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Programa de estreia em Sinop discute cidades verdes e arborização

Você sabia que uma árvore pode desempenhar o papel de até 10 umidificadores de ar, devido à grande quantidade de água que ela libera na atmosfera? A importância de um meio ambiente urbano equilibrado foi debatida no programa de estreia do projeto Diálogos com a Sociedade em Sinop, na segunda-feira (21), com o tema “Cidades verdes, vidas saudáveis: como a arborização urbana transforma a saúde pública?”.O estúdio de vidro localizado na Praça de Alimentação do Shopping Sinop recebeu os entrevistados Pompílio Paulo Azevedo Silva Neto, promotor de Justiça do Ministério Público de Mato Grosso, Scheila Pedroso, secretária Municipal de Planejamento Urbano e Habitação de Sinop, e Milton Malheiros, médico mestre em Otorrinolaringologia pela Universidade de São Paulo (USP).Conduzida pelo jornalista Alessandro Gomes, a entrevista foi transmitida ao vivo pelo programa SBT Notícias Sinop, no canal 4.1, com exibição simultânea na plataforma MT Play e no canal oficial do MPMT no YouTube. Sinop é o primeiro município do interior do estado a receber o projeto do Ministério Público, lançado no ano passado com o propósito de estreitar e fortalecer o diálogo entre a instituição e a sociedade, incentivando debates sobre temas de interesse coletivo e relevância pública.Os convidados discutiram a importância da arborização, especialmente em uma cidade cujo crescimento supera a média nacional, ressaltando a necessidade de promover um desenvolvimento sustentável.O titular da 3ª Promotoria de Justiça Cível de Sinop, Pompílio Paulo Azevedo Silva Neto, iniciou destacando o papel conferido ao Ministério Público, pela Constituição de 1988, como defensor da sociedade. Ele ressaltou que, já naquela época, o meio ambiente foi reconhecido como tema de relevância constitucional. E revelou como o MPMT atua na defesa do meio ambiente.“Em primeiro lugar, obviamente, quando temos uma agressão ao ambiente, trabalhamos como um agente repressor, para parar aquela agressão, como um desmatamento, um corte de árvore ilegal, por exemplo. Mas, principalmente, o Ministério Público tem que funcionar como um agente indutor de políticas de educação ambiental. Porque nós não vamos conseguir melhorar o ambiente, não vamos conseguir absolutamente nada em qualquer seara, se não trabalharmos a educação. Além disso, o MPMT também tem atuado como incentivador da educação ambiental, por meio do financiamento de projetos importantes para o meio ambiente”, revelou.A secretária Scheila Pedroso falou sobre o papel fundamental da Administração Pública na condução da organização e preservação da cidade. Ela contou que a Secretaria de Planejamento Urbano é uma pasta nova, criada justamente para organizar a cidade, tornando-a acessível, humana, saudável e, principalmente, sustentável.“Temos trabalhado principalmente com os loteamentos. Antigamente, esses empreendimentos até entregavam áreas verdes, mas sem nenhuma árvore. Hoje, nosso principal desafio é garantir que esses loteamentos realmente entreguem esses espaços verdes com o plantio adequado de árvores, privilegiando espécies nativas e algumas frutíferas”, apontou, acrescentando que as iniciativas buscam sempre envolver toda a sociedade.O otorrinolaringologista Milton Malheiros abordou os benefícios das árvores para a saúde da população. Segundo ele, durante os meses de seca, quando a umidade relativa do ar cai para níveis inferiores a 20%, há um aumento significativo nos casos de doenças respiratórias. “Precisamos de 60% de umidade para fazer a troca de ar a nível pulmonar. Quando está abaixo de 20%, essa parte que falta é retirada da mucosa das vias aéreas, aquela aguinha da boca, do nariz, onde estão as nossas defesas. Com o ar muito seco, usamos essa umidade para respirar, mas o ar inadequado acaba levando essas defesas embora. E aí surgem as doenças respiratórias. Nesse período, quem mais sofre são os idosos e as crianças”, declarou.Ao abordar as principais denúncias recebidas pelo MPMT em relação ao meio ambiente urbano de Sinop, o promotor de Justiça destacou as podas drásticas de árvores. “Existe alternativa à poda drástica como o corte em ‘V’, por exemplo, especialmente no caso da fiação elétrica”, afirmou.Pompílio Neto aproveitou para relatar uma demanda que chegou à Promotoria referente à retirada de uma árvore na Avenida das Acácias, em razão de uma obra a ser executada pelo município. Após articulação entre o MPMT e o poder público, foi firmado um acordo para evitar a supressão. “É uma árvore, mas ela tem um valor simbólico. Trata-se de uma árvore que já está em plena produção de umidade, é linda, tem uma função paisagística e ornamental, mas também desempenha um papel essencial para a saúde”, defendeu.O médico Milton Malheiros ainda informou que pesquisas indicam que regiões mais arborizadas apresentam menores índices de hipertensão e suas consequências, como infartos e derrames. Um dos principais fatores para isso é que, em áreas com mais árvores, as pessoas tendem a praticar mais atividade física.Os entrevistados também comentaram a evolução de Sinop ao longo dos últimos anos, sendo hoje reconhecida como uma das cidades mais arborizadas do país. O promotor de Justiça relembrou que, ao chegar à cidade em 2009, ela era conhecida como “cidade pelada”, por não possuir árvores. Atualmente, ele se mostra satisfeito com o cenário ao redor. “E hoje, posso dizer que me sinto orgulhoso por ter participado desse processo, e por ver que a população abraçou essa causa. Sinop mudou”, afirmou, recordando o período em que formalizava Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) mediante a doação de milhares de mudas ao viveiro municipal e à recomposição de áreas degradadas.Milton Malheiros contou que houve reflexo dessa mudança na saúde da população. “É notório o quanto as doenças respiratórias melhoraram. Eu lembro que, na época da seca, a gente acordava e nem enxergava o fim da rua, tudo esfumaçado, o olho ardia, era terrível. O sangramento nasal aumentava quatro vezes nesse período. Então houve uma melhora significativa, e isso é só o começo. Ainda vamos melhorar muito mais”, considerou.Scheila Pedroso falou sobre as iniciativas do poder público municipal para fortalecer a arborização urbana, como a construção do Jardim Botânico e outras ações já em andamento. Ela destacou que o investimento em meio ambiente representa uma contrapartida à exploração econômica da cidade. Também informou que o município disponibiliza gratuitamente até três mudas de árvores por CPF, como forma de incentivar a participação da população nesse processo, e conclamou a sociedade a fazer a sua parte.A realização do projeto conta com o apoio de parceiros institucionais, como Aprosoja, Energisa, Águas Cuiabá, Oncomed, Ampa, Unimed Mato Grosso, Imad, Nova Rota do Oeste, Bom Futuro, Amaggi, Águas de Sinop e Aliança do Setor Produtivo.Assista à entrevista completa aqui.

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Fotos: Jaime Junior.

Fonte: Ministério Público MT – MT

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Quando Estado atua só na repressão, age nas consequências, diz juíza

“Quando o Estado entra apenas para reprimir, já estamos trabalhando com as consequências.” A afirmação da juíza auxiliar da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso, Anna Paula Gomes de Freitas, feita durante o 1º Encontro dos Direitos e Garantias Fundamentais de Crianças e Adolescentes na Perspectiva Nacional e Internacional e o 5º Encontro Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente de Mato Grosso, realizados nos dias 18 e 19 de maio, em Cuiabá, aponta para a necessidade das instituições públicas atuarem mais preventivamente para melhor proteger os direitos fundamentais desses segmentos da população, hoje expostos às mais diversas formas de violência.Coordenadora do evento, a magistrada defendeu o fortalecimento das ações preventivas e da rede de proteção diante do avanço de problemas que atingem diretamente crianças e adolescentes, como violência digital, vulnerabilidade social e recrutamento por facções criminosas.A juíza ponderou que a programação foi construída a partir das situações que mais têm impactado a vida de crianças e adolescentes na atualidade.“Nós selecionamos esses temas pensando no que vem atingindo mais a vida das crianças e adolescentes atualmente. Nós temos fases, ora são as facções criminosