OPINIÃO

CRECI-MT: RESPEITAR A HISTÓRIA, RECONHECER AS CONQUISTAS E RENOVAR PARA O FUTURO POR ALEX VIEIRA PASSOS

A história do mercado imobiliário de Mato Grosso se confunde com a história do próprio CRECI-MT. Ao longo das últimas décadas, a instituição desempenhou papel fundamental na valorização da profissão, na fiscalização do exercício profissional e na defesa dos interesses dos corretores de imóveis em um Estado que cresceu, se desenvolveu e se transformou em uma das maiores economias do país.

É impossível falar dessa trajetória sem prestar homenagem a grandes lideranças que ajudaram a construir o Conselho. Entre elas, destaca-se o honroso Ruy Pinheiro de Araújo, que durante décadas conduziu a entidade com firmeza, dedicação e espírito de representação, consolidando o CRECI-MT como uma instituição respeitada perante a sociedade e o mercado imobiliário. Da mesma forma, merece reconhecimento o trabalho do Professor Benedito, que promoveu importantes avanços de modernização administrativa, tecnológica e institucional, preparando o Conselho para os desafios de uma nova era.

Graças ao trabalho dessas lideranças e de tantos outros conselheiros e corretores que dedicaram parte de suas vidas à categoria, o CRECI-MT tornou-se uma entidade sólida e reconhecida.

Também é justo reconhecer que a atual gestão deu continuidade a importantes ações.

Entretanto, reconhecer os méritos não significa deixar de enxergar os desafios.

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O mercado imobiliário mudou profundamente nos últimos anos. A tecnologia revolucionou a forma de captar clientes, divulgar imóveis e fechar negócios. Inteligência artificial, marketing digital, visitas virtuais, assinaturas eletrônicas, plataformas imobiliárias e novas formas de investimento passaram a fazer parte do cotidiano dos profissionais.

Enquanto isso, muitos corretores sentem que o Conselho poderia estar mais próximo da base da categoria, especialmente dos profissionais do interior do Estado. Existe um sentimento crescente de que é preciso ampliar a participação dos corretores nas decisões institucionais, fortalecer a qualificação profissional, investir mais em inovação e aproximar ainda mais a entidade daqueles que efetivamente movimentam o mercado todos os dias.

Outro desafio importante é a formação de novas lideranças. Nenhuma instituição se fortalece permanecendo eternamente sob as mesmas visões e os mesmos grupos. A alternância de ideias, a renovação de quadros e a abertura para novos projetos são características naturais das instituições modernas e democráticas.

Renovar não significa negar o passado.

Renovar não significa desrespeitar quem construiu a história.

Renovar significa compreender que cada geração possui a responsabilidade de contribuir para que a instituição continue evoluindo.

Mato Grosso vive um dos maiores ciclos de crescimento econômico de sua história. O mercado imobiliário acompanha essa expansão e exige uma representação cada vez mais preparada, moderna e conectada às transformações da sociedade.

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O próximo processo eleitoral do CRECI-MT deve ser encarado como uma oportunidade para discutir propostas, ouvir a categoria e construir uma visão de futuro. Mais do que escolher nomes, será o momento de escolher caminhos.

A melhor homenagem que podemos prestar a líderes como Ruy Pinheiro de Araújo e Professor Benedito é garantir que a instituição continue avançando, incorporando novas ideias, novas lideranças e novas soluções para os desafios do presente e do futuro.

O CRECI-MT não pertence a uma gestão, a um grupo ou a uma chapa. O CRECI-MT pertence aos corretores de imóveis de Mato Grosso.

Por isso, chegou o momento de unir experiência e inovação, tradição e modernidade, história e futuro.

Respeitamos profundamente o legado construído.

Reconhecemos os avanços alcançados.

Mas acreditamos que chegou a hora da renovação.

Não por ruptura.

Mas por evolução.

Porque instituições fortes não têm medo de mudar.

Elas se renovam para continuar crescendo.

