RESPOSTA NAS URNAS
Após ataques contra ela e a família, Virginia dá resposta nas urnas e, com 102 mil votos, é eleita deputada federal após fazer “o maior trabalho social que Mato Grosso já viu”
Em sua primeira disputa eleitoral, ex-primeira-dama conquista 102.120 votos e transforma anos de atuação social em uma cadeira na Câmara dos Deputados; resultado consolida seu nome na política mato-grossense
Virginia Mendes (União Brasil) saiu das urnas neste domingo (4) com uma resposta política contundente. Depois de enfrentar uma campanha marcada por críticas e ataques contra ela e sua família, a ex-primeira-dama de Mato Grosso conquistou 102.120 votos e foi eleita deputada federal.
Foi a primeira vez que Virginia colocou seu próprio nome à disposição do eleitorado. Mesmo estreante, terminou a eleição como a quinta candidata mais votada para a Câmara Federal em Mato Grosso, transformando em votos a projeção conquistada durante anos de atuação na área social.
A campanha de Virginia teve como principal cartão de visitas justamente o trabalho realizado em diferentes regiões do Estado. Como primeira-dama de Cuiabá e posteriormente de Mato Grosso, ela participou da construção e do fortalecimento de políticas voltadas principalmente às famílias em situação de vulnerabilidade.
O SER Família tornou-se uma das principais marcas dessa trajetória, reunindo programas e iniciativas de assistência social e levando ações a milhares de famílias mato-grossenses.
DOS PROJETOS SOCIAIS PARA AS URNAS
A expressiva votação mostrou que a atuação social teve peso importante na construção de sua candidatura. Durante a campanha, Virginia percorreu municípios de diferentes regiões, conversou com famílias e apresentou propostas ligadas à experiência acumulada nessa área.
Mesmo diante dos ataques sofridos durante o processo eleitoral, inclusive envolvendo sua família, Virginia manteve o discurso concentrado no trabalho social e terminou a disputa ultrapassando a marca dos 100 mil votos.
Entre as bandeiras apresentadas estão políticas públicas destinadas às mulheres, mães atípicas e pessoas com fibromialgia, além do fortalecimento da assistência social e de medidas para reduzir a espera de pacientes com câncer no Sistema Único de Saúde (SUS).
Virginia também defendeu iniciativas para a agricultura familiar e inclusão social, além do endurecimento das penas para autores de feminicídios e crimes hediondos.
RESPOSTA DE 102.120 VOTOS
Após a confirmação do resultado, Virginia destacou que os 102.120 votos representam, além da vitória eleitoral, uma responsabilidade com Mato Grosso.
“São 102.120 votos de confiança que recebo com muita gratidão e, principalmente, responsabilidade. Mato Grosso me deu uma missão e vou trabalhar muito para honrar cada pessoa que acreditou em mim. Quero levar para Brasília a mesma disposição de cuidar das pessoas que sempre guiou o nosso trabalho”, afirmou.
A deputada federal eleita também agradeceu à família, às lideranças e aos apoiadores que participaram da caminhada eleitoral.
“Essa caminhada não foi feita sozinha. Agradeço a Deus, à minha família e a cada pessoa que esteve conosco, abriu as portas de sua casa, reuniu amigos e levou nossa mensagem. Meu coração é só gratidão”, disse.
A estreia com mais de 102 mil votos transforma Virginia Mendes de protagonista das políticas sociais do Estado em representante de Mato Grosso no Congresso Nacional.
Depois de anos dedicados a uma atuação social que seus apoiadores classificam como “o maior trabalho social que Mato Grosso já viu”, Virginia agora terá o desafio de levar essa experiência para Brasília e convertê-la em projetos, recursos e políticas públicas para os municípios mato-grossenses.
Se os ataques marcaram parte da campanha, a resposta veio das urnas: 102.120 votos e uma cadeira na Câmara dos Deputados.

