POLÍTICA MT
ALMT homenageia empresários e cinegrafistas de Mato Grosso
Na noite desta segunda-feira (11), a Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) realizou sessão especial, no Plenário das Deliberações Deputado Renê Barbour, para a entrega de honrarias, entre elas uma Comenda Dante Martins de Oliveira, três títulos de cidadão mato-grossense e 73 moções de aplausos. As homenagens foram requeridas pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB).
Além do reconhecimento a empresários, desbravadores e à doutora especialista em Direito Ambiental e Perícia, a Assembleia Legislativa também prestou homenagens aos profissionais cinegrafistas, por meio da Associação Mato-grossense de Repórteres Cinematográficos (Arecin/MT), que completa cinco anos de atuação efetiva.
A Comenda Dante Martins de Oliveira foi entregue ao delegado de Polícia Civil de Mato Grosso, Diogo Santana Souza, secretário-adjunto de Inteligência da Secretaria de Estado de Justiça, pelos relevantes serviços prestados à população e pela atuação em prol da segurança pública.
Os títulos de Cidadão Mato-grossense agraciaram Alessandra Panizi Souza, doutora em Ciências Jurídicas e Sociais, com especializações em Perícia, Auditoria e Gestão Ambiental e Minerária; Dilvo Pagnussat, natural do Paraná, que chegou a Juína em 1986 e atuou, por quatro décadas, no setor farmacêutico; além do empresário Mauro César Pasqualotto, também morador de Juína.
Em pronunciamento, o deputado Carlos Avallone destacou os cinco anos de fundação da Associação Mato-grossense de Repórteres Cinematográficos (Arecin/MT). Segundo o parlamentar, “a organização das categorias em associações é muito importante não só pela defesa das prerrogativas dos profissionais, mas também para promover ações de auxílio social a quem mais necessita”.
Foto: Hideraldo Costa/ALMT
“Este é o caso da valorosa Associação dos Repórteres Cinematográficos, que desempenha papel fundamental na representação dos profissionais responsáveis pelas imagens que ilustram as reportagens e transmissões ao vivo dos fatos mais relevantes do cotidiano social, político e institucional do estado”, emendou Avallone.
“São profissionais que muitas vezes atuam em condições adversas, levando à população imagens que traduzem a realidade dos acontecimentos com fidelidade e responsabilidade”, destacou o deputado.
“A Arecin-MT nasceu de um grupo de WhatsApp criado pelo cinegrafista Gilvair Gracioso, atual presidente da entidade, que não pôde estar presente. Estamos destacando a iniciativa de organizar a primeira entidade representativa da categoria”, disse Carlos Avallone.
“Nesta sessão, a diretoria está representada pelo vice-presidente, o cinegrafista Ezequiel Salomão, ao lado dos colegas Lincoln Reis, que representa os profissionais do interior, além dos cinegrafistas Dalmir Ferreira de Almeida e Adir Henrique Ribeiro”, afirmou o deputado.
“Estamos falando de profissionais capacitados, que operam câmeras cada vez mais sofisticadas e precisam se atualizar constantemente. É uma atuação que contribui diretamente para a formação da opinião pública.”
Avallone destacou ainda que, desde sua fundação, em 2021, a Arecin-MT tem promovido ações para fortalecer a categoria, tanto no plano profissional quanto no social, com a distribuição de cestas básicas para famílias de cinegrafistas.
O deputado citou ainda que, recentemente, a associação arrecadou recursos e entregou uma câmera profissional e um celular a um dos “melhores cinegrafistas do estado, Valdeci Queiroz, que estava passando por dificuldades”.
“Para mim é uma honra estar fazendo essa homenagem. Vocês foram e são muito importantes pelo que representam e pelas imagens que oferecem dos fatos que acontecem no mundo”, completou o deputado.
O empresário Dilvo Pagnussat, de Juína, que falou em nome dos homenageados com o Título de Cidadão Mato-grossense, destacou a honraria recebida. Segundo ele, a palavra que define o momento é gratidão. Pagnussat citou uma frase de Jesus — “quem quiser seguir o caminho de Jesus terá muitos espinhos” — para afirmar que “nesses 40 anos em Mato Grosso tive muitos espinhos, mas hoje colho frutos em função do nosso trabalho. Minha palavra é de gratidão. É o primeiro reconhecimento que recebo. Sou de uma família humilde do interior, e o senhor sabe e conhece a nossa história”, afirmou.