Alex Vieira Passos é Corretor Imobiliário e Advogado e Mato Grosso

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ARTIGOS

Educação Profissional Ensino Médio: oportunidade histórica ou improviso nacional?

A proposta do Novo Ensino Médio trouxe uma promessa ambiciosa: aproximar a escola da realidade dos jovens e do mercado de trabalho. Dentro desse novo modelo, a Educação Profissional e Tecnológica (EPT) passou a ocupar papel estratégico, deixando de ser apenas alternativa secundária para se tornar uma das principais apostas do sistema educacional brasileiro.

Na teoria, a ideia é moderna e necessária. O aluno deixa de receber apenas conteúdos tradicionais e passa a ter acesso à formação técnica, desenvolvimento de competências práticas e preparação para o mundo profissional ainda durante o ensino médio. É a tentativa de conectar educação, renda, empregabilidade e desenvolvimento regional.

O problema é que grande parte do país ainda não conseguiu transformar essa proposta em realidade.

Muitos estados e municípios enfrentam dificuldades estruturais, ausência de laboratórios, falta de professores técnicos, baixa conectividade e pouca integração entre escola e setor produtivo. Em diversos casos, o Novo Ensino Médio chegou antes da preparação das próprias redes de ensino.

Por outro lado, alguns estados começaram a mostrar que a educação profissional pode, sim, transformar realidades sociais e econômicas quando existe planejamento, investimento e continuidade administrativa.

O Ceará tornou-se referência nacional ao integrar ensino médio e educação profissional em escolas técnicas estaduais, com forte articulação entre formação acadêmica, tecnologia e mercado de trabalho. O modelo cearense conseguiu ampliar indicadores educacionais, empregabilidade juvenil e desempenho escolar, tornando-se exemplo para o restante do país.

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Outro caso importante é Mato Grosso do Sul, que nos últimos anos passou a investir fortemente na expansão da Educação Profissional e Tecnológica, principalmente por meio da interiorização do ensino técnico, ampliação de parcerias institucionais e fortalecimento dos itinerários formativos voltados à empregabilidade regional. O estado compreendeu que a formação técnica deixou de ser apenas política educacional e passou a ser também estratégia de desenvolvimento econômico.

Em Mato Grosso, o avanço da EPT também vem sendo debatido e estruturado pelo Conselho Estadual de Educação, que, sob a presidência de Gelson Menegatti, passou a discutir e implementar ações, resoluções e diretrizes voltadas à organização, regulamentação e fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica no Estado. A iniciativa busca disciplinar a expansão da modalidade, garantir maior segurança regulatória e estimular o crescimento responsável da educação técnica alinhada às necessidades do mercado e das regiões mato-grossenses.

Enquanto alguns estados avançam, milhares de jovens brasileiros ainda saem da escola sem profissão, sem perspectiva e sem preparo técnico mínimo para competir no mercado atual.

A educação profissional não pode ser tratada como simples complemento curricular. Ela precisa ser vista como política pública de desenvolvimento econômico e social. Países que cresceram de forma estruturada investiram fortemente em ensino técnico, inovação e formação profissional desde cedo.

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No Brasil, ainda existe um preconceito histórico que valoriza apenas a graduação tradicional, enquanto cursos técnicos seguem sendo subestimados, mesmo apresentando alta empregabilidade em diversas áreas.

O Novo Ensino Médio pode representar uma virada histórica para o país, principalmente nos estados do interior, onde muitas vezes a educação técnica é a principal porta de acesso ao emprego e à ascensão social.

Mas para isso, será necessário mais do que discursos e mudanças legislativas. Será preciso investimento real, planejamento, formação continuada de professores, infraestrutura adequada e conexão direta com as demandas econômicas regionais.

A educação brasileira mudou. O mercado mudou. O aluno mudou.
Agora resta saber se o sistema público conseguirá mudar também.

Alex Vieira Passos , Conselheiro de Estado, advogado e empresário da educação.

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