OPINIÃO

O empate que também ensina por Vânia Neves

O empate que também ensina

Por Vânia Neves

O empate da Seleção Brasileira na estreia da Copa do Mundo não era o resultado esperado pela torcida, mas o futebol também ensina por meio dos desafios. Em uma competição tão equilibrada, cada partida traz lições importantes, e este primeiro jogo mostrou que ainda há ajustes a serem feitos para que a equipe alcance seu melhor desempenho.

A partida evidenciou a necessidade de maior eficiência nas finalizações e mais tranquilidade nos momentos decisivos. Ao mesmo tempo, revelou uma equipe comprometida, que buscou o resultado até o fim e demonstrou disposição para superar as dificuldades encontradas em campo.

Outro aprendizado importante é reconhecer que não existem mais adversários fáceis em uma Copa do Mundo. As seleções chegam cada vez mais preparadas, exigindo concentração, estratégia e capacidade de adaptação durante os 90 minutos de jogo.

O mais importante agora é transformar esse empate em oportunidade de crescimento. Grandes campanhas são construídas com evolução e amadurecimento ao longo do torneio. Se souber aprender com os erros e valorizar os acertos, a Seleção Brasileira tem todas as condições de chegar mais forte para os próximos desafios.

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Vânia Neves é jornalista e assessora de imprensa 

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ARTIGOS

Poucos momentos fazem o Brasil se reconhecer como uma única nação e um só povo tanto quanto a Copa do Mundo e o Carnaval por Suelme Fernandes

Em ano eleitoral, essa percepção soa menos como exagero e mais como uma provocação necessária.

A esquerda e a direita se entrincheiram. Famílias se dividem, amizades se desgastam e o debate público, muitas vezes, transforma adversários em inimigos.

Mas basta a seleção entrar em campo.

E algo extraordinário acontece.

Por noventa minutos, estabelece-se um armistício. O empresário abraça o operário no pátio da empresa na hora do gol. O conservador comemora com o progressista. O Sul vibra com o Nordeste, num só coração.

O gol transforma-se em êxtase. Em catarse coletiva. Por alguns instantes, parece que só ele pode nos salvar.

A camisa da seleção volta a ser apenas a camisa do Brasil.

Não por acaso, o futebol foi incorporado aos projetos de construção da identidade nacional.

Sob Getúlio Vargas, nas décadas de 1930 e 1940, o rádio transformou a seleção em símbolo de unidade. Décadas depois, durante o regime militar, a Copa de 1970 foi associada ao discurso oficial de um país vencedor. Milhões cantavam: “Noventa milhões em ação, pra frente Brasil, do meu coração…”, numa das mais fortes associações entre futebol e política da história brasileira.

Nenhum governo criou a paixão pelo futebol.

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Mas todos compreenderam seu poder.

Essa percepção ganhou profundidade na obra Carnavais, Malandros e Heróis, do antropólogo Roberto DaMatta. Para ele, o futebol e o carnaval são rituais capazes de suspender temporariamente as divisões sociais e fazer o Brasil experimentar algo raro: a sensação de ser uma comunidade.

Nem mesmo a polarização recente conseguiu destruir completamente esse sentimento.

Na Copa de 2022, pela primeira vez em décadas, a camisa canarinho foi alvo de disputa política. Muitos passaram a enxergá-la não apenas como símbolo esportivo, mas também ideológico. Houve discussões, desconfortos e a sensação de que a velha unanimidade estava ameaçada.

Mas ela não desapareceu.

Quando a bola rolou, milhões de brasileiros continuaram sofrendo, vibrando e chorando juntos.

E é justamente aí que reside o paradoxo.

Se somos capazes de nos unir diante de uma bola rolando, por que fracassamos em fazê-lo diante dos problemas reais?

O Brasil não desconhece a união.

Ele a experimenta repetidas vezes.

Talvez tenha sido isso que Nelson Rodrigues enxergou ao chamar a seleção de A Pátria em Chuteiras. O brasileiro não assistia apenas a um jogo; procurava nele uma redenção. A pátria veste chuteiras, entra em campo e nos faz acreditar, mais uma vez, que somos um só povo.

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O Brasil sabe ser uma nação. A tragédia é que ainda não aprendeu a permanecer sendo depois do apito final.

Suelme Fernandes Historiador do IHGMT e presidente da EMPAER MT

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