SAÚDE
Avanços e tradição fortalecem a construção da saúde indígena no Brasil
Há mais de uma década, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece políticas e cuidados voltados exclusivamente aos povos indígenas, que representam cerca de 1,6 milhão de pessoas no país. Seja em áreas urbanas, em locais de difícil acesso ou onde há barreiras linguísticas: a saúde pública chega para todos.
Dos 35 anos de existência do SUS, 14 deles contam com as ações da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde. Quem acompanhou de perto a consolidação da saúde indígena foi o servidor Antônio Fernando (64), que atuou como coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena Pernambuco. “Participei do grupo de transição da Funasa para a Sesai, e foi, sem dúvidas, um marco, porque foi idealizada, organizada e feita para os indígenas”, relembra.

Foto: arquivo pessoal
O Ministério da Saúde oferece serviços de saúde e bem-estar para os povos indígenas, com foco na Atenção Primária e em ações adaptadas às culturas e territórios. Atualmente, são 305 povos, 274 línguas e 34 DSEIs espalhados por todo o país. Para dar suporte a essa população, o Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SasiSUS) conta com 70 Casas de Apoio à Saúde Indígena (Casai), 1.008 Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e 266 Polos Base, além de uma força de trabalho com mais de 22 mil profissionais.
Em agosto deste ano, foi inaugurado o primeiro Serviço de Atendimento Móvel de Urgência Indígena (SAMUi), que funciona 24 horas para atender moradores da reserva indígena Aldeia Jaguapiru, em Dourados (MS). O projeto-piloto conta com profissionais de saúde bilíngues, fluentes em português e guarani. Em um mês, o SAMUi já atendeu mais de 150 pessoas.
Além disso, o programa Agora Tem Especialistas, lançado para reduzir o tempo de espera para consultas, exames e cirurgias no SUS, também contempla os territórios indígenas. Em sua primeira ação, realizada na Aldeia Belém dos Solimões, em Tabatinga (AM), foram registrados 14 mil atendimentos, número 12 vezes maior que os 1,2 mil previstos.
Fortalecimento das medicinas tradicionais
Da etnia Balatiponé Umutina, em Mato Grosso, a enfermeira Mack Ssey Bayby de Souza Cupudunepa (41) destaca o reconhecimento e o respeito às medicinas indígenas, pajelança e outros rituais de cura tradicionais nas unidades hospitalares. “Desde que haja respeito mútuo, a junção de saberes pode contribuir para salvar vidas. É um longo processo, mas os conhecimentos tradicionais e ocidentais podem e devem caminhar juntos para alcançar um só objetivo: a saúde e o bem-estar das comunidades indígenas”, reforça.
Um exemplo dessa integração é o Programa Articulando Saberes em Saúde Indígena (PASSI), iniciativa que busca fortalecer e integrar as medicinas tradicionais indígenas à Política Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (PNASPI). Hoje, todos os distritos participam ativamente do programa, implementando ações que valorizam os especialistas, estruturas e os saberes locais de cuidado.
Mack também conta que as equipes de saúde indígena estão presentes nas comunidades durante todo o mês. “O SUS chegou até a nossa comunidade com vacina, acompanhamento e cuidado. Hoje, as Equipes Multidisciplinares de Saúde Indígena estão presentes nas comunidades durante todo o mês. Contamos com apoio logístico, e o acompanhamento de pacientes para consultas fora da aldeia são avanços significativos da saúde indígena no Brasil”, concluiu.
Em janeiro de 2023, o Ministério da Saúde decretou Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) na terra Yanomami. Dois anos depois, os esforços da pasta apresentam avanços significativos. Foram mais de R$ 256 milhões investidos, com reabertura de 100% dos 37 polos-base, obras em andamento na Casai Yanomami e a construção do primeiro Centro de Referência em Saúde Indígena em Surucucu.
O aumento no número de profissionais e busca ativa resultaram em melhorias na nutrição infantil e nos indicadores de saúde com a queda de 44,9% nos óbitos gerais, redução de 45,5% nos óbitos por infecções respiratórias agudas, 73,7% nos óbitos por desnutrição e 66,7% nos óbitos por malária.
Para o secretário de Saúde Indígena, Weibe Tapeba, o SUS é um patrimônio do povo brasileiro. Nesses 35 anos, a saúde indígena passou a ter um espaço diferenciado, sobretudo com a criação da Sesai, que foi um divisor de águas. “Avançamos em infraestrutura, monitoramento, equipes multidisciplinares, formação de profissionais indígenas e, principalmente, na participação social. Hoje falamos em uma saúde indígena feita por indígenas e para indígenas”, reforça.
