AGRONEGÓCIO
Desenrola Rural já renegociou R$ 11,97 bilhões de dívidas da agricultura
Um balanço do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, divulgado nesta segunda-feira (13.10), mostra que o programa Desenrola Rural já permitiu a renegociação de R$ 11,97 bilhões em dívidas na agricultura familiar desde fevereiro.
Foram mais de 282 mil produtores beneficiados, regularizando mais de 529 mil contratos de crédito. O maior volume das negociações envolve débitos inscritos na Dívida Ativa da União, com R$ 9,13 bilhões renegociados e mais de 185 mil inscrições de produtores regularizadas, trazendo alívio para quem estava sem acesso ao crédito rural.
O programa também contempla dívidas referentes a fundos constitucionais e operações de crédito fundiário, reforma agrária, indígenas e quilombolas. Só nos financiamentos do Pronaf, foram R$ 2,46 bilhões em acordos, sinal de que agricultores de todo porte estão conseguindo limpar o nome, reorganizar as contas e retomar a capacidade de investir e produzir.
Entre as instituições financeiras que mais renegociaram valores, destaque para o Sicredi, com R$ 1,52 bilhão em créditos revisados e mais de 41 mil operações, além do Banco do Brasil, líder nacional em contratos próprios renegociados.
O Desenrola Rural oferece condições facilitadas de pagamento, descontos e prazos ampliados para dívidas vencidas há mais de um ano, incluindo agricultores familiares e cooperativas. A expectativa é que o programa alcance perto de 1 milhão de famílias rurais em todo o país — uma oportunidade para quem enfrenta dificuldades financeiras e precisa de fôlego novo para manter a produção.
Para muitos produtores, renegociar a dívida é o caminho mais direto para reabrir espaço no orçamento, evitar restrições de crédito e garantir os insumos da próxima safra. A recomendação é ficar atento ao calendário do programa e procurar as instituições financeiras ou órgãos do governo para saber como participar.
Fonte: Pensar Agro
AGRONEGÓCIO
Alta do petróleo e avanço dos biocombustíveis elevam preços internacionais dos alimentos
A nova alta dos preços internacionais dos alimentos acendeu um alerta, e também abriu oportunidades, para o agronegócio brasileiro. Relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) mostra que os alimentos voltaram a subir em abril, puxados principalmente pelos óleos vegetais, em um movimento diretamente ligado à tensão no Oriente Médio, ao petróleo mais caro e ao avanço global dos biocombustíveis.
O Índice de Preços de Alimentos da FAO subiu 1,6% em abril e atingiu o maior nível desde fevereiro de 2023. Para o produtor brasileiro, porém, o dado mais importante está no comportamento do óleo de soja e das commodities ligadas à energia.
Com o aumento das tensões envolvendo o Irã e os riscos sobre o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz, o mercado internacional passou a precificar possível alta nos combustíveis fósseis. Na prática, petróleo mais caro torna o biodiesel mais competitivo e aumenta a demanda por matérias-primas agrícolas usadas na produção de energia renovável.
É justamente aí que o Brasil ganha relevância. Maior produtor e exportador mundial de soja, o país também ampliou nos últimos anos sua indústria de biodiesel. Com a mistura obrigatória de biodiesel no diesel em níveis mais elevados, cresce a demanda interna por óleo de soja, fortalecendo toda a cadeia produtiva.
O efeito tende a chegar dentro da porteira. Preços internacionais mais firmes para óleo vegetal ajudam a sustentar as cotações da soja, melhoram margens da indústria e podem aumentar a demanda pelo grão brasileiro nos próximos meses.
Além disso, o cenário fortalece a estratégia de agregação de valor do agro nacional. Em vez de depender apenas da exportação do grão bruto, o Brasil amplia espaço na produção de farelo, óleo e biocombustíveis, segmentos mais ligados à industrialização e geração de renda.
Os cereais também registraram leve alta internacional em abril. Segundo a FAO, preocupações climáticas e custos elevados de fertilizantes continuam influenciando o mercado global de trigo e milho.
Mesmo assim, os estoques mundiais seguem relativamente confortáveis, reduzindo o risco de uma disparada mais intensa nos preços dos grãos neste momento. Outro ponto que interessa diretamente ao produtor brasileiro está na carne bovina. O índice internacional das proteínas animais bateu recorde em abril, impulsionado principalmente pela menor oferta de bovinos prontos para abate no Brasil.
Isso ajuda a sustentar os preços internacionais da proteína brasileira e reforça a competitividade do país em um momento de demanda firme no mercado externo. Na direção oposta, o açúcar caiu quase 5% no mercado internacional diante da expectativa de aumento da oferta global, especialmente por causa da perspectiva de produção elevada no Brasil.
A FAO também revisou para cima sua projeção para a safra mundial de cereais em 2025, estimada agora em 3,04 bilhões de toneladas — novo recorde histórico. O cenário mostra que o mercado global de alimentos continua abastecido, mas cada vez mais conectado ao comportamento da energia, da geopolítica e dos biocombustíveis. Para o agro brasileiro, isso significa que petróleo, conflitos internacionais e política energética passaram a influenciar diretamente o preço da soja, do milho, da carne e até a rentabilidade dentro da fazenda.
Fonte: Pensar Agro
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