ELEIÇÕES 2026
Pivetta assume negociações com o PL e tira direção nacional do Republicanos das articulações em MT
Governador afirma que liberou Marcos Pereira para não se desgastar com o impasse local e defende que futuro da aliança seja definido pelas lideranças mato-grossenses.
O governador de Mato Grosso, Otaviano Pivetta (Republicanos), anunciou que assumirá pessoalmente a condução das negociações políticas com o PL no Estado, retirando a direção nacional do Republicanos das articulações envolvendo uma eventual composição eleitoral para 2026.
A decisão foi revelada nesta sexta-feira (24), após o impasse provocado pela convenção do Partido Liberal, que oficializou candidatura própria ao Governo do Estado e alterou o cenário das negociações entre as duas siglas.
Segundo Pivetta, a medida foi acertada em conversa com o presidente nacional do Republicanos, deputado federal Marcos Pereira. O governador afirmou que o dirigente foi liberado da missão de conduzir as tratativas em Mato Grosso, evitando desgaste político em um cenário considerado de competência das lideranças estaduais.
“Faz mais ou menos 15 dias que eu conversei com o nosso presidente e o liberei desse compromisso. Não havia necessidade de ele gastar energia com Mato Grosso. Aqui nós resolvemos o nosso problema nós mesmos”, afirmou.
Nos bastidores, a avaliação é de que a homologação da candidatura do senador Wellington Fagundes (PL) inviabilizou o projeto de construção de um palanque único entre Republicanos e PL no Estado, refletindo inclusive nas negociações nacionais envolvendo o apoio do Republicanos à candidatura de Flávio Bolsonaro à Vice-Presidência da República.
Apesar do novo cenário, Pivetta evitou adotar um discurso de ruptura e sinalizou que continuará aberto ao diálogo. O governador defendeu que a definição sobre alianças deve ocorrer dentro de Mato Grosso, sem interferência da executiva nacional.
Questionado sobre a possibilidade de o PL ainda integrar seu projeto político, Pivetta manteve uma postura conciliadora e afirmou que pretende ampliar sua base de apoio.
“Nós queremos o apoio de todos os eleitores de Mato Grosso”, declarou.
Com o posicionamento, o governador reforça que as negociações para a formação dos palanques seguem em andamento, enquanto Republicanos e PL buscam reorganizar suas estratégias diante do novo cenário político no Estado.
POLÍTICA MT
Viúvo de Amália Barros considera ‘infeliz’ fala de dirigente do PL e defende retratação pública
A repercussão da declaração do presidente do PL em Mato Grosso, Ananias Filho, durante a convenção estadual do partido, continua produzindo desdobramentos. Em entrevista ao portal O Bom da Notícia, o empresário Thiago Boava, viúvo da ex-deputada federal Amália Barros e pré-candidato à Câmara dos Deputados pelo Partido Liberal, classificou como “infeliz” a fala do dirigente ao associar a morte da parlamentar à disputa eleitoral e afirmou que uma retratação pública seria o gesto mais adequado diante do episódio.
Na quarta-feira, durante entrevista coletiva concedida após a convenção da legenda, Ananias declarou que “Deus deu uma mão e levou uns lá para cima” ao comentar o espaço político aberto após a morte de Amália Barros, falecida em maio de 2024, aos 39 anos. A vaga na Câmara Federal passou a ser ocupada pelo primeiro suplente da legenda, Nelson Barbudo.
Embora procure interpretar a declaração como fruto de uma escolha inadequada de palavras, Boava admite que o resultado foi profundamente negativo. “Prefiro acreditar que faltou domínio das palavras, e não sensibilidade. Mas a repercussão mostra que a frase foi muito infeliz”.
O empresário afirmou ainda concordar com a reflexão apresentada no artigo “Quando uma palavra pública fere muito além da política”, publicado pela jornalista Marisa Batalha, segundo o qual determinadas declarações extrapolam a disputa eleitoral porque atingem valores humanos e simbólicos muito mais amplos.
Boava entende que as desculpas não precisam ser feitas à ele, ainda que admita seu desconforto. Porém, em uma eventual retratação deveria reconhecer o significado da trajetória construída por Amália e o esforço de tantas mulheres que enfrentam barreiras históricas para ocupar espaços de representação política.
“Não sinto necessidade de um pedido de desculpas para mim, nem acredito que seja isso que minha sogra espere. Mas penso que uma retratação seria importante pela memória da Amália e por todas as mulheres que travam diariamente essa batalha”.
Ele acrescentou que a rápida ascensão política da ex-deputada simbolizou uma conquista rara dentro de um ambiente ainda marcado por desigualdades. “A trajetória da Amália foi belíssima. Em tão pouco tempo ela conquistou um espaço que poucas lideranças conseguem construir ao longo de uma vida pública”.
Ao comentar os efeitos políticos da declaração, Boava também observou que um gesto de reconhecimento do erro contribuiria para a própria imagem do dirigente partidário. “Seria importante para ele também. As pessoas estão formando uma impressão sobre esse episódio, e reconhecer um equívoco demonstra grandeza.”
A declaração de Ananias repercutiu entre lideranças políticas, jornalistas e movimentos ligados à participação feminina na política. Alguns veículos de comunicação noticiaram o constrangimento provocado pela fala e destacaram o entendimento de Boava de que uma retratação pública seria o caminho mais adequado para encerrar o episódio.
Ao associar uma morte precoce à dinâmica eleitoral e à vontade divina, a declaração abriu um debate que ultrapassou os limites partidários e reacendeu discussões sobre responsabilidade institucional, cuidado com a linguagem e respeito à memória de mulheres que conseguiram romper barreiras históricas na política brasileira.
Amália Barros morreu em maio de 2024, aos 39 anos, no Hospital Vila Nova Star, em São Paulo, onde permaneceu internada em estado grave após complicações decorrentes de uma cirurgia para a retirada de um nódulo no pâncreas.
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