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O homem por trás da barba: agro, convicções e superação marcam trajetória de Nelson Barbudo

Deputado relembra origem de sua marca pessoal, reafirma posições políticas e conta como enfrentar um câncer em estágio avançado mudou sua percepção sobre a vida

A barba virou nome. O nome ganhou projeção política. E, ao longo dos anos, Nelson Barbudo se consolidou como uma das personalidades mais conhecidas da política de Mato Grosso, identificado com a defesa do agronegócio, das pautas conservadoras e de posições que nunca fez questão de suavizar.

Uma sequência de declarações do deputado federal Nelson Barbudo (Podemos-MT), durante entrevista ao podcast Mistura Cuiabana, revelou também o homem por trás dessa imagem pública: da origem da barba, mantida desde a juventude, às convicções políticas que carrega para o mandato e à experiência de enfrentar e superar um câncer em estágio avançado.

São episódios distintos, mas atravessados por uma característica comum: a disposição para lutar. Pela própria vida, pelas ideias em que acredita e por um setor — o agronegócio — com o qual construiu parte importante de sua identidade política.

A barba veio antes da política. Muito antes do primeiro mandato, já existia o Barbudo.

Ele contou que começou a cultivar a barba ainda jovem, sob influência do ambiente cultural da época, dos Beatles e da Jovem Guarda. A decisão provocou conflito dentro de casa.

Filho de pai italiano, rígido e acostumado a se barbear diariamente, Nelson ouviu repetidas determinações para retirar a barba. Aos 18 anos, decidiu contrariá-lo.

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Décadas depois, aquilo que começou como uma pequena rebeldia juvenil acabaria incorporado ao próprio nome pelo qual ficou conhecido nacionalmente.

A história também ajuda a revelar um traço que o acompanharia na vida pública: a disposição para sustentar suas escolhas mesmo diante do confronto.

*Do campo para a política*

Produtor rural e defensor do agronegócio, Barbudo construiu sua trajetória política associando a experiência do campo às bandeiras conservadoras que levou para Brasília.

Na Câmara dos Deputados, tornou-se uma voz em defesa do setor produtivo, da propriedade privada, da segurança jurídica no campo e de pautas identificadas com o eleitorado conservador.

Essa mesma personalidade aparece quando a conversa chega às questões ideológicas.

Barbudo reafirma sua oposição à esquerda e ao comunismo e mantém o discurso contundente que marcou sua trajetória política. Também sustenta posições rigorosas no debate sobre segurança pública e punição criminal.

Ao defender a pena de morte para crimes de extrema gravidade, por exemplo, argumentou que uma punição dessa natureza poderia produzir efeito dissuasório sobre potenciais criminosos.

São posições que provocam controvérsia e debate. Barbudo, porém, nunca procurou construir sua atuação política escondendo aquilo em que acredita. Ao contrário: fez da exposição direta de suas convicções uma característica do mandato.

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Foi assim que se tornou uma das principais vozes conservadoras de Mato Grosso e construiu forte identificação com o eleitorado ligado ao agronegócio e ao bolsonarismo.

*Quando a luta passou a ser pela própria vida*

Mas talvez o momento mais revelador da entrevista tenha ocorrido quando a política saiu de cena.

Barbudo relembrou o diagnóstico de um câncer em estágio quatro, com metástase, e o impacto de descobrir a gravidade da doença.

Diante do diagnóstico, conta que perguntou ao médico se outras pessoas já haviam conseguido superar um quadro semelhante. Quando ouviu que sim, decidiu que estaria entre elas.

Vieram o tratamento, a luta contra a doença e, posteriormente, a remissão. A experiência mudou sua percepção sobre aquilo que realmente importa.

“Depois de uma pancada dessa, a gente aprende que ser feliz não é ser milionário, é ter saúde e compartilhar a vida com a família”, afirmou.

É uma declaração que mostra uma dimensão menos conhecida de um político normalmente associado aos embates ideológicos e às discussões do Congresso.

O homem acostumado a defender posições duras descobriu, diante da doença, uma medida muito mais simples para a felicidade.

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Após Operação, Pivetta mantém Fábio Garcia como vice e sai em defesa de Mauro Mendes

Governador concede coletiva nesta segunda-feira e deve reforçar unidade do grupo governista; operação da PF provocou especulações sobre possíveis mudanças na chapa eleitoral

O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), deve reafirmar a permanência do deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como candidato a vice-governador em sua chapa à reeleição. O posicionamento ocorre após os desdobramentos políticos da Operação Heritage, deflagrada pela Polícia Federal na última quinta-feira (6).

Pivetta marcou uma entrevista coletiva para as 16h30 desta segunda-feira (10), quando deverá se manifestar publicamente sobre a operação e, principalmente, sobre os reflexos do episódio no cenário eleitoral de Mato Grosso.

A investigação tem entre os alvos o ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) e Fábio Garcia. A operação apura suspeitas relacionadas ao acordo de aproximadamente R$ 308 milhões firmado entre o Estado e a Oi.

Nos bastidores políticos, a deflagração da operação abriu espaço para especulações sobre uma eventual mudança na composição da chapa governista, especialmente na vaga de vice. A possibilidade teria sido discutida diante da preocupação com eventuais impactos da investigação durante a campanha eleitoral.

Apesar das especulações, a tendência do grupo é pela manutenção de Fábio Garcia. A avaliação entre os aliados é de que, até o momento, não haveria elementos suficientes para justificar uma alteração na chapa.

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Outro argumento apresentado pelo grupo é que os atos relacionados ao acordo investigado teriam tramitado pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE), e não pela Casa Civil, pasta que já foi comandada por Garcia.

DEFESA DE MAURO MENDES

Além de confirmar Garcia na chapa, Pivetta deverá sair publicamente em defesa de Mauro Mendes, uma das principais lideranças políticas do grupo governista e aliado estratégico de seu projeto de reeleição.

A reação ocorre em um momento delicado da disputa eleitoral. Dentro do grupo governista, há a avaliação de que a Operação Heritage poderá ser explorada politicamente pelos adversários ao longo da campanha.

Aliados de Pivetta e Mendes sustentam que a investigação teria adquirido contornos políticos e eleitorais. Entre integrantes do grupo, adversários como Carlos Fávaro (PSD), Janaina Riva (MDB) e Pedro Taques (PSB) são citados no contexto da disputa pelo Senado. Essa avaliação, no entanto, representa a versão política dos aliados e não significa, por si só, que os adversários tenham participação na investigação da Polícia Federal.

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Nas últimas horas, lideranças da base governista intensificaram as conversas e decidiram manter a unidade diante da crise. A orientação é evitar mudanças precipitadas e responder politicamente aos desdobramentos da operação sem comprometer a estratégia eleitoral construída até aqui.

Com isso, a coletiva de Pivetta ganha peso político e deverá funcionar como uma demonstração pública de que, apesar da Operação Heritage, o núcleo governista pretende preservar a chapa, manter Fábio Garcia como vice e sustentar a aliança com Mauro Mendes durante a campanha eleitoral de 2026.

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