NACIONAL

Modelo de IA apoia diagnóstico de câncer de pele

A Universidade Federal do Pampa (Unipampa), no Rio Grande do Sul, vinculada ao Ministério da Educação (MEC), desenvolveu um modelo de inteligência artificial capaz de analisar imagens de lesões cutâneas e apoiar o diagnóstico precoce do câncer de pele. 

A iniciativa foi desenvolvida por Eduarda Silveira, estudante de engenharia de computação, e contou com orientação do docente Sandro Camargo. Os resultados da pesquisa foram publicados na Revista Brasileira de Cancerologia, periódico científico do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde (MS). 

Segundo Silveira, a motivação surgiu da necessidade de ampliar o apoio ao diagnóstico precoce, especialmente em contextos em que há escassez de especialistas. “A avaliação clínica já utiliza imagens dermatoscópicas, então a inteligência artificial se mostrou uma alternativa promissora para aprender padrões dessas imagens e atuar como ferramenta de apoio ao médico, especialmente em cenários com limitação de acesso a dermatologistas”, explica. 

O sistema utiliza redes neurais profundas treinadas com milhares de imagens dermatoscópicas de lesões previamente classificadas e confirmadas por biópsia. O modelo aprende a reconhecer padrões relacionados a cor, forma e estrutura das lesões. Na prática, ao receber uma imagem dermatoscópica, o sistema dá uma sugestão de diagnóstico, acompanhada de um nível de confiança. Ele foi estruturado para identificar oito classes distintas de lesões cutâneas, incluindo melanoma e outros tipos de câncer de pele. 

Camargo destaca que o diferencial científico do estudo está na construção de um processo completo e validado. “Desenvolvemos um pipeline que vai desde identificação manual das lesões, pré-processamento e treinamento do modelo até validação interna e externa com imagens clínicas reais. Isso demonstra viabilidade técnica e potencial de transferência para uso clínico, caracterizando o estudo como uma prova de conceito aplicável à triagem dermatológica”, afirma. 

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O modelo chegou a identificar oito de dez imagens de lesões analisadas e alcançou sensibilidade de 80,44%. De acordo com o docente, esses índices estão dentro da faixa observada em estudos internacionais semelhantes. “Pesquisas na área relatam sensibilidades entre 72% e 89% e acurácia média entre 78% e 91%. Portanto, o desempenho é promissor e tecnicamente competitivo, especialmente por se tratar de um estudo-piloto com conjunto reduzido de imagens anotadas manualmente”, afirma. 

A aluna ressalta que o desempenho é melhor quando as imagens possuem boa qualidade e são obtidas com dermatoscópio, enquanto lesões raras e imagens fora do padrão ainda representam desafios. A confiabilidade do modelo foi avaliada em duas etapas. Na validação interna, as imagens foram divididas em 90% para treino e 10% para teste. Já na validação externa, o sistema foi aplicado em 58 imagens dermatoscópicas inéditas, obtidas em ambiente clínico real. 

O estudo também seguiu princípios éticos fundamentais, com uso de dados públicos anonimizados e em conformidade com as Resoluções nº 466/2012 e nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde. 

Para Camargo, o trabalho mostra, na prática, como a pesquisa universitária pode se traduzir em impacto direto na saúde e na vida da população. “A integração entre computação e saúde permite gerar soluções tecnológicas com impacto social direto, formar estudantes preparados para problemas reais e promover transferência de conhecimento para o sistema público de saúde”, pontua. 

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Apoio – A tecnologia apoia o Sistema Único de Saúde (SUS) com o diagnóstico em regiões sem especialistas, contribuindo para a triagem precoce de câncer de pele na atenção primária, com apoio a médicos generalistas, além de ajudar a reduzir desigualdades regionais no acesso a dermatologistas. 

“A ferramenta pode auxiliar na identificação de lesões que merecem maior atenção e priorizar encaminhamentos. Ela não substitui o diagnóstico médico, mas pode apoiar o profissional de saúde no dia a dia”, explica Silveira. 

O sistema foi desenvolvido para uso restrito ao ambiente clínico e depende de imagens obtidas com dermatoscópio. Entre as limitações estão a diversidade ainda restrita de dados, especialmente em relação a diferentes tons de pele, e o fato de o modelo analisar apenas imagens, sem considerar informações clínicas do paciente. 

