CRISE NA EDUCAÇÃO

Ex-secretário Amauri Monge parte para o ataque e denuncia “pedalada” de R$ 100 milhões na Educação de Cuiabá

Ex-gestor rebate acusações de Abilio, nega rombo de R$ 80 milhões e afirma que Prefeitura vive cenário de “colapso administrativo”

O ex-secretário municipal de Educação de Cuiabá, Amauri Monge, subiu o tom contra a gestão do prefeito Abilio Brunini (PL) e fez graves denúncias envolvendo a situação financeira da Prefeitura de Cuiabá. Durante pronunciamento na Câmara Municipal, Amauri acusou a administração de realizar uma “pedalada fiscal” superior a R$ 100 milhões com recursos que deveriam ter sido destinados à Educação.

A declaração ocorreu em meio às acusações feitas pelo prefeito sobre supostas irregularidades na aquisição de materiais didáticos e contratos da Secretaria Municipal de Educação, que poderiam ultrapassar R$ 80 milhões.

Ao rebater as denúncias, Amauri classificou as acusações como “ilações” e afirmou que não existe qualquer possibilidade técnica ou jurídica de um desvio dessa magnitude ocorrer dentro dos procedimentos administrativos da Prefeitura.

“Falar em um desvio de quase R$ 80 milhões é uma irresponsabilidade. Isso não atinge apenas a mim, mas todo um corpo técnico formado por profissionais efetivos da Prefeitura”, disparou.

Segundo o ex-secretário, o município enfrentaria um cenário de forte desequilíbrio financeiro, com dívidas acumuladas do exercício anterior sendo transferidas para este ano, colocando fornecedores e contratos essenciais em risco.

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“Ano passado cumprimos os 25% constitucionais na Educação, só que o dinheiro não foi para lá. Foi uma pedalada de mais de R$ 100 milhões. Esse dinheiro deveria ter ido para a Educação e não foi”, declarou.

Amauri também afirmou que tanto a Secretaria Municipal de Economia quanto a Procuradoria-Geral do Município tinham conhecimento da situação financeira enfrentada pela administração.

O ex-secretário revelou ainda que empresas fornecedoras da Prefeitura seguem sem receber pagamentos referentes aos últimos meses do ano passado. Entre os exemplos citados estão contratos ligados à produção de uniformes escolares, kits educacionais e prestação de serviços.

“Tem empresa séria correndo risco de falência. Há fornecedores que não receberam outubro, novembro e dezembro. Estamos falando de milhões em dívidas”, alertou.

Amauri negou ainda que a gestão tenha adquirido livros com valores superfaturados, afirmando que os contratos envolviam sistemas pedagógicos completos, incluindo materiais para alunos e professores, plataformas digitais e formação continuada.

“Nunca compramos livros avulsos. São soluções pedagógicas completas e adequadas à educação moderna”, afirmou.

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Ao comentar sua saída da Secretaria de Educação, Amauri negou que o desligamento tenha ocorrido apenas por razões eleitorais ou articulações políticas. Segundo ele, a decisão foi motivada pelo avanço de um “colapso administrativo” dentro da Prefeitura de Cuiabá.

“Eu não saí apenas para ajudar campanha política. Saí porque estava vendo um colapso acontecer, e não é só na Educação”, declarou.

O ex-secretário também comentou um processo envolvendo seu nome no Paraná e negou qualquer acusação de desvio de dinheiro público ou sobrepreço. Segundo Amauri, o caso decorre de disputas políticas locais e nenhuma irregularidade foi comprovada contra ele.

Ao final do discurso, Amauri afirmou que as acusações levantadas contra sua gestão servem como “cortina de fumaça” para esconder a verdadeira crise financeira enfrentada pela Prefeitura de Cuiabá.

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CUIABÁ

Base e oposição protocolam CPIs para investigar suposto rombo de R$ 80 milhões na Educação de Cuiabá

Câmara Municipal recebe dois pedidos de CPI após denúncias de irregularidades em contratos de livros, materiais didáticos e compras da Secretaria de Educação

A crise envolvendo a Secretaria Municipal de Educação de Cuiabá ganhou novos desdobramentos políticos nesta quinta-feira (28) após vereadores da base aliada e da oposição protocolarem pedidos de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar um suposto rombo de R$ 80 milhões denunciado pelo prefeito Abilio Brunini (PL).

Os requerimentos foram apresentados um dia após a gestão municipal revelar suspeitas de irregularidades em contratos ligados à compra de materiais didáticos, livros e outros insumos pedagógicos durante a administração do ex-secretário Amauri Monge.

O primeiro pedido foi protocolado pelo vereador Demilson Nogueira (PP), integrante da base do prefeito. Poucos minutos depois, a vereadora Maysa Leão (Republicanos), da oposição, também apresentou um requerimento próprio para investigação dos contratos da Educação.

Os dois pedidos ultrapassaram o número mínimo de assinaturas necessárias para instalação da CPI, aumentando ainda mais a pressão política sobre a Prefeitura e sobre ex-integrantes da Secretaria Municipal de Educação.

No requerimento apresentado por Demilson, o parlamentar pede a instauração da chamada “CPI da Educação” por um período inicial de 120 dias, com objetivo de investigar possíveis irregularidades, fraudes, sobrepreços, direcionamentos contratuais e danos ao erário envolvendo contratos administrativos, licitações, adesões a atas e compras de materiais pedagógicos.

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O documento também cita denúncias envolvendo livros produzidos com uso de inteligência artificial e comercializados por cerca de R$ 800 a unidade, situação que, segundo o vereador, pode indicar desperdício de recursos públicos e eventual superfaturamento.

Já o pedido protocolado pela vereadora Maysa Leão amplia o escopo da investigação e busca apurar contratos, aquisições, reformas, fornecimentos e prestações de serviços vinculados à Secretaria Municipal de Educação entre os anos de 2021 e 2026.

A oposição também quer investigar denúncias relacionadas à precariedade das escolas municipais, atraso na entrega de uniformes, ausência de climatização adequada nas unidades de ensino e possíveis incompatibilidades entre os valores contratados e a estrutura encontrada nas escolas da Capital.

Nos bastidores, a abertura simultânea de pedidos de CPI por vereadores da base e da oposição foi interpretada como um sinal de que o escândalo da Educação ultrapassou barreiras partidárias e passou a gerar preocupação generalizada dentro da Câmara Municipal.

A crise teve início após o prefeito Abilio Brunini afirmar que a própria gestão identificou indícios de ilegalidades na Secretaria de Educação e que uma investigação interna já vinha sendo conduzida há cerca de 90 dias.

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Com a oficialização dos pedidos de CPI, a tendência é de que o caso se transforme em uma das maiores crises políticas da atual legislatura, ampliando o desgaste da gestão municipal e elevando a pressão por responsabilizações administrativas e políticas nos próximos meses.

Fonte: olhar direto

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