AGRONEGÓCIO
Mapa promove capacitação para gestores públicos que atuam em agricultura sustentável e segurança alimentar
A ‘Capacitação em Finanças Climáticas e Soluções Baseadas na Natureza’ reuniu 40 representantes de Ministérios e Agências Governamentais na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), na última terça-feira (19). O encontro visou capacitar os participantes a compreenderem os conceitos fundamentais de finanças climáticas e Soluções Baseadas na Natureza (NBS).
O evento foi organizado entre a Assessoria Especial do Gabinete do ministro Carlos Fávaro e a Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).
A capacitação apresentou aos participantes oportunidades de investimento e os mecanismos financeiros disponíveis para impulsionar a transição para uma economia de baixo carbono e resiliente ao clima, com foco em segurança alimentar e agricultura sustentável.
Soluções criativas
Para o assessor especial do ministro e coordenador do Programa Caminho Verde Brasil, Carlos Augustin, a promoção das práticas sustentáveis do agro depende de financiamento barato e de assistência técnica para o produtor rural. “Os mecanismos existem, mas precisamos ser criativos para adaptá-los às necessidades do setor e, assim, escalar os projetos. Queremos juntar recursos públicos baratos e a experiências do setor privado para impulsionar a produção”, disse ele.
“A partir dessa capacitação, espera-se que o diálogo entre governo, setor privado e sociedade civil organizada resulte em soluções financeiras inovadoras, capazes de atrair capital externo e mobilizar recursos comerciais para projetos de longo prazo que impulsionem uma transição sustentável da agricultura brasileira”, destacou a gerente de Projetos e Especialista em Finanças para Agricultura e Florestas do PNUMA, Raquel da Costa.
“A capacitação superou as expectativas. O formato permitiu bastante interação, uma reflexão final. Temos que realizar outros encontros, escolher projetos para começar a tirar coisas do papel”, afirmou Martha de Sá, facilitadora que conecta soluções baseadas na natureza a capital institucional em larga escala.
Além do Mapa e PNUMA, participaram da capacitação representantes dos Ministérios da Fazenda (MF); do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); da Pesca e Aquicultura (MPA); da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex); da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF).
Restauração de terras
O Mapa está construindo soluções para o financiamento das próximas etapas do Programa Caminho Verde Brasil, que propõe restaurar 40 milhões de hectares de áreas degradadas, para que sejam utilizadas em sistemas produtivos sustentáveis.
Para a primeira fase, o programa conta com R$30 bilhões – arrecadados por meio do Eco Invest Brasil – para financiar a expansão das práticas sustentáveis, em todo o país. O Programa promove a segurança alimentar, apoia a transição energética e ajuda o país a cumprir suas metas climáticas.
O Caminho Verde Brasil oferece crédito com taxa de juros abaixo do mercado para o produtor que aderir ao programa, desde que ele cumpra compromissos ambientais, como desmatamento zero (pelo período do financiamento) e balanço de carbono.
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AGRONEGÓCIO
Mistura maior de biodiesel e etanol entra na pauta do CNPE
O avanço dos biocombustíveis volta ao centro da política energética com a possibilidade de aumento da mistura obrigatória no diesel e na gasolina. A proposta de elevar o biodiesel para 17% (B17) e o etanol para 32% (E32) deve ser analisada na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), marcada para a próximo próxima quinta-feira (07.05), e pode ampliar a demanda por matérias-primas do agro e reforçar a posição do País na transição energética.
A defesa do aumento foi formalizada por parlamentares ligados ao setor produtivo, em articulação da Coalizão dos Biocombustíveis. O grupo reúne lideranças da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e da Frente Parlamentar do Biodiesel, que veem na medida uma resposta à volatilidade dos preços internacionais de energia e uma oportunidade de expansão do mercado interno para combustíveis renováveis.
Na prática, a elevação das misturas tem efeito direto sobre cadeias como soja e milho — bases para a produção de biodiesel e etanol, ao ampliar o consumo doméstico e estimular novos investimentos industriais. Além disso, reduz a dependência de combustíveis fósseis importados, especialmente em momentos de alta do petróleo no mercado internacional.
O Ministério de Minas e Energia (MME) já sinalizou apoio à ampliação da mistura de etanol. Segundo a pasta, testes técnicos validaram a viabilidade de avanço do atual patamar para o E32, dentro de uma estratégia que também busca levar o País à autossuficiência em gasolina.
Hoje, os percentuais obrigatórios estão em 30% de etanol na gasolina (E30) e 15% de biodiesel no diesel (B15), definidos pelo próprio CNPE. Qualquer alteração depende de deliberação do colegiado, que assessora a Presidência da República na formulação de diretrizes para o setor energético.
Além do impacto econômico, o argumento central do setor está na segurança energética. Com maior participação de biocombustíveis, o Brasil reduz a exposição a choques externos, como oscilações no preço do petróleo, que recentemente voltou a subir no mercado internacional e ganha previsibilidade no abastecimento.
O tema também tem peso ambiental. A ampliação das misturas contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa e reforça compromissos assumidos pelo País em acordos internacionais, ao mesmo tempo em que consolida a vantagem competitiva brasileira na produção de energia de base renovável.
Por outro lado, a decisão envolve equilíbrio entre oferta, demanda e impactos sobre preços. O governo avalia o momento adequado para avançar, considerando o cenário de combustíveis, a capacidade produtiva do setor e os reflexos sobre inflação e abastecimento.
Se aprovado, o aumento das misturas tende a fortalecer a integração entre energia e agronegócio, ampliando o papel do campo não apenas como produtor de alimentos, mas também como fornecedor estratégico de energia no mercado interno.
Fonte: Pensar Agro
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