TECNOLOGIA

Prêmio Capes Futuras Cientistas incentiva a participação de mulheres na ciência

A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), do Ministério da Educação, divulgou as vencedoras do Prêmio Capes Futuras Cientistas da edição 2025. São 19 alunas, 13 tutoras e dez professoras representando diferentes unidades federativas das cinco regiões do Brasil.  

As estudantes premiadas receberão certificado e medalha. Para as professoras e tutoras, a premiação será em apoio financeiro para participação em um congresso nacional ligado à área de seus projetos, no valor de até R$ 6 mil, destinado pela Capes.  

O programa é uma inciativa que promove a igualdade de gênero no mercado profissional, estimulando a participação das meninas e mulheres nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática (Stem, em inglês). A premiação é resultado de uma parceria entre o Capes e o Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), unidade de pesquisa vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).  

De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), apenas 31% das mulheres ocupam as áreas de Stem. 

Reconhecimento da premiação 

A 2ª edição do Prêmio Capes Futuras Cientistas foi direcionada às alunas do ensino médio de rede pública que participaram e foram aprovadas no Módulo Imersão Científica do Futuras Cientistas 2024, promovido pelo Cetene, e ingressantes em universidades públicas. Além das estudantes, a premiação incluiu uma professora por unidade federativa e, no máximo, três tutoras de cada região com projetos aprovados no programa.  

A professora vencedora Jéssica Guerreiro Valuthky, da região Sul do País, disse que esse prêmio representa o reconhecimento de um compromisso que vai além do ensino tradicional. “É a valorização da dedicação em inspirar, incentivar e abrir caminhos para que novas gerações descubram seu potencial científico. Esse prêmio simboliza a importância de acreditar no poder transformador da educação e reforça meu compromisso de continuar contribuindo para a formação de cientistas e líderes que farão a diferença na sociedade”, ressalta.  

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Uma das alunas vencedoras, Marina Andrade de Albuquerque França, que atualmente cursa Engenharia Química na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), relata que essa premiação é um reconhecimento importante para as mulheres que participam do programa e que são minoria na área de Stem.   

A criadora do Futuras Cientistas e pesquisadora do Cetene, Giovanna Machado, entende que o programa é uma referência nacional ao estímulo de meninas à ciência. “Para as professoras, além do prêmio do programa, o reconhecimento e a valorização do seu papel como multiplicadores do conhecimento são muito importantes. E para as alunas, eu acho que abre horizontes e desperta vocações científicas”, declara.  

Importância para as mulheres 

Para a pesquisadora, o prêmio Futuras Cientistas desperta a percepção de que a carreira científica é uma possibilidade real e acessível e aumenta a autoconfiança, a autoestima e a forma das participantes se verem como protagonistas no campo científico e tecnológico, já que estão sendo premiadas.  

“Ao vivenciar laboratórios e projetos de pesquisa, essas meninas e professoras desenvolvem competências práticas e um grande espírito crítico, que são essenciais na ciência”, explica.  

Segundo Jéssica Valuthky, o Programa Futuras Cientistas tem um papel fundamental para a sociedade ao abrir portas, inspirar e impulsionar “alunas que, muitas vezes, enxergam apenas os limites de sua realidade imediata, sem perceber que os estudos podem ser o caminho para alcançar muito mais”. A professora destaca que o programa contribui para a construção de uma ciência mais diversa, inclusiva e inovadora.  

“Ao formar novas pesquisadoras, o Futuras Cientistas ajuda a fortalecer o desenvolvimento científico e tecnológico do País, gerando impactos positivos que reverberam em toda a sociedade, desde a educação até soluções para desafios locais e globais”, finaliza.  

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A estudante Marina Andrade destaca que as mulheres enfrentam muitos desafios na área de Stem, pois os ambientes são predominantemente masculinos. No entanto, o resultado vale o esforço. “Eu já pensei ‘aqui não é meu lugar, não sei o que eu estou fazendo aqui’. Mas, quando você segue e estuda o que gosta, não tem o que faça você parar. Conhecemos muitas meninas legais no processo, que gostam da mesma área e acabam se identificando e fazendo amizade. É uma motivação”, pontua.  

Jéssica Valuthky deixa um conselho para as professoras que desejam incentivar as alunas a entrarem na área de Stem: mostrar a elas o vasto universo de possibilidades que o programa oferece.  

“Além da imersão científica, que aproxima as estudantes do mundo da pesquisa, o programa conta com a Banca de Estudos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), direcionado para alunas do 3º ano da rede pública estadual em todo o Brasil. Esse curso, que inclui bolsa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), materiais de estudo e certificado, é fundamental para fortalecer a preparação das alunas para o vestibular e garantir melhores condições de ingresso na universidade. É oferecer às alunas as ferramentas e o apoio necessários para construírem um futuro promissor na ciência”, enfatiza.  

Giovanna Machado destaca que a presença de alunas, professoras e tutoras sendo reconhecidas nacionalmente por um órgão como a Capes, mostra que as mulheres podem ocupar espaços de liderança e protagonismo na ciência, colaborando para desconstrução da ideia de que a carreira científica deve ser predominantemente masculina. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

Brasil e China avançam nos preparativos para o CBERS-6

O desenvolvimento do CBERS-6, próximo satélite da cooperação espacial entre Brasil e China, avançou mais uma etapa. Em reuniões no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), especialistas brasileiros e chineses alinharam procedimentos técnicos que vão orientar a operação da missão, considerada um marco para o Programa CBERS por incorporar, pela primeira vez, uma carga útil com tecnologia de radar de abertura sintética (SAR). 

A missão permitirá a obtenção de imagens independentemente das condições meteorológicas e da cobertura de nuvens, ampliando a capacidade de monitoramento ambiental, territorial e de desastres naturais. 

As equipes do Inpe e do China Centre for Resources Satellite Data and Applications (Cresda) definiram os principais encaminhamentos relacionados ao desenvolvimento do CBERS-6. Entre eles estão a elaboração conjunta dos planos de calibração e validação do satélite, a preparação dos testes de comissionamento e a definição dos níveis de processamento e dos formatos dos dados que serão disponibilizados aos usuários da missão. 

As instituições também avançaram na construção da estratégia operacional da carga útil SAR, incluindo procedimentos para aquisição, processamento e distribuição das imagens produzidas pelo satélite. 

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A Cresda é uma agência chinesa responsável pelo gerenciamento, processamento e distribuição de dados de satélites de observação da Terra. A instituição, vinculada à Corporação de Ciência e Tecnologia Aeroespacial da China, atua na operação de dezenas de satélites e mantém parceria histórica com o Brasil no Programa CBERS, desenvolvido em conjunto pelo Inpe e pela China desde a década de 1980. 

Cooperação ampliada 

Os resultados das discussões foram consolidados em uma minuta assinada pelo diretor do Inpe, Antonio Miguel Vieira Monteiro, e pelo diretor-geral da Cresda, Chan Ming. O documento formaliza os principais compromissos assumidos pelas duas instituições para o desenvolvimento e futura operação do CBERS-6. 

Além da missão sino-brasileira, o acordo prevê o aprofundamento da cooperação em monitoramento ambiental. A Cresda manifestou interesse em disponibilizar ao Inpe dados dos satélites chineses Gaofen-1 e Gaofen-6 para apoiar sistemas brasileiros de monitoramento ambiental, como o Prodes e o Deter. 

Parceria de longa data 

A visita, que ocorreu em 19 e 20 de maio, também incluiu apresentações sobre plataformas e sistemas desenvolvidos pela instituição nacional para armazenamento, processamento e análise de dados geoespaciais, entre eles o Brazil Data Cube (BDC), a Base de Informações Georreferenciadas (BIG) e os sistemas de monitoramento ambiental utilizados pelo Programa BiomasBR. 

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As equipes também discutiram a campanha de calibração cruzada dos satélites CBERS-4, CBERS-4A e Amazonia-1, prevista para ocorrer no segundo semestre de 2026 no campo de calibração radiométrica de Dunhuang, na China. 

O que é o CBERS-6? 

O CBERS-6 será o primeiro satélite do programa sino-brasileiro equipado com radar de abertura sintética, tecnologia capaz de gerar imagens da superfície terrestre mesmo sob cobertura de nuvens ou durante a noite. A missão deve ampliar a capacidade de monitoramento ambiental e territorial dos dois países. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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