Seja pela memória de quem acompanhou a criação dos DSEIs, seja pelo relato de quem vivencia a realidade na ponta, a mensagem é a mesma: a saúde indígena é intrínseca ao SUS e seguirá sendo construída junto aos povos originários, consolidando um sistema de saúde cada vez mais inclusivo, justo e respeitoso à diversidade.
Leidiane Souza
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
SAÚDE
Ministério da Saúde lança guia para ampliar acesso de startups ao Sistema Único de Saúde
Startups, pesquisadores e empresas de tecnologia em saúde passam a contar com um novo instrumento de orientação para levar soluções inovadoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). Criado pelo Ministério da Saúde, o guia Acesso e Inovação de Dispositivos Médicos ao SUS reúne informações sobre regulação, incorporação tecnológica, financiamento e desenvolvimento de dispositivos médicos voltados à rede pública de saúde.
A publicação foi lançada durante a Feira Hospitalar 2026, um dos maiores eventos de saúde da América Latina, que reúne anualmente novidades, tendências e soluções inovadoras do setor. Durante o evento, o Ministério da Saúde participou de debates sobre a importância da produção nacional e da integração entre governo, indústria, centros de pesquisa e empresas de base tecnológica.
O diretor do Departamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde, vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde do ministério, Igor Bueno, destacou que o guia foi elaborado para reduzir as barreiras enfrentadas por startups e pequenas empresas no acesso ao mercado público de saúde.
“Essas empresas desempenham papel estratégico no ecossistema de inovação em saúde, ao impulsionarem o desenvolvimento de soluções tecnológicas, ampliarem a competitividade nacional e contribuírem para a sustentabilidade do SUS. A publicação inédita consolida, em um único documento, uma visão integrada de todas as etapas do processo, do fomento à pesquisa, do desenvolvimento até a incorporação no SUS”, explicou o diretor.
Dispositivos médicos
Os dispositivos médicos fazem parte da rotina dos serviços de saúde e incluem desde produtos simples, como curativos e ataduras, até tecnologias de alta complexidade, como marca-passos, próteses ortopédicas, cirurgias robóticas e equipamentos com inteligência artificial.
Segundo dados citados no guia, existem atualmente mais de 2 milhões de tipos diferentes desses dispositivos no mundo, utilizados para prevenção, diagnóstico, tratamento e monitoramento de doenças.
O avanço tecnológico tem ampliado as possibilidades de atendimento e contribuído para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Além dos equipamentos utilizados em hospitais, o setor também cresce no desenvolvimento de dispositivos voltados para uso doméstico e pessoal (home care).
De acordo com a publicação, o mercado brasileiro de dispositivos médicos cresce acima da média mundial. Apesar disso, o Brasil ainda depende da importação de equipamentos e insumos de alta complexidade. Hoje, grande parte da produção nacional está concentrada em produtos de média e baixa complexidade tecnológica.
Entre os principais desafios do setor estão os custos para inovação, a dependência tecnológica externa e a necessidade de maior integração entre pesquisa científica, política industrial e demanda do sistema público de saúde.
Dados apresentados no X Fórum da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde apontam que o mercado global de dispositivos médicos movimenta mais de US$ 540 bilhões e segue em expansão. No Brasil, o setor também tem impacto econômico relevante. Os segmentos que lideram o mercado são os dispositivos terapêuticos (25,8%), seguidos pelos implantáveis (24,3%) e pelo diagnóstico in vitro (15,9%).
Os números citados no guia demonstram que, em 2024, a indústria de dispositivos médicos criou quase 6 mil novos empregos diretos, alcançando mais de 85 mil postos de trabalho no país. O desempenho representa um crescimento de aproximadamente 7% em relação ao ano anterior, evidenciando a relevância econômica e a expansão do complexo industrial da saúde.
Tecnologias na rede pública
O Ministério da Saúde tem atuado no fortalecimento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) que reúne setores produtivos, tecnológicos e de serviços. A iniciativa busca estimular o mercado nacional, reduzir a dependência de produtos importados, ampliar o acesso a tecnologias seguras e tornar mais eficiente o uso dos recursos públicos.
O lançamento do guia ocorre nesse cenário de expansão das iniciativas de saúde digital, fortalecimento da cadeia produtiva nacional e incentivo à inovação tecnológica no SUS. Assim, além de orientar startups e empresas, o material destaca a importância estratégica dos dispositivos médicos para melhorar o atendimento à população e explica, de forma acessível, como funcionam os processos e etapas para incorporação dessas tecnologias ao sistema público.
O documento também reforça que, para que a tecnologia seja financiada e utilizada em larga escala pelo SUS, é necessário cumprir critérios técnicos, científicos, regulatórios e econômicos.
Confira o guia Acesso e Inovação de Dispositivos Médicos ao SUS
Janine Russczyk
Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
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