Dilvo Pagnussat se estabeleceu em Juína em 1986. Em quatro décadas, atuou no setor farmacêutico e atualmente é responsável por uma rede que emprega centenas de trabalhadores. Segundo Carlos Avallone, o empresário é proprietário de 25 farmácias, responsáveis por um faturamento de cerca de R$ 250 milhões por ano.
O cinegrafista Lincoln Reis falou durante a sessão especial em nome dos profissionais do interior, agradeceu a homenagem e se disse emocionado com o reconhecimento. “Depois de oito anos de luta nasceu a nossa associação, a primeira do Brasil”, destacou, ao lembrar também do trabalho social desenvolvido pela Arecin-MT.
O cinegrafista Ezequiel Salomão, vice-presidente da Arecin-MT, afirmou que o cinegrafista é o “profissional que ‘escreve’ com a câmera, registrando fatos e emoções para transmitir a notícia. Operam câmeras de vídeo, ajustam a iluminação, monitoram a qualidade do áudio e definem ângulos. Possuem formação ou olhar jornalístico para identificar a notícia na cena e selecionar os melhores takes”.
“A rotina começa cedo, muitas vezes antes de o sol nascer. Mas o que move esses profissionais não é apenas o horário, e sim a missão de contar histórias com precisão, sensibilidade e criatividade”, observou.
“Hoje, neste plenário, senhor deputado, temos inúmeros profissionais que, se fossem contar essa história em imagens, cada um contaria de uma forma diferente, sem perder a autenticidade e a verdade dos fatos aqui narrados. Fica aqui o nosso agradecimento, em nome de todos os profissionais de Cuiabá e de Mato Grosso, e a gratidão à Vossa Excelência por esse ato de reconhecimento para com a nossa categoria, que nem sempre recebe o devido valor, principalmente por parte dos patrões e até mesmo de alguns companheiros de profissão.”
Repórteres cinematográficos agraciados com Moção de Aplausos pelos relevantes serviços prestados ao Estado de Mato Grosso e sua gente:
ADILSON OLIVEIRA DA SILVA
ADIR HENRIQUE B. RIBEIRO
AGNALDO CAVALCANTE GOMES
ALVARO JOSÉ RICCA
ANDERSON BORGES CANDIDO SILVA
ATAIRTON DE PAULA CAMPOS
BENEDITO LUIS COSTA
CARLOS AUGUSTO F. DOS SANTOS
CASSIANO JEAN CATARINO DA SILVA
CELSO MERELES DE OLIVEIRA
CHRYSTIAN BARROS DA SILVA
CLAUDIO DE OLIVEIRA
DALMIR FERREIRA DE ALMEIDA
DAVI FAGUNDES DE MACEDO
EDILSON CAMARGO
EDNEY CACIO DA SILVA
EDWILSON ROBERTO M. DE SENA
ELIZEU ISAÍAS SILVA
EZEQUIEL SALOMÃO
FELIPE V. KAWAHISA HIGA
FERNANDO MARCELO SOARES PARRAGAS
FRANCINEI MARANS DOS SANTOS
FRANK EDUARDO DA SILVA
GILVAIR GOMES GRACIOSO
GIOVANNA VITÓRIA SANTOS
HELDER CESAR GOMES
JEAN CARLOS PEDROSO MATTOS
JANILCE YUNG
JOAO PINHEIRO DE CARVALHO NETO
JOÃO BOSCO RADI
JOÃO PÁSCOA DE OLIVEIRA
JOISON CRUZ
JONATHAN FERNANDO SANTO DE ALMEIDA
JORGE MONTEZUMA DE MORAES
JOSÉ FERREIRA DE OLIVEIRA
JOSÉ ILDO
JOSÉ JUVENCIO DOS SANTOS
JURANDIR DIONISIO DOS SANTOS
KELVEN QUEIROZ
LINCOLN APARECIDO RODRIGUES REIS
LUCAS PASOLINI MAGALHÃES SOARES
LUIS FERNANDO WILKE
LUIS GUILHERME SOARES TORRES
MARCELO PARRAGAS
MARCELO SANTANA DA SILVA
MARCOS ANTÔNIO XAVIER
MARCOS AURÉLIO C. DE OLIVEIRA
MARIO DE CAMPOS LEITE JUNIOR
MAXIMINO PEREIRA DA CRUZ
MELVINO RAFAEL DE SOUZA
NATALINO DO NASCIMENTO
NEIDSON MARIANO DA S. G. JUNIOR
NEIDSON MARIANO DA SILVA GARCIA
NELSON SÉRGIO RIBEIRO
NILO BENÍCIO CORTEZ
NILSON OLIVEIRA DA SILVA
ONILDO CRUZ FILHO
OSVALDO PINHEIRO COSTA
PABLO DA SILVA LIMA
PAULO ALVES MARTINS
PAULO SÉRGIO FIGUEREDO OLIVEIRA
PEDRO HENRIQUE G. CAIRES
PRISCILA MARCELY MARTINS NAGAI DAMIANI
REINALDO DIAS DE SOUZA
ROBERTO GARCIA ARRUDA
SANDRO CÉSAR ROBERTO
SÉRGIO AUGUSTO COUTINHO GOUVÊA FILHO
SILVANA FERREIRA GARCIA
