TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Justiça Comunitária do TJMT soma mais de 75 mil procedimentos com ações itinerantes em 2025
Levar a Justiça onde o acesso é difícil, as distâncias são longas e os direitos, muitas vezes, parecem inalcançáveis. Este é o propósito que orienta as ações itinerantes da Coordenadoria Estadual da Justiça Comunitária do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que, em 2025, alcançaram resultados expressivos por meio de projetos como o Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas, Expedição Araguaia – Xingu e Justiça Sem Fronteiras.
Somadas, as iniciativas chegaram a mais de 75 mil procedimentos realizados, impactando diretamente comunidades ribeirinhas, rurais, indígenas e populações de regiões fronteiriças e isoladas do estado.
Justiça que vai até onde o cidadão está
Segundo o coordenador da Justiça Comunitária, juiz José Antônio Bezerra Filho, a atuação segue uma diretriz clara: priorizar localidades distantes dos grandes centros urbanos, onde o deslocamento até uma comarca pode ultrapassar 100, 200 ou até 300 quilômetros de estradas em precárias condições.
“Estamos levando o Poder Judiciário até essas populações para garantir dignidade, respeito e pacificação social, atuando de forma resolutiva nos eixos da Justiça, cidadania, saúde, meio ambiente e políticas públicas”, destacou o magistrado.
Ele também ressaltou que os resultados só são possíveis graças ao apoio contínuo da Presidência do TJMT e à confiança construída com uma ampla rede de parceiros.
“Fechamos o ano com números muito positivos, fruto da credibilidade, da responsabilidade na condução dos projetos e do comprometimento de mais de 40 instituições parceiras”, afirmou.
Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas
A 18ª edição do Projeto Ribeirinho Cidadão – Rota das Águas, realizada entre 7 e 16 de abril, contabilizou 16.496 procedimentos nos municípios de Porto Esperidião, Jauru, Reserva do Cabaçal e Salto do Céu. A ação levou atendimentos nas áreas de Justiça, Saúde, Educação Ambiental, Ciência, Cultura, Esporte, Lazer, Educação no Trânsito e Cidadania.
Justiça Sem Fronteiras: cidadania nas regiões de fronteira
A Expedição Justiça Sem Fronteiras, realizada entre 1º e 9 de julho, contabilizou 28.027 procedimentos, sendo 5.267 apenas no Eixo Cidadania, em comunidades localizadas na fronteira com a Bolívia. Os atendimentos ocorreram em áreas rurais e distritos de Cáceres, Porto Esperidião e Vila Bela da Santíssima Trindade, com serviços de documentação, previdência, saúde, educação, sustentabilidade e assistência social.
Expedição Araguaia-Xingu: Justiça em movimento
A 7ª Expedição Araguaia – Xingu encerrou-se com 31.679 atendimentos, somando duas etapas realizadas em comunidades do nordeste mato-grossense. A iniciativa levou serviços essenciais a localidades como Agrovila Jacaré Valente, Veranópolis (Confresa) e Espigão do Leste (São Félix do Araguaia).
Casos concretos demonstram o impacto da ação, como o de Célia Aparecida Lima, que buscava desde 2019 o restabelecimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) do filho, e o de Maria Conceição Alves da Silva, que conseguiu resolver o bloqueio do benefício do filho com Síndrome de Down sem precisar se deslocar para outra uma capital.
Histórias como essas reforçam o papel da Expedição como uma verdadeira ponte entre o cidadão e seus direitos.
Parcerias que tornam a Justiça possível
As ações contam com a atuação integrada de órgãos do Judiciário, Executivo, Legislativo, forças de segurança, instituições federais, prefeituras e parceiros privados. Para o juiz José Antônio Bezerra Filho, essa união é o diferencial que transforma números em vidas impactadas. “Essa é a nossa felicidade: ver todos os sistemas funcionando juntos e entregando direitos a quem mais precisa. Isso é Justiça presente”, concluiu.
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Autor: Vitória Maria Sena
Fotografo: Alair Ribeiro e Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Evento rememora primeira condenação do Brasil por violação dos direitos humanos
Magistrados (as) e servidores (as), especialmente integrantes dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização (GMFs) e dos Comitês Estaduais Interinstitucionais de Monitoramento da Política Antimanicomial(CEIMPAS), estão convidados a participarem do evento “20 anos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Ximenes Lopes vs. Brasil: memória, reparação e compromisso do Estado brasileiro com o cuidado”. O evento, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será realizado no dia 27 de julho, às 16h, em formato virtual, com transmissão pelo canal do CNJ no Youtube, pelo link: https://yputu.be/BDGQLyuGO5k. A atividade relembra os 20 anos da sentença da primeira condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Além de resgatar a memória e a relevância histórica da decisão, o evento promoverá um debate acerca dos avanços e desafios da implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário, instituída pela Resolução CNJ nº 487/2023, reunindo representantes do Sistema de Justiça, da academia, de organismos internacionais, dos movimentos sociais e da gestão pública.
Na programação consta a realização da mesa “Das Recomendações da Corte à Resolução CNJ nº 487/2023: o que mudou em 20 anos?”, destinada à reflexão sobre os impactos da sentença na construção das políticas públicas de saúde mental e nos processos de desinstitucionalização desenvolvidos no país.
Além de magistrados e servidores da Justiça Estadual, o convite, encaminhado ao supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do sistema penitenciário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, é estendido aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e demais instituições parceiras envolvidas na implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário.
Resumo do caso – O “Caso Ximenes Lopes versus Brasil” foi um processo internacional julgado em agosto de 2006 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil pela violação dos direitos humanos de Damião Ximenes Lopes. O Estado brasileiro foi acusado de violar os direitos previstos nos artigos 4 (direito à vida), 5 (à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Damião Ximenes Lopes morreu no dia 4 de outubro de 1999, na Casa de Repouso Guararapes, vítima de tortura. Em 22 de novembro de 1999, Irene Ximenes Lopes Miranda, irmã de Damião, apresentou petição denunciando os fatos e a falta de investigação e punição dos responsáveis.
Autor: Nadja Vasques
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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