POLÍTICA MT
TCE envia caso à OAB e pede apuração sobre atuação de advogados em recurso de contrato de R$ 32 milhões
Conselheiro Antonio Joaquim apontou possível litigância de má-fé após recurso mencionar suposta interferência de membro da Corte sem apresentar, segundo ele, elementos concretos
O Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) determinou o envio à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT) de documentos relacionados a um recurso apresentado pelo Instituto Social de Saúde São Lucas (ISSSL). A medida busca apurar eventual violação de deveres profissionais e possível litigância de má-fé por parte da entidade e de seus procuradores.
A determinação foi tomada pelo conselheiro Antonio Joaquim durante a análise de recursos relacionados ao Chamamento Público nº 003/2026, realizado pela Prefeitura de Pontes e Lacerda para contratar uma organização social responsável pela gestão do Hospital Vale do Guaporé. O contrato firmado com o Instituto São Lucas é de R$ 32 milhões por ano.
O procedimento havia sido suspenso pelo TCE após representação apresentada pelo Instituto de Saúde Santa Rosa (ISSR). Posteriormente, tanto o Município quanto o Instituto São Lucas recorreram.
Ao reexaminar o caso, Antonio Joaquim reconheceu que o contrato com o ISSSL havia sido assinado em 31 de julho e estava em execução desde 1º de agosto, corrigindo uma premissa temporal utilizada anteriormente. Apesar disso, o relator considerou que ainda existem pontos que precisam ser apurados no chamamento público, principalmente em relação ao cumprimento do item 15.10 do edital, ao contraditório e aos critérios utilizados na avaliação técnica das propostas.
Na decisão, o conselheiro também apontou o que classificou como “transparência insuficiente” e uma postura “pouco colaborativa” por parte da Prefeitura. Segundo o entendimento apresentado no processo, o Município não teria comunicado inicialmente a assinatura do novo contrato. Documentos referentes à homologação e ao ajuste teriam sido encaminhados ao Tribunal apenas em 3 de setembro, mesma data da publicação da decisão que havia suspendido o chamamento.
Outro ponto que continuará sob análise envolve a sessão de abertura das propostas. Entre os questionamentos estão a possibilidade de uma concorrente ter tido acesso à proposta do Instituto de Saúde Santa Rosa, apresentado objeções e influenciado a discussão antes da consolidação das notas, além da suposta participação de uma pessoa que não estaria cadastrada na sessão.
A decisão também prevê análise dos critérios empregados na avaliação técnica.
O ponto que motivou o envio do caso à OAB-MT foi uma alegação apresentada pelo Instituto São Lucas sobre uma possível interferência de integrante do TCE na formação do convencimento do relator.
Antonio Joaquim afirmou que a acusação não foi acompanhada de fato concreto ou prova. Conforme registrado na decisão, o recurso fez referência ao vínculo conjugal de uma antiga dirigente do Instituto de Saúde Santa Rosa com um membro da Corte. Na avaliação do conselheiro, a argumentação colocou sob suspeita a independência da relatoria sem apresentar elementos objetivos que sustentassem a alegação.
Diante disso, Antonio Joaquim determinou o encaminhamento de cópias do recurso e da decisão ao Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MT para que seja apurada eventual violação aos deveres profissionais de veracidade, lealdade, boa-fé e urbanidade.
Também deverá ser investigada eventual prática de litigância de má-fé pelo Instituto São Lucas e seus procuradores. A própria decisão ressalva que deverá ser garantido o contraditório e a ampla defesa antes de qualquer responsabilização.
Apesar da controvérsia no TCE, o contrato com o Instituto São Lucas permanece em execução. Isso ocorre porque o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) concedeu liminar suspendendo os efeitos da decisão que havia determinado a paralisação do contrato.
A decisão judicial, porém, não impede o TCE de prosseguir com a análise do chamamento público e dos indícios de possíveis irregularidades apontados no processo.
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