POLÍTICA NACIONAL
Avança projeto de política de combate ao suicídio de crianças e adolescentes
O projeto de lei que cria a Política Nacional de Combate ao Suicídio de Crianças e Adolescentes (PL 1.773/2022) foi aprovado nesta quarta-feira (3) pela Comissão de Direitos Humanos (CDH). Agora o projeto segue para análise em outro colegiado do Senado: a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
O texto prevê, entre outras medidas, que crianças e adolescentes terão acesso a apoio psicológico, por meio de canais de comunicação, e uma “Semana do Diálogo” sobre saúde mental, a ser promovida nas escolas.
A proposta original é de autoria do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Na CDH, ela foi aprovada na forma de um substitutivo (versão alternativa) apresentado pelo relator da matéria, senador Eduardo Girão (Novo-CE).
Girão afirmou que, atualmente, os adolescentes enfrentam mais transtornos mentais relacionados à mutilação e ao suicídio do que antes, nas gerações anteriores. Ele ressaltou que, de acordo com um boletim epidemiológico do Ministério da Saúde de 2022, houve um aumento de 50% na taxa de suicídio entre jovens de 15 a 19 anos no período de 2016 a 2021.
— O mundo tecnológico atual mostra-se particularmente preocupante para a saúde mental de nossos jovens. Um tipo de perigo é a constante comparação com exemplos de jovens aparentemente bem-sucedidos e a ansiedade daí resultante. Esses fatores, associados à insegurança e ao desconhecimento habituais na juventude, criam uma situação calamitosa — disse Girão.
Presidente da CDH, a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) compartilhou sua própria história, ao contar como superou a própria tentativa de suicídio quando era criança.
— Acaso criança pensa em suicídio? Pensa. A presidente desta comissão tentou suicídio aos dez anos de idade; todo mundo conhece a minha história. Eu estava em um profundo processo de dor e sofrimento por constantes estupros, e eu tentei. Eu não fui a única menina de dez anos [a tentar o suicídio].
Escolas
O projeto prevê a “Semana do Diálogo” no ensino básico — das creches ao ensino médio, públicos ou particulares. Nesse evento, a saúde mental deve ser o tema dos debates com os alunos.
De acordo com o texto, as ações da política utilizarão uma linguagem compreensível para crianças e adolescentes.
A proposta também prevê que profissionais da educação — assim como profissionais de saúde e policiais, entre outros — serão capacitados continuamente pela União, pelos estados e pelos municípios para aprenderem a identificar tendências ao suicídio.
Financiamento
O projeto determina que uma fração da arrecadação federal com as loterias será utilizada para financiar a nova política: os recursos viriam de uma parcela da arrecadação que atualmente é destinado ao Fundo Nacional da Saúde.
A proposta também prevê que os governos federal, estaduais e municipais ajudarão a custear as ações previstas na política, além de fornecer recursos técnicos.
O texto determina ainda o reforço da estrutura dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) gerais e daqueles voltados a crianças e adolescentes. A nova política exigirá a presença de médicos psiquiatras e psicólogos, exceto em casos justificados.
Coordenação
De acordo com a proposta, haverá uma coordenação nacional para gerir a nova política. Essa coordenação será responsável por realizar encontros nacionais com agentes públicos e com a sociedade para discutir e melhorar as ações da política.
O grupo também terá de definir as metas e os indicadores sobre os resultados. Tais dados deverão ser divulgados anualmente em um relatório, que também deverá conter:
- número de atendimentos psicossociais realizados em crianças e adolescentes;
- taxa de mortalidade por suicídio em crianças e adolescentes;
- número de profissionais especializados disponíveis;
- tempo médio de espera para atendimento psicoterapêutico ou psiquiátrico na rede pública;
- cobertura territorial dos CAPS infantojuvenil.
Mudanças feitas pelo relator
A previsão de relatórios anuais e de financiamento por meio da loteria foram medidas acrescentadas ao projeto pelo relator da matéria, Eduardo Girão.
Além disso, o substitutivo apresentado por Girão prevê expressamente o fortalecimento dos conselhos tutelares e a necessidade de a União prestar ajuda financeira para a contratação de psiquiatras e psicólogos em regiões com baixo número desses profissionais.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Hugo Motta destaca mudança histórica para os trabalhadores
O presidente da Câmara, Hugo Motta, ressaltou que a aprovação da PEC que acaba com a escala 6X1 (um dia de descanso e 44 horas semanais) e fixa jornada semanal de 40 horas é a maior mudança para os trabalhadores desde a Constituição de 1988.
“Mais do que falar sobre horas trabalhadas, o debate que tivemos é sobre o tempo de vida. É sobre o direito de viver, não apenas sobreviver. É sobre a liberdade de escolha sobre o tempo livre, porque tempo livre também é dignidade humana e dignidade é fundamento da Constituição”, afirmou.
Motta ressaltou três “pilares inegociáveis” tanto para Câmara como para o governo federal: redução da jornada para 40 horas semanais, dois dias de descanso e manutenção dos salários dos trabalhadores. “Esta aprovação ficará registrada na história desta Legislatura e na trajetória de cada parlamentar que compreendeu que desenvolvimento econômico e dignidade humana precisam caminhar juntos”, disse.
Saúde
Os gastos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de quase R$ 1 bilhão com afastamentos e licenças foram apontados por Motta como justificativa para defender a proposta. “Reduzir a jornada não é apenas reorganizar horários, é uma medida estrutural de promoção da saúde. É uma política pública”, afirmou o presidente da Câmara, que citou as mais de 3.200 pessoas ouvidas no programa Câmara pelo Brasil para compreender os impactos em cada setor e construir o texto mais equilibrado possível.
Carga alta
Motta afirmou que o Brasil está entre os países com maior carga horária de trabalho do mundo e convive, há décadas, com estagnação da produtividade. “Isso mostra que produtividade não pode ser medida apenas pela quantidade de horas trabalhadas. Trabalhadores mais descansados produzem mais. Proteger o tempo humano é proteger a economia, a saúde, a família e a dignidade das pessoas.”

País maduro
Para o autor da proposta, deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), a proposta é a maior legislação desde a Consolidação das Leis do Trabalho. “Estamos dizendo para a sociedade brasileira que o país está maduro, a economia está madura e chegou a hora para olharmos para trabalhadores e trabalhadoras. Estamos dobrando o tempo do descanso remunerado”, disse.
Segundo Lopes, ele trabalhou por mais de dez anos em uma padaria todos os dias da semana. “Trabalhando 64 horas, 10 horas por dia, 4 horas no domingo. Sei como isso prejudica o sonho da juventude, o sonho de uma mãe que quer conviver com o filho.”

A deputada Erika Hilton (Psol-SP), autora de proposta analisada junto, afirmou que a escala 6×1 é desumana, rouba esperança e dignidade. “As pessoas precisam trabalhar para viver e não viver para trabalhar”, declarou. Ela afirmou que precisou criar as irmãs para a mãe poder trabalhar nessa escala nos finais de ano, “voltando 2, 3 horas da manhã”, porque trabalhava em lojas.
O presidente da comissão especial que analisou a proposta, deputado Alencar Santana (PT-SP), afirmou que sem a força humana, sem a consciência humana a economia não funcionaria. “É o trabalhador brasileiro que faz essa economia pujante do nosso país. Hoje é um dia histórico, um grande passo”, declarou.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Câmara dos Deputados
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