CUIABÁ
Pronto-Socorro Municipal inicia III SISMA e reforça compromisso com gestão ambiental na saúde
A Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), deu início à III Semana Interna de Saúde e Meio Ambiente (SISMA), no Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC). O evento segue até esta sexta-feira (26), com uma programação voltada à educação ambiental, sustentabilidade e ao fortalecimento das boas práticas de gerenciamento de resíduos nos serviços de saúde. A abertura ocorreu nesta quarta-feira (24).
Promovida pelo Gerenciamento de Resíduos (GR) e pela Comissão Técnica de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (CTGRSS), a SISMA se consolidou como uma das principais iniciativas de sustentabilidade desenvolvidas no ambiente hospitalar em Mato Grosso. Criada em 2024, a ação busca sensibilizar servidores, residentes, acadêmicos e parceiros sobre a importância da preservação ambiental e do correto gerenciamento dos resíduos produzidos nas unidades de saúde.
A abertura da programação contou com apresentação do Coral do Hospital Municipal e reuniu profissionais da saúde, gestores e convidados. Ao longo dos três dias, serão realizadas palestras, oficinas, apresentações culturais, feira de economia solidária, bazar solidário, show de talentos, distribuição de mudas de árvores, ações educativas junto à Equipe Multiprofissional de Atenção Domiciliar (EMAD) e a tradicional Caminhada da Sustentabilidade, marcada para o encerramento da programação.
O Gerenciamento de Resíduos do HPSMC é coordenado pela engenheira sanitarista Salma de Oliveira e conta com a atuação da sanitarista Renata da Silva Leite Hellebrandt no desenvolvimento de ações voltadas ao gerenciamento de resíduos de serviços de saúde, educação ambiental, monitoramento de indicadores e implantação de projetos sustentáveis.
Além do gerenciamento adequado de resíduos infectantes, químicos e perfurocortantes, o hospital ampliou, nos últimos anos, iniciativas voltadas à reciclagem, educação permanente e reaproveitamento de materiais, fortalecendo a cultura ambiental entre trabalhadores e estudantes.
Os resultados demonstram a evolução do programa de sustentabilidade. Em 2025, foram destinados corretamente 1.883 frascos vazios de aerossol, 460 frascos de perfume, 677 frascos de álcool, 59,7 quilos de tampinhas plásticas, 958,5 quilos de papel seco, 12 toneladas de papelão, 2.103 latas de alumínio e 600 litros de óleo de cozinha usado.
Entre janeiro e maio de 2026, o hospital contabilizou a destinação adequada de 296 frascos de aerossol, 231 frascos de perfume, 200 frascos de álcool, 61 quilos de tampinhas plásticas, 583,6 quilos de papel seco, cinco toneladas de papelão, 698 latas de alumínio e 200 litros de óleo de cozinha usado. Os números evidenciam a continuidade das ações de reciclagem e educação ambiental.
Atualmente, o HPSMC realiza a reciclagem de nove categorias de resíduos por meio de parcerias com cooperativas, instituições e programas ambientais, contribuindo para a redução do descarte inadequado, o fortalecimento da economia circular e a preservação do meio ambiente.
O trabalho desenvolvido também vem recebendo reconhecimento em diferentes esferas. Entre as conquistas estão o Selo Empresa Amiga do Catador, o primeiro lugar no Prêmio de Modernização no Serviço Público da Prefeitura de Cuiabá, além de menções honrosas e apresentações de trabalhos científicos em eventos nacionais voltados à saúde pública, sustentabilidade e gestão ambiental.
Fonte: Prefeitura de Cuiabá – MT
CUIABÁ
Prefeito suspende por decreto aprovação de lotes abaixo de 200 m² e medida vai parar na Justiça
Especialista em Direito Imobiliário e Diretor Jurídico do CRECI/MT, afirma que prefeito não pode suspender efeitos de lei municipal por ato do Executivo
O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), publicou decreto suspendendo, por tempo indeterminado, a aprovação de novos projetos de loteamento e desmembramento que prevejam lotes com menos de 200 m² e frente inferior a 10 metros. A medida foi publicada no Diário Oficial do Município que circulou na quinta-feira (25) e já é alvo de uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade proposta pelo MDB, atendendo solicitação o Pré Candidato a Deputado Federal, CLAUDECIR CONTTREIRA.
O Decreto nº 12.169/2026 determina que a Prefeitura deixe de analisar, emitir diretrizes e aprovar projetos que não atendam aos novos parâmetros até que entre em vigor uma nova legislação urbanística municipal. Na prática, ficam suspensas aprovações que hoje são permitidas pela Lei Complementar nº 389/2015, que estabelece área mínima de 180 m² para os lotes.
Embora o decreto afirme que a lei continua em vigor e que a suspensão tem caráter temporário, a medida impede a aplicação prática da legislação vigente aos processos em andamento e aos novos pedidos protocolados no município.
A constitucionalidade do decreto é contestada pelo advogado especialista em Direito Imobiliário e Direito Condominial, Miguel Zaim. Segundo ele, o prefeito não pode, por decreto, restringir a eficácia de uma norma aprovada pelo Poder Legislativo.
“À primeira vista, eu vejo que esse decreto é inconstitucional. O prefeito não pode legislar por decreto ou suspender a eficácia de uma norma que está em vigor. Para alterar essa regra é necessária outra lei, debatida e aprovada pela Câmara Municipal”, afirmou.
Na avaliação do especialista, a administração municipal extrapolou sua competência administrativa ao editar um ato que, na prática, modifica a aplicação da legislação urbanística.
“O prefeito é chefe do Poder Executivo e exerce função administrativa. Se pretende alterar os parâmetros definidos em lei, deve encaminhar um projeto ao Legislativo. Não pode retirar a eficácia de uma norma em vigor por meio de decreto”, disse.
Miguel Zaim também afirma que a mudança tende a provocar impactos econômicos no mercado imobiliário e no acesso da população à moradia.
Segundo ele, a exigência de terrenos maiores reduz o número de lotes que podem ser implantados em cada empreendimento, aumentando os custos de produção e, consequentemente, o preço final dos imóveis.
“Vai encarecer os terrenos, dificultar o acesso à moradia para as famílias de menor renda e também afastar investimentos. Outras cidades de Mato Grosso adotam lotes mínimos de 180 m² justamente para ampliar o acesso à habitação de forma organizada e urbanizada”, afirmou.
O advogado acrescenta que o aumento da metragem mínima também pode elevar o valor dos financiamentos habitacionais e reduzir a competitividade de Cuiabá em relação a outros municípios, tendo em vista que as grandes construtoras deverão desistir de investimentos na capital.
Ação na Justiça
A legalidade do decreto também será analisada pelo Judiciário. O MDB ingressou com uma Ação Declaratória de Inconstitucionalidade questionando a medida adotada pelo prefeito.
Entre os argumentos apresentados está o de que o Executivo teria “inovado” na ordem jurídica por meio de decreto, criando restrições não previstas na legislação municipal e suspendendo, de forma indireta, os efeitos de uma lei que permanece vigente.
Anteriormente, no início de maio, Abilio chegou a encaminhar o projeto à Câmara de Vereadores, em regime de urgência, para aplicar as novas medições.
No entanto, o Executivo pediu o projeto de volta, suspendendo a tramitação, para novas discussões sobre o assunto. Ainda não há previsão para que a proposta cumpra o rito legal e seja votada pelos vereadores.
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