NACIONAL
Abertura do Fórum Regional de Seguridade Social recebe 40 países em São Paulo
O Brasil reafirmou sua escolha política de priorizar o cuidado com as pessoas e a inclusão dos mais vulneráveis no orçamento durante a abertura do Fórum Regional de Seguridade Social para as Américas 2026, nesta quarta-feira (25), em São Paulo. Ao receber delegações de 40 países, o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, destacou que o sistema brasileiro é um pilar de dignidade humana e de redução da pobreza, servindo de base para o debate internacional sobre o futuro da proteção social no continente.
Durante a cerimônia de abertura do evento realizado pela Associação Internacional de Seguridade Social (AISS), o ministro exaltou o modelo centenário da Previdência Social brasileira, lembrando que ele permitiu avanços cruciais na redução da pobreza, na ampliação da cobertura e no acesso a serviços essenciais. “Mais do que indicadores estamos falando de dignidade, de acesso a direitos fundamentais. Neste governo, fizemos a escolha política de cuidar das pessoas e tirar os mais vulneráveis da invisibilidade e incluí-los no orçamento”, disse.
Reconhecendo os desafios da Previdência, o ministro ressaltou que o enfrentamento não pode ser feito de modo isolado. “A troca de experiências entre os países, especialmente no âmbito da AISS, é um dos instrumentos mais poderosos que temos. Essa integração e essa agenda multilateral que nós fortalecemos é um símbolo de resistência. Aprendemos com as experiências bem-sucedidas, adaptamos soluções e construímos respostas mais eficazes”, declarou.
O secretário-geral da AISS, Marcelo Caetano, agradeceu às autoridades brasileiras pela iniciativa e comprometimento com a Previdência Social brasileira. Disse que está muito orgulhoso de trabalhar numa organização internacional como a AISS e dando as boas-vindas a todos, declarou que a troca de experiências será enriquecedora para conhecer o que os outros países estão fazendo para melhorar a vida das pessoas.
O presidente da empresa de tecnologia do governo federal (Dataprev), Rodrigo Assumpção, destacou que, historicamente, a empresa sempre trabalhou com a seguridade social e que a Dataprev é responsável pelo armazenamento, processamento e análise de dados de todas as políticas públicas do governo brasileiro. “Isso nos motiva e nos enche de orgulho”, disse. O presidente falou que as conversas durante o evento serão determinantes para o futuro da seguridade social e que será por meio da troca de experiências que o país aprenderá com o contexto internacional e regional: “com esse espírito de desafio e renovadas esperanças que dou as boas-vindas a todos”.
Sobre o Fórum
O Fórum Regional de Seguridade Social para as Américas 2026 é o principal evento do setor no continente. Realizado em São Paulo, dos dias 25 a 27 de março, o encontro conta com a participação de delegações de 40 países. O objetivo é compartilhar experiências e construir soluções para desafios comuns, como o envelhecimento populacional e a informalidade no mercado de trabalho. Ao longo dos três dias de programação ocorrerão diversos painéis de discussão e será entregue uma premiação da AISS de Boas Práticas para as Américas.
A edição deste ano conta com a participação de delegações de 40 países e territórios: Angola, Anguilla, Antígua e Barbuda, Argentina, Aruba, Bahamas, Barbados, Belize, Bolívia, Brasil, Ilhas Virgens Britânicas, Cabo Verde, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Curaçao, República Dominicana, Equador, El Salvador, Granada, Guatemala, Guiné-Bissau, Haiti, Jamaica, Malásia, México, Moçambique, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Sint Maarten, Espanha, Suíça, Ilhas Turks e Caicos, Estados Unidos e Uruguai.
Programação
Confira a programação completa do primeiro dia (25/3) de evento.
MANHÃ
- 8h às 9h45 – Inscrição dos participantes – Átrio (3º andar)
- 10h às 11h – Cerimônia de Abertura com a presença do Ministro da Previdência Social e dignatários do Governo Brasileiro e da AISS – Espaço Paulista
- 11h às 11h30 – Intervalo para café e networking – Átrio
- 11h30 às 12h30 – Apresentação nacional: a seguridade social no Brasil – Espaço Paulista
- 12h30 às 14h30 – Almoço – Espaços Luis Coelho e Augusta (4º andar)
TARDE
- 14h30 às 17h – A seguridade social nas Américas: desafios, progressos e tendências – Espaço Paulista
- A partir das 17h30 – Apresentação do Prêmio da AISS de Boas Práticas para as Américas e Recepção de boas-vindas
NACIONAL
Como escolas e famílias formam novos leitores
A formação de leitores começa muito antes da alfabetização. O contato com livros, histórias, brincadeiras e manifestações artísticas desde a primeira infância é um direito fundamental das crianças e uma etapa essencial para o desenvolvimento. Nesse contexto, a implementação de políticas públicas possibilita a ampliação do acesso à literatura e garante que mais crianças tenham oportunidades de vivenciar a leitura. Para fortalecer essas ações, o Ministério da Educação (MEC) está formando a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância. Municípios, estados e o Distrito Federal podem aderir à iniciativa até 31 de julho.
