CUIABÁ
Prefeitura de Cuiabá fortalece estrutura da 1ª Feira do Orgulho com atuação integrada das secretarias
A programação da 23ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso ganha um novo espaço voltado à cultura, ao empreendedorismo e à economia criativa. Nesta sexta-feira (26), a Orla do Porto I, em Cuiabá, recebe a 1ª Feira do Orgulho, reunindo expositores, artistas e produtores culturais da comunidade LGBTQIA+ em um evento gratuito, com entrada mediante retirada de ingresso.
Correalizadora da programação, a Prefeitura de Cuiabá atua de forma integrada para garantir a estrutura necessária à realização da feira e da Parada do Orgulho. A Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (Semob) coordena o planejamento viário e o ordenamento do trânsito; a Secretaria Municipal de Ordem Pública acompanha os licenciamentos e autorizações necessários para a realização do evento, assegurando o cumprimento das normas; e a Limpurb reforça os serviços de limpeza urbana antes, durante e após as atividades na Orla do Porto.
A Secretaria Municipal da Mulher também participa da programação com a Van do projeto Cuiabá Acolhe Mulheres, instalada na Orla do Porto. A unidade oferece atendimento gratuito, acolhimento e orientação para mulheres que eventualmente sejam vítimas de assédio, violência ou qualquer situação de vulnerabilidade durante o evento, contando com equipe preparada para prestar suporte e realizar os encaminhamentos necessários à rede de proteção.
A feira será realizada das 16h às 23h e integra as atividades da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso. A programação inclui gastronomia, artesanato, lançamentos de livros, oficinas, exposições, apresentações culturais, shows de drag queens e DJs.
A proposta é fortalecer o empreendedorismo LGBTQIA+, incentivar a economia criativa e ampliar oportunidades de geração de renda para artistas, artesãos, produtores culturais e pequenos empreendedores.
Entre os expositores está o DJ e empreendedor Mateus Cardoso Gomes, que desde 2018 comercializa acessórios voltados ao público LGBTQIA+ por meio das redes sociais. Pela primeira vez participando da Feira do Orgulho, ele destaca a oportunidade de apresentar seus produtos diretamente ao público.
“Os eventos aproximam os clientes dos produtos e aumentam nossa visibilidade. Como minha loja funciona pelo Instagram, participar da feira é uma oportunidade importante para vender e alcançar novas pessoas”, disse.
Além da comercialização de produtos e serviços, a feira também será palco de homenagens a pessoas que contribuíram para a defesa dos direitos da população LGBTQIA+ em Mato Grosso. Entre os reconhecidos está Mãe Kaká, liderança do movimento e expositora do evento, que receberá uma homenagem.
“Receber esse reconhecimento em vida é uma grande honra. É um prêmio que valoriza a luta construída ao lado das pessoas da periferia e do movimento LGBTQIA+”, comentou.
A vice-presidente da Associação da Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Mato Grosso, Xica da Silva, explica que a criação da Feira do Orgulho amplia o alcance das ações desenvolvidas durante a programação e fortalece o diálogo com toda a sociedade.
“A feira nasce para abrir esse espaço para toda a população. A Parada é um evento aberto, que convida todas as pessoas a conhecerem, dialogarem e participarem dessa construção coletiva”, afirmou.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
CUIABÁ
Prefeito suspende por decreto aprovação de lotes abaixo de 200 m² e medida vai parar na Justiça
Especialista em Direito Imobiliário e Diretor Jurídico do CRECI/MT, afirma que prefeito não pode suspender efeitos de lei municipal por ato do Executivo
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou decreto suspendendo, por tempo indeterminado, a aprovação de novos projetos de loteamento e desmembramento que prevejam lotes com menos de 200 m² e frente inferior a 10 metros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município que circulou na quinta-feira (25) e já é alvo de uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo MDB, atendendo solicitação o Pré Candidato a Deputado Federal, CLAUDECIR CONTTREIRA.
O Decreto nº 12.169/2026 determina que a Prefeitura deixe de analisar, emitir diretrizes e aprovar projetos que não atendam aos novos parâmetros até que entre em vigor uma nova legislação urbanística municipal. Na prática, ficam suspensas aprovações que hoje são permitidas pela Lei Complementar nº 389/2015, que estabelece área mínima de 180 m² para os lotes.
Embora o decreto afirme que a lei continua em vigor e que a suspensão tem caráter temporário, a medida impede a aplicação prática da legislação vigente aos processos em andamento e aos novos pedidos protocolados no município.
A constitucionalidade do decreto é contestada pelo advogado especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial, Miguel Zaim. Segundo ele, o prefeito não pode, por decreto, restringir a eficácia de uma norma aprovada pelo Poder Legislativo.
“À primeira vista, eu vejo que esse decreto é inconstitucional. O prefeito não pode legislar por decreto ou suspender a eficácia de uma norma que está em vigor. Para alterar essa regra é necessária outra lei, debatida e aprovada pela Câmara Municipal”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a administração municipal extrapolou sua competência administrativa ao editar um ato que, na prática, modifica a aplicação da legislação urbanística.
“O prefeito é chefe do Poder Executivo e exerce função administrativa. Se pretende alterar os parâmetros definidos em lei, deve encaminhar um projeto ao Legislativo. Não pode retirar a eficácia de uma norma em vigor por meio de decreto”, disse.
Miguel Zaim também afirma que a mudança tende a provocar impactos econômicos no mercado imobiliário e no acesso da população à moradia.
Segundo ele, a exigência de terrenos maiores reduz o número de lotes que podem ser implantados em cada empreendimento, aumentando os custos de produção e, consequentemente, o preço final dos imóveis.
“Vai encarecer os terrenos, dificultar o acesso à moradia para as famílias de menor renda e também afastar investimentos. Outras cidades de Mato Grosso adotam lotes mínimos de 180 m² justamente para ampliar o acesso à habitação de forma organizada e urbanizada”, afirmou.
O advogado acrescenta que o aumento da metragem mínima também pode elevar o valor dos financiamentos habitacionais e reduzir a competitividade de Cuiabá em relação a outros municípios, tendo em vista que as grandes construtoras deverão desistir de investimentos na capital.
Ação na Justiça
A legalidade do decreto também será analisada pelo Judiciário. O MDB ingressou com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade questionando a medida adotada pelo prefeito.
Entre os argumentos apresentados está o de que o Executivo teria “inovado” na ordem jurídica por meio de decreto, criando restrições não previstas na legislação municipal e suspendendo, de forma indireta, os efeitos de uma lei que permanece vigente.
Anteriormente, no início de maio, Abilio chegou a encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para aplicar as novas medições.
No entanto, o Executivo pediu o projeto de volta, suspendendo a tramitação, para novas discussões sobre o assunto. Ainda não há previsão para que a proposta cumpra o rito legal e seja votada pelos vereadores.
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