra: R$ 82 bilhões, um avanço de 49,5% em relação ao recorde anterior. Em valores corrigidos, o total arrecadado em reais chegou a R$ 84,3 bilhões, alta de 71%.

Por outro lado, em volume, houve recuo. Entre julho de 2024 e junho de 2025, o país exportou 45,6 milhões de sacas, uma queda de 3,9% na comparação com o ciclo anterior. A redução já era esperada, segundo o setor, por conta da menor disponibilidade após a safra excepcional do ano anterior.

Mesmo com embarques mais baixos, a valorização internacional do produto sustentou a receita. Em junho, por exemplo, foram embarcadas 2,6 milhões de sacas, 28% a menos do que no mesmo mês de 2024. Ainda assim, a receita do mês alcançou R$ 5,57 bilhões, puxada pelos preços médios de R$ 2.200,15 por saca, cerca de 66% acima da média histórica.

O bom desempenho também foi impulsionado pela alta no segmento de café solúvel. Único a crescer em volume, esse tipo de produto alcançou 4,15 milhões de sacas equivalentes, alta de 12,6% em relação ao ano anterior. A exportação de café solúvel tem sido uma das apostas do setor para ampliar presença em mercados não tradicionais e agregar valor à produção.

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Entre os destinos, destaque para Rússia, que aumentou suas compras em 33%, com 625 mil sacas importadas no semestre. O Japão também ampliou as compras em 6%, chegando a 1,24 milhão de sacas. Estados Unidos, Alemanha, Itália e Bélgica seguem como principais destinos, ainda que com leve recuo por conta da oferta reduzida.

Mesmo com os desafios logísticos, os conflitos geopolíticos e novas exigências regulatórias, o setor manteve o protagonismo nas exportações do agro. Para os exportadores, o desempenho confirma a resiliência e a importância econômica do café para o Brasil.

Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Setor produtivo e bancos vão travar batalha de R$ 130 bilhões semana que vem no Senado

A votação do projeto de lei que autoriza a renegociação de dívidas rurais, prevista para a próxima quarta-feira (10.06), tornou-se o ponto central das articulações do setor produtivo em Brasília. Enquanto entidades que representam o campo — como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e associações de produtores como a Aprosoja — intensificam o trabalho junto ao parlamento para assegurar a aprovação do texto com condições viáveis de pagamento, o sistema bancário iniciou uma ofensiva para limitar o alcance da medida.

O setor produtivo argumenta que a renegociação é uma necessidade estratégica para a manutenção da atividade agropecuária no País, diante de um cenário de custos elevados e margens apertadas. A proposta defendida pelos produtores busca um fôlego financeiro essencial para o setor, com prazos de pagamento mais longos e taxas de juros controladas, garantindo que o ciclo produtivo não seja interrompido por desequilíbrios financeiros conjunturais. A mobilização, organizada pelas redes sociais, reflete o peso do setor na economia nacional e o temor de que o crédito rural sofra uma contração ainda maior sem a reestruturação dos passivos.

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Do outro lado, as instituições financeiras, representadas pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e pela Confederação Nacional das Instituições Financeiras (Fin), buscam apresentar um substitutivo. O sistema bancário argumenta que a amplitude do projeto original, aprovado em comissão na semana passada, poderia gerar riscos à segurança jurídica e à previsibilidade do crédito. A proposta dos bancos para “calibrar” o projeto inclui travar o benefício a um teto de R$ 10 milhões por CPF, restringir o escopo a dívidas de 2024 em diante e reduzir drasticamente o período de suspensão de vencimentos.

A disputa técnica centra-se no impacto financeiro e na governança dos contratos. Enquanto os bancos alegam complexidade operacional e riscos de “estímulos indevidos à inadimplência” com os prazos de até 13 anos e juros de 7,5%, os representantes do campo defendem que as regras de enquadramento devem ser amplas o suficiente para atender quem realmente precisa, excluindo apenas situações sem relação direta com a atividade econômica financiada.

A articulação política no Senado segue intensa. O setor produtivo aguarda a definição da pauta para esta semana, ciente de que o texto final poderá sofrer ajustes para acomodar as pressões do sistema bancário, mas mantendo a defesa de que a funcionalidade do sistema de crédito rural não deve ser usada como pretexto para impedir o socorro necessário ao produtor que movimenta a economia brasileira.

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Fonte: Pensar Agro

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