Próximos passos – Os próximos passos incluem a ampliação das bases de dados, aprimoramento do desempenho e novas validações em ambientes clínicos reais. Para que a tecnologia seja aplicada na prática, será necessário o envolvimento de instituições como o Ministério da Saúde, o Inca e a Sociedade Brasileira de Dermatologia.  

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Este conteúdo é uma produção da Unipampa, com apoio da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC) 

Fonte: Ministério da Educação

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Viaje por São Miguel das Missões (RS), um encontro com a história do Brasil

Entre igrejas de pedra, esculturas sacras e vestígios de construções que atravessaram séculos, São Miguel das Missões (RS) preserva um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil. Reconhecido pela Unesco como Patrimônio Mundial desde 1983, o local guarda as ruínas do antigo povoado de São Miguel Arcanjo, criado por missionários jesuítas e indígenas guaranis durante o período colonial.

Instalado entre os séculos 17 e 18, no território que hoje corresponde ao Brasil e à Argentina, o sítio integra um conjunto de antigas missões. Essas comunidades foram criadas pelos jesuítas para catequizar os povos guaranis, mas também funcionavam como centros de moradia, agricultura, educação, música, arte e produção artesanal.

Com o fim das missões, parte das construções foi abandonada e as ruínas preservadas hoje ajudam a contar essa história.

Reconhecimento

A Unesco reconheceu São Miguel das Missões por preservar o mais importante conjunto preservado das Missões Jesuítico-Guaranis no Brasil. As ruínas da Igreja de São Miguel Arcanjo, da praça central e de outras estruturas do antigo povoado ajudam a compreender como viviam indígenas guaranis e missionários jesuítas entre os séculos 17 e 18.

O sítio brasileiro integra um Patrimônio Mundial compartilhado com quatro antigas missões na Argentina, formando um dos mais importantes conjuntos históricos da América do Sul.

O que fazer

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Entre os principais atrativos estão:

  • Sítio Arqueológico de São Miguel Arcanjo: principal atração da cidade, reúne as ruínas da antiga igreja, da torre e de construções que faziam parte do povoado missioneiro.

  • Museu das Missões: apresenta imagens sacras, esculturas e objetos produzidos nas antigas missões, além de ajudar o visitante a entender a organização desses povoados.

  • Espetáculo Som e Luz: realizado à noite, usa iluminação e narração para contar a história das Missões Jesuítico-Guaranis.

  • Praça das Missões: em frente às ruínas, oferece uma das principais vistas do conjunto histórico.

  • Artesanato missioneiro: produzido por artesãos da região, reúne peças inspiradas na cultura guarani e na história das missões.

Quem estiver de carro pode aproveitar a viagem para conhecer outros destinos da Rota das Missões, como Santo Ângelo, São João Batista e o Santuário do Caaró, que ajudam a compreender a história da presença jesuítica no Sul do Brasil.

Quando visitar

São Miguel das Missões pode ser visitada durante todo o ano. Entre outubro e maio, as temperaturas são mais altas e favorecem os passeios ao ar livre.

Entre os principais eventos estão:

  • Espetáculo Som e Luz: realizado regularmente junto às ruínas.

  • Réveillon nas Missões: com apresentações culturais.

  • Semana Nacional dos Museus: com programação especial no Museu das Missões.

  • Semana Farroupilha: celebrada em setembro, com atividades culturais em toda a região.

  • Celebrações religiosas e eventos ligados à cultura missioneira: ao longo de todo o ano.

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Como chegar

São Miguel das Missões está localizada na Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. O acesso mais rápido é pelo Aeroporto Regional Sepé Tiaraju, em Santo Ângelo, a cerca de 50 quilômetros do município. A partir dali o trajeto pode ser feito de carro, ônibus ou traslado.

Também é possível chegar pelo Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. Nesse caso, a viagem até São Miguel das Missões é feita por rodovia, em um percurso de aproximadamente 480 quilômetros.

Para quem viaja de carro, o principal acesso é pela BR-285, que liga a cidade a municípios da Região das Missões e a outras rodovias do estado.

Patrimônio Mundial

A Lista do Patrimônio Mundial reúne locais reconhecidos pela Unesco por sua importância cultural, natural ou histórica para a humanidade. Os bens inscritos são considerados de valor universal excepcional e passam a integrar uma relação internacional de patrimônios, cuja preservação é de interesse mundial.

O Brasil possui atualmente 26 bens inscritos na lista, distribuídos entre as categorias Cultural, Natural e Mista.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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