Faissal Calil

Faissal parte para o enfrentamento contra cobrança retroativa da Energisa em condomínios

Deputado anuncia medidas na Justiça e articulação política para impedir que moradores sejam penalizados

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O deputado estadual Faissal Calil (PL) decidiu partir para o enfrentamento contra uma possível cobrança retroativa da Energisa aos moradores de condomínios fechados de Cuiabá. Durante pronunciamento nesta quarta-feira (7), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, o parlamentar anunciou que vai estudar a adoção de medidas judiciais para impedir que a cobrança seja transferida aos moradores.

Faissal afirmou que poderá ingressar com uma ação coletiva na Justiça caso a concessionária avance com a cobrança. Para o deputado, os moradores não podem ser surpreendidos com uma conta retroativa decorrente de uma mudança na forma de custeio da iluminação das áreas privadas.

“Se for necessário, vamos para a Justiça. Não podemos permitir que o morador seja penalizado e tenha que arcar com uma cobrança retroativa. Vamos tomar todas as medidas necessárias para defender essas famílias”, afirmou Faissal.

O parlamentar também pretende ampliar a articulação política sobre o tema. Ele deverá conversar com a presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereadora Paula Calil (PL), sobre a possibilidade de criação de uma legislação que estabeleça critérios para a cobrança e permita um valor inferior ao praticado na cobrança convencional.

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A reação de Faissal ocorre após a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Limpurb, determinar a retirada dos pontos de iluminação localizados em áreas privadas da base de faturamento custeada pelo município. O entendimento do Executivo é de que recursos públicos não devem ser utilizados para bancar despesas de propriedades particulares.

Diante da mudança, Faissal defende que os moradores não sejam colocados no centro da discussão e acabem arcando com valores elevados ou cobranças acumuladas. O deputado afirma que pretende atuar tanto no campo jurídico quanto no político para buscar uma solução que reduza o impacto financeiro sobre os consumidores.

Com a possibilidade de judicialização e a articulação de uma proposta na Câmara de Cuiabá, Faissal sinaliza que pretende acompanhar o caso de perto e utilizar os instrumentos disponíveis para contestar uma eventual cobrança retroativa da concessionária.

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Mulheres avançam nas urnas, mas equidade política está longe, avalia Gisela Simona

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As eleições de 2026 produziram avanços importantes na representação feminina, mas também expuseram os limites de uma conquista que ainda está longe de traduzir o peso das mulheres na sociedade, e sua participação efetiva nos espaços de poder. Em Mato Grosso, Gisela Simona (União), vice-governadora na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), reeleito no primeiro turno, tornou-se a segunda mulher a ocupar o cargo duas décadas depois de Iraci França. Para ela, a vitória como vice tem significado que ultrapassa a conquista individual. Muito antes representa a abertura de um espaço que permaneceu por muitos anos sem uma mulher no cargo. E, igualmente, evidencia o tamanho do caminho que ainda precisa ser percorrido para alcançar a equidade política.

“Estou feliz por mais mulheres na política e, claro, por quebrar uma espera tão longa e voltar a representar a mulher mato-grossense dentro do Palácio Paiaguás. Mas estar aqui, onde estou hoje, é mais que uma vitória, é uma missão e uma enorme responsabilidade”.

Em entrevistas concedidas nesta semana à Rádio Cultura e Capital (Pongó News), ao podcast PodOlhar e aos programas de televisão Opinião e Roda de Entrevista, a vice-governadora insistiu em uma análise que combinou a celebração dos resultados com o alerta sobre a persistência da desigualdade. Para ela, a presença feminina cresceu em diferentes espaços, mas continua minoritária, sobretudo quando se observa a composição dos parlamentos e a distribuição dos postos de decisão.

Em Mato Grosso, o contraste é evidente. Das 24 cadeiras da Assembleia Legislativa, apenas duas serão ocupadas por mulheres a partir de 2027: Samantha e Alessandra Ferreira. Na bancada federal, o resultado foi mais expressivo: três das oito vagas ficaram com mulheres: Coronel Fernanda, Professora Rosa Neide e Virginia Mendes. Embora o avanço na Câmara dos Deputados seja relevante, a diferença entre os dois resultados revela que a participação feminina não cresce de maneira uniforme e continua condicionada pelas disputas e oportunidades de cada espaço político.

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“Eu vejo que a política deveria ser um retrato da sociedade, principalmente quando falamos em representatividade feminina e em mulheres eleitas, em especial em Mato Grosso. E, dentro desse cenário, um dado me assustou: dos 36 eleitos para os cargos de governador, vice-governador, senador, deputado federal e deputado estadual, fui a única pessoa que se declarou preta. Isso mostra o quanto ainda estamos aquém da representação que deveríamos ter em um Estado com mais de 50% da população formada por pessoas negras e pardas”, avalia.

A observação amplia o debate para além do gênero. Para a vice, a sub-representação das mulheres se torna ainda mais profunda quando se considera o recorte racial. A presença feminina, por si só, não garante diversidade nos espaços de poder, assim como o aumento do número de eleitas não significa que diferentes segmentos da população estejam efetivamente representados. A questão, portanto, envolve tanto ampliar o acesso das mulheres à política quanto enfrentar as barreiras específicas que ainda hoje as atingem.

No cenário nacional, as eleições também deixaram sinais de avanço, conquanto, sem alterar substancialmente o quadro de desigualdade. A Câmara dos Deputados terá 109 mulheres na próxima legislatura, contra 90 na atual. Elas ocuparão 21,2% das 513 cadeiras, apesar de representarem mais da metade da população brasileira. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Somadas às senadoras cujos mandatos continuam, elas poderão representar 18 das 81 cadeiras em 2027.

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Gisela reconhece, claro, a importância dos resultados, mas ressalta que o avanço não deve ser confundido com a superação do problema. O Brasil mantém uma política de cotas que exige o mínimo de 30% de candidaturas de cada sexo, mas a regra não assegura que essa proporção se converta em cadeiras efetivamente ocupadas por mulheres. É justamente essa distância entre a presença nas listas eleitorais e a conquista de mandatos que sustenta a defesa de medidas mais efetivas de participação feminina.

“Quando estive na condição de deputada federal, fiz parte da luta por uma reserva obrigatória de cadeiras para mulheres no Legislativo brasileiro. Buscando mudar a regra atual, que se concentra nas candidaturas, mas não garante a presença feminina nas vagas conquistadas”, afirma.

Ainda para a vice-governadora, ampliar candidaturas é necessário, mas insuficiente. É preciso criar condições para que as mulheres tenham acesso real à disputa, financiamento, apoio partidário, competitividade eleitoral e oportunidades de permanecer na vida pública, sem que a participação feminina se limite ao cumprimento formal das regras. O desafio também alcança os espaços de liderança e gestão, onde a igualdade precisa se traduzir em poder de decisão, e não apenas em presença simbólica.

Assim, ao final, conforme Gisela, o resultado das urnas permite celebrar uma mudança, mas não autoriza concluir que a desigualdade foi superada. Pois há ainda uma longa distância entre a proporção de mulheres na população e em sua presença nos espaços de poder.

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