SILVIO RODRIGUES CURVO
TIAGO FERREIRA DA SILVA
WELLINGTON LUÍS DO NASCIMENTO
WILSON FERNANDES DE SANTANA JÚNIOR
YGNACIO ROMAN TERRAZAS
Fonte: ALMT – MT
POLÍTICA MT
Documentos podem revelar traição de parlamentar que disputa o Senado em MT e arrecadação paralela usando o nome de Bolsonaro em 2018 com uso de jatinho
Apuração cruza horas de voo, destinos, empresários e possíveis contribuições para investigar movimentação que teria ocorrido sem conhecimento da coordenação oficial da campanha presidencial
Uma história que começou nos bastidores da eleição presidencial de 2018 pode explodir oito anos depois e se transformar em uma das maiores bombas políticas da campanha eleitoral de 2026 em Mato Grosso.
O Folha de Mato Grosso apura relatos e documentos relacionados a uma suposta estrutura paralela de articulação e arrecadação que teria utilizado o nome e a força eleitoral de Jair Messias Bolsonaro enquanto ele disputava pela primeira vez a Presidência da República.
No centro dos relatos aparecem um então senador da República, com forte proximidade política com Bolsonaro naquele período, e um parlamentar federal de Mato Grosso que atualmente disputa uma vaga no Senado Federal.
A hipótese investigada é de que integrantes desse grupo teriam percorrido Mato Grosso e outras regiões do país em aeronaves e jatinhos, mantendo contatos com empresários e potenciais financiadores sem que toda essa movimentação passasse pela coordenação financeira oficial da campanha presidencial.
O ponto decisivo é descobrir se essas viagens representavam apenas articulação política ou se também existiu captação de dinheiro usando o nome do então candidato.
E, caso tenha existido arrecadação, qual foi o destino dos recursos.
A SUPOSTA TRAIÇÃO
A eventual confirmação dessa hipótese poderá revelar uma contradição política ainda maior.
Personagens que posteriormente consolidaram sua imagem pública como defensores de Bolsonaro e de bandeiras como “Deus, Pátria e Família” poderão ter de explicar exatamente qual era a finalidade das articulações realizadas durante aquelas viagens.
Buscar empresários, conquistar apoio político e solicitar doações eleitorais dentro das regras não constitui, por si só, qualquer irregularidade.
A pergunta é outra.
Se houve dinheiro arrecadado utilizando o nome de Jair Bolsonaro, esse dinheiro chegou à campanha presidencial?
Se chegou, onde foi contabilizado?
Se não chegou, qual foi sua destinação?
Quem recebeu?
Quem controlava a eventual arrecadação?
É justamente neste ponto que a palavra “traição” passa a ter peso político na investigação.
Se os documentos demonstrarem que aliados utilizaram o nome de Bolsonaro para arrecadar recursos sem conhecimento da coordenação oficial e que esse dinheiro não foi destinado à campanha presidencial, estará colocada a hipótese de que Bolsonaro tenha sido politicamente traído por pessoas que publicamente se apresentavam como seus aliados.
Até que os documentos estabeleçam a existência e a destinação de eventuais recursos, entretanto, o Folha de Mato Grosso não afirma que qualquer parlamentar tenha se apropriado de dinheiro.
É exatamente isso que a investigação pretende esclarecer.
HORAS DE VOO E JATINHOS
Uma das peças centrais da apuração está nos registros das aeronaves utilizadas naquele período.
O Folha de Mato Grosso trabalha no levantamento e cruzamento de documentos envolvendo horas de voo, datas, destinos e deslocamentos realizados durante a campanha presidencial de 2018.
O objetivo é reconstruir a cronologia das viagens.
Quem estava nos aviões?
Quais cidades foram visitadas?
Quais empresários foram procurados?
Quem contratou e pagou as aeronaves?
Houve pedido de contribuição?
Algum recurso foi efetivamente entregue?
Caso tenha sido entregue, onde aparece na contabilidade eleitoral?
O cruzamento entre horas de voo, passageiros, agendas, empresários, eventuais contribuições e prestação de contas poderá confirmar ou afastar a existência de uma estrutura que teria funcionado paralelamente ao comando oficial da campanha presidencial.
O JATINHO JÁ HAVIA VIRADO NOTÍCIA EM 2018
Parte dessa história chegou ao conhecimento público ainda em 2018.
Em dezembro daquele ano, poucas semanas depois da vitória de Bolsonaro, reportagens repercutiram uma controvérsia envolvendo o então senador Magno Malta, aeronaves, o empresário Eraí Maggi e articulações com representantes do agronegócio de Mato Grosso.
Reportagem publicada originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo e repercutida por outros veículos informou que Bolsonaro teria retirado Magno Malta da relação de possíveis ministros depois de receber informações sobre viagens realizadas pelo então senador durante a campanha.
Segundo o noticiário daquele período, os deslocamentos teriam como finalidade aproximar Eraí Maggi e produtores rurais de Mato Grosso da candidatura de Bolsonaro.
Também foram publicados questionamentos sobre a contabilização de determinados deslocamentos em aeronaves.
Magno Malta apresentou sua versão e afirmou que não havia participado da negociação, contratação ou pagamento da aeronave.
Esses registros jornalísticos não comprovam a existência da arrecadação paralela agora investigada, mas demonstram que a controvérsia envolvendo jatinhos, articulações políticas e personagens próximos a Bolsonaro já existia publicamente em 2018.
PODEMOS APRESENTOU SUA VERSÃO
A repercussão também provocou manifestação do Podemos em Mato Grosso.
Na época, o partido contestou parte das informações relacionadas à aeronave.
A versão apresentada pela legenda sustentava que o avião não pertencia a Eraí Maggi e teria sido formalmente contratado pelo Podemos de Mato Grosso junto a uma empresa de táxi aéreo.
Segundo o partido, a aeronave teria sido utilizada para deslocamentos de dirigentes e as despesas seriam contabilizadas eleitoralmente.
Essa versão torna ainda mais importante o cruzamento dos registros.
Quem contratou cada aeronave, quanto custaram os deslocamentos, quem viajou, quais destinos foram percorridos e onde cada despesa aparece contabilizada são questões que os documentos podem ajudar a responder.
A VISITA DE ERAÍ MAGGI A BOLSONARO
Outro episódio importante aconteceu durante a internação de Jair Bolsonaro depois do atentado sofrido em Juiz de Fora.
Bolsonaro estava internado no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, quando recebeu a visita do megaempresário do agronegócio Eraí Maggi.
O encontro aconteceu e foi registrado publicamente.
Notícias daquele período também apontaram Magno Malta como participante da aproximação entre Eraí e Bolsonaro.
Segundo relatos que agora fazem parte da apuração do Folha de Mato Grosso, teria sido justamente no contexto dessa aproximação que pessoas próximas ao então candidato tomaram conhecimento de movimentações realizadas fora da estrutura central da campanha.
A visita de Eraí Maggi ao hospital é um fato público. O que a investigação ainda precisa comprovar é se naquele contexto surgiu efetivamente alguma informação sobre contribuição financeira ou eventual arrecadação realizada sem conhecimento da coordenação oficial de Bolsonaro.
O QUE AINDA NÃO FOI RESPONDIDO
O noticiário daquele período registrou a controvérsia envolvendo Magno Malta, aeronaves, Eraí Maggi, produtores rurais de Mato Grosso e a reação atribuída a Jair Bolsonaro.
Também foram apresentadas versões públicas sobre a contratação e o pagamento de aeronave.
Mas essas reportagens não comprovaram que existiu uma arrecadação paralela nem que dinheiro eventualmente arrecadado tenha sido apropriado por qualquer pessoa.
É exatamente aí que começa a nova frente de investigação.
O Folha de Mato Grosso busca descobrir se, por trás das viagens e articulações políticas já conhecidas, existia também uma operação destinada a captar recursos de empresários utilizando o nome de Bolsonaro.
Caso tenha existido, será necessário descobrir quem pediu, quem contribuiu, quem recebeu e qual foi a destinação dos recursos.
O PARLAMENTAR QUE DISPUTA O SENADO
É neste ponto que uma história iniciada em 2018 pode entrar diretamente na eleição de Mato Grosso em 2026.
Um parlamentar federal citado nos relatos sobre essa movimentação disputa atualmente uma vaga no Senado Federal pelo Estado.
Seu nome permanece preservado nesta etapa porque a reportagem ainda trabalha no cruzamento dos documentos necessários para estabelecer sua participação e a natureza das atividades que teria desempenhado naquele período.
A investigação busca determinar se sua eventual participação ficou restrita a articulações políticas ou se alcançou uma possível captação de recursos.
Caso os documentos demonstrem apenas viagens, reuniões e busca legítima por apoio eleitoral, isso não representa necessariamente irregularidade.
O cenário será diferente se houver comprovação de que recursos foram captados utilizando o nome de Bolsonaro sem conhecimento da coordenação financeira oficial.
Nesse caso, algumas perguntas serão inevitáveis.
Quem autorizou a arrecadação? Quem entregou os recursos? Quem recebeu? Quanto foi arrecadado? Onde o dinheiro foi contabilizado?
E, principalmente:
onde foi parar o dinheiro?
FORA DO PRIMEIRO ESCALÃO
Há ainda outro capítulo da história.
Magno Malta, apesar da conhecida proximidade pública com Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, acabou fora do primeiro escalão do governo iniciado em janeiro de 2019.
Reportagens daquele período relacionaram o desgaste político do então senador a informações que teriam chegado a Bolsonaro sobre viagens e articulações realizadas durante a campanha.
Isso, entretanto, não permite afirmar que uma eventual arrecadação paralela tenha provocado sua exclusão do governo.
A existência de uma relação direta entre os dois acontecimentos ainda precisaria ser comprovada.
A SEGUNDA FACADA
É justamente a possibilidade de uma traição surgida dentro do próprio ambiente político de Bolsonaro que dá nome à investigação.
“A Segunda Facada” não representa uma nova agressão física contra Jair Bolsonaro. É uma referência à hipótese de uma traição política ocorrida nos bastidores da própria campanha que o levou à Presidência da República.
Enquanto Bolsonaro enfrentava a campanha eleitoral e se recuperava do atentado sofrido em Juiz de Fora, pessoas que publicamente estavam ao seu lado poderiam, segundo os relatos investigados, estar utilizando seu nome e sua força eleitoral em uma estrutura que não passava pela coordenação financeira oficial.
Se os documentos confirmarem apenas articulações políticas, a hipótese de arrecadação perde sustentação.
Mas, se demonstrarem que dinheiro foi efetivamente captado, outra investigação começa imediatamente.
Para onde foram os recursos?
A BOMBA DE 2026
Oito anos depois, o quebra cabeça volta a ser montado.
O Folha de Mato Grosso continuará confrontando documentos, registros de horas de voo, datas, destinos, passageiros, agendas, empresários, despesas, possíveis contribuições e a prestação de contas eleitoral de 2018.
Os personagens documentalmente identificados deverão ser procurados para apresentar suas versões antes da divulgação de acusações individualizadas.
A existência das viagens e da controvérsia envolvendo Magno Malta chegou à imprensa em 2018. A aproximação com Eraí Maggi foi noticiada. A visita de Eraí a Bolsonaro no hospital foi registrada. O episódio envolvendo jatinho também ganhou repercussão.
A peça que ainda falta encaixar é justamente a mais explosiva.
Existiu arrecadação financeira durante essas viagens?
Se existiu, quem arrecadou?
Quanto?
Quem contribuiu?
O dinheiro chegou à campanha de Bolsonaro?
Se não chegou, qual foi sua destinação?
A resposta pode atravessar diretamente as urnas de Mato Grosso oito anos depois.
Isso porque um parlamentar federal citado nos relatos daquela movimentação disputa atualmente uma vaga no Senado Federal.
Se a documentação confirmar que pessoas que se apresentavam como aliadas de Bolsonaro utilizaram seu nome para captar recursos sem conhecimento da coordenação oficial, uma história iniciada nos bastidores de 2018 poderá se transformar em uma das maiores bombas políticas da eleição de 2026 em Mato Grosso.
E a pergunta que está no centro de “A Segunda Facada” continua aberta:
Jair Bolsonaro foi traído dentro da própria campanha por pessoas que utilizaram seu nome para arrecadar recursos sem conhecimento da coordenação oficial e, se isso aconteceu, onde foi parar o dinheiro?
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