AGRONEGÓCIO

Congresso de Fertilizantes debate riscos da dependência externa

São Paulo recebe nesta terça-feira (02.09) a 12ª edição do Congresso Brasileiro de Fertilizantes (CBFer), um dos principais fóruns de discussão sobre insumos agrícolas no país. O encontro reunirá produtores, técnicos e representantes da indústria para analisar os desafios da cadeia de suprimento e buscar alternativas que garantam mais segurança ao campo.

O evento acontece em formato híbrido, com programação presencial no WTC Sheraton e transmissão online, e terá tradução simultânea para o inglês e interpretação em Libras. Serão debatidos temas como volatilidade dos preços, gargalos logísticos e os impactos do cenário geopolítico sobre o mercado internacional.

As discussões ganham força em um momento de forte avanço das compras externas. Até julho, o Brasil já havia importado 24,2 milhões de toneladas de fertilizantes químicos, volume 8,8% maior que no mesmo período do ano passado e o maior da série histórica para os sete primeiros meses do ano. Apenas em agosto, até a quarta semana, entraram no país 3,9 milhões de toneladas, com média diária 10,8% superior à de 2024.

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O Paraná lidera as compras, respondendo por 20,2% das importações. Em seguida aparecem Rio Grande do Sul (16,2%), Mato Grosso (12,3%), São Paulo (9,2%) e Santa Catarina (6,9%).

A alta dependência externa é considerada estratégica e preocupante. Atualmente, 86% da demanda brasileira é atendida por fornecedores internacionais. A Rússia ocupa a primeira posição, com 28,2% do total adquirido entre janeiro e julho, seguida por China (21,2%) e Canadá (12,8%).

O quadro expõe vulnerabilidades: tensões geopolíticas, como a guerra no Leste Europeu e as restrições impostas por países como China, Irã e Egito, podem comprometer a oferta global. Além disso, analistas avaliam que sanções secundárias aplicadas a parceiros comerciais representam risco adicional para o Brasil.

Para os organizadores, o congresso é uma oportunidade de discutir saídas para reduzir a dependência externa, ampliar a produção nacional e fortalecer políticas públicas voltadas ao setor. A expectativa é que os debates também ajudem a construir propostas concretas de longo prazo, num momento em que o país reforça seu papel como potência agrícola mundial, mas segue vulnerável no fornecimento de insumos essenciais para a produção.

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Fonte: Pensar Agro

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AGRONEGÓCIO

Embrapa investe quase R$ 60 milhões em nova unidade para o Matopiba

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) vai investir R$ 58,9 milhões na reestruturação da sua unidade no Maranhão, em um movimento que reforça a presença da instituição no Matopiba — região que se consolidou como a principal fronteira de expansão agrícola do país.

O aporte inclui R$ 43,9 milhões do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), além de R$ 10 milhões do Governo do Maranhão e R$ 5 milhões da bancada federal do estado.

A nova sede será instalada no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís, e integra o processo de reorganização da Embrapa no estado, que também prevê a contratação de 50 novos empregados aprovados em concurso público.

O projeto está inserido em uma estratégia mais ampla de fortalecimento da pesquisa aplicada ao Cerrado e à Amazônia Legal, com foco especial no Matopiba — que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

A região representa hoje cerca de 33% do território maranhense e se consolidou como uma das áreas mais dinâmicas da expansão agrícola brasileira, com forte avanço de soja, milho e algodão nas últimas duas décadas.

Embora o Brasil já seja o maior produtor mundial de soja, com produção próxima de 180 milhões de toneladas por safra, o crescimento recente da oferta tem sido puxado justamente por novas áreas do Cerrado, com destaque para o Matopiba.

No Maranhão, esse processo convive com forte dualidade: de um lado, o avanço da agricultura moderna e mecanizada; de outro, indicadores sociais ainda baixos, com o estado entre os menores Índices de Desenvolvimento Humano do país e elevada concentração de pobreza rural.

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A nova estrutura da Embrapa será equipada com laboratórios de alta complexidade, incluindo centrais analíticas, unidades de bioinsumos, agroindústria piloto e um laboratório voltado à redução de emissões de metano na pecuária — o primeiro do tipo na Amazônia e no Nordeste.

O Matopiba — formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia — é hoje uma das áreas de maior expansão agrícola do Brasil e já reúne uma produção estimada em cerca de 32 a 35 milhões de toneladas de grãos por safra, segundo levantamentos setoriais recentes, com forte concentração em soja, milho e algodão.

Na soja, principal cultura da região, a participação do Matopiba já gira em torno de 10% a 14% da produção brasileira, dependendo da safra e da metodologia de cálculo, com crescimento acelerado sobre áreas de Cerrado antes consideradas de baixa aptidão agrícola.

O Brasil, maior produtor global de soja, colheu cerca de 180 milhões de toneladas na safra mais recente, segundo dados consolidados da Conab. Nesse contexto, o avanço do Matopiba tem sido um dos principais vetores de aumento de oferta, especialmente nas últimas duas décadas.

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Além da soja, a região tem ganhado relevância na produção de milho segunda safra e algodão, com destaque para áreas do oeste da Bahia e sul do Maranhão, onde a agricultura altamente mecanizada se consolidou com uso intensivo de tecnologia, correção de solo e integração de sistemas produtivos.

Apesar do avanço, o Matopiba ainda concentra gargalos estruturais importantes. Logística de escoamento, dependência de corredores como Norte-Sul e Arco Norte, e limitações de armazenagem seguem como pontos críticos que impactam o custo final da produção e a competitividade em relação a regiões tradicionais como Centro-Oeste e Sul.

É nesse cenário que a ampliação da presença da Embrapa ganha peso estratégico. A instituição é responsável por desenvolver tecnologias adaptadas ao Cerrado, como cultivares mais tolerantes a solos ácidos, sistemas de plantio direto e manejo de baixa emissão de carbono, fundamentais para sustentar a expansão agrícola na região.

A nova estrutura no Maranhão deve reforçar esse eixo de pesquisa aplicada, aproximando o desenvolvimento tecnológico das áreas de expansão produtiva, onde o crescimento da agricultura ocorre em ritmo mais acelerado do país.

Na prática, o Matopiba já se consolidou como uma das últimas grandes fronteiras agrícolas ainda em expansão no território nacional, com papel direto na ampliação da oferta de grãos e na sustentação do crescimento das exportações do agronegócio brasileiro.


Fonte: Pensar Agro

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