Coordenada pela Subsecretaria da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (SNPPI), a comunidade reúne gestores públicos responsáveis por políticas destinadas a bebês e crianças de até seis anos. A proposta busca fortalecer a implementação da Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) por meio de cooperação entre os entes federados, troca de experiências e desenvolvimento de capacidades institucionais para planejar, executar, monitorar e avaliar ações voltadas à infância.
A importância dessa articulação entre políticas públicas, escolas, famílias e comunidade destacou-se na 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Ao longo da programação da Flipinha e da FlipEduca, educadores, escritores e artistas compartilharam experiências que mostram como o incentivo à leitura desde os primeiros anos de vida pode transformar a relação das crianças com a aprendizagem e a cultura.
Para a atriz, educadora e pesquisadora em teatro, música, dança e literatura Cláudia Ribeiro, arte e educação caminham juntas no desenvolvimento infantil. Em seu trabalho, ela dirige grupos de teatro compostos por crianças, no contraturno escolar, que produzem espetáculos apresentados em escolas do município. A iniciativa aproxima os estudantes à literatura por meio da interpretação, criatividade e experiência artística, ao mesmo tempo em que incentiva a leitura e fortalece a participação das famílias no processo educativo.
“Esse trabalho ajuda a formar a plateia e despertar o interesse das crianças ao incentivá-las a produzir arte e, principalmente, a entrar no mundo da leitura. No teatro, eu estou sempre incentivando o ato de ler, porque é importante ler o texto, entender o personagem, interpretar as intenções das falas. Quando as famílias entendem que esse processo de junção de arte e educação é muito produtivo e benéfico para as crianças, elas dão a mão para a gente, enquanto educadoras e artistas, e aí a criança só tem a ganhar com tudo isso”.
As experiências apresentadas na Flip reforçam que o acesso à literatura também passa pelo fortalecimento dos vínculos familiares. A escritora, poeta e produtora cultural Elisa Pereira, que vive em Paraty e é autora do livro infantil Quintal do Vô Benê, explica que o contato com os livros pode começar ainda na primeira infância – e até antes do nascimento. Em sua obra, ela escolheu retratar um avô como personagem central para destacar que o cuidado, o afeto e a transmissão de conhecimentos também fazem parte do papel dos homens na criação das crianças.
“Eu acho que é fundamental. Eu cresci, na verdade, sem essa vivência. Eu não tive mãe ou pai que lessem para mim, mas eu percebo a diferença entre crianças que, desde pequenas – hoje em dia, a gente sabe que pode ler até para os bebês –, tiveram acesso à leitura, e crianças que não tiveram. Eu acho que é fundamental o papel da mãe, do pai e dos cuidadores, de uma forma geral, nessa formação de leitores”.
A professora da rede municipal do Rio de Janeiro Glaucia Abreu, que atua com contação de histórias e literatura na infância, observa que muitas crianças têm seu primeiro contato sistemático com os livros no ambiente escolar. Segundo ela, o hábito da leitura nem sempre está presente no ambiente familiar, o que amplia o papel da escola em despertar a imaginação, a criatividade e o interesse pela literatura. Ao mesmo tempo, ela ressalta que esse trabalho alcança melhores resultados quando a família também participa desse processo.
“Muitas das vezes, a escola introduz esse papel por meio de uma contação simples ou, às vezes, uma contação para dormir para crianças que não vivenciaram isso. Então, a escola está cumprindo um papel que é básico, que aflora a criatividade da criança, assim como a capacidade de ela desenvolver a imaginação e a fantasia, que faz parte do universo infantil. A gente precisa incentivar isso além das portas da escola. A gente precisa incentivar isso na base familiar”.
Cooperação – Os relatos apresentados durante a Flip dialogam com os objetivos da Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância, criada pelo MEC para fortalecer políticas públicas voltadas aos primeiros anos de vida.
Instituída pela Portaria nº 540/2026, a comunidade reúne gestores públicos indicados pelos municípios, estados e Distrito Federal em uma rede de cooperação federativa. A iniciativa busca fortalecer as capacidades institucionais dos entes para planejar, executar, monitorar e avaliar políticas públicas destinadas a bebês e crianças de até seis anos, além de promover a troca de experiências, a difusão de conhecimentos técnicos e o aprimoramento contínuo das ações voltadas à primeira infância.
A comunidade está estruturada em dois eixos. O primeiro, Pactuação e Articulação Federativa, prevê oficinas, encontros técnicos e seminários para discutir iniciativas, projetos e programas voltados à primeira infância e incentivo à cooperação entre os entes federativos. Já o eixo Desenvolvimento de Capacidades Institucionais contempla a criação de instrumentos de gestão, protocolos, sistemas de informação, monitoramento e avaliação, além da oferta de ações formativas voltadas ao fortalecimento das capacidades individuais e coletivas da gestão pública.
As experiências compartilhadas por educadores, artistas e escritores na Flip mostram que formar leitores desde a primeira infância depende da atuação conjunta de escolas, famílias, espaços culturais e políticas públicas. Ao criar uma rede permanente de cooperação entre gestores, a Comunidade Nacional de Gestores de Políticas de Primeira Infância busca fortalecer essa articulação para que mais crianças tenham acesso a experiências de leitura, cultura e aprendizagem desde os primeiros anos de vida.
Assessoria de Comunicação Social do MEC
Fonte: Ministério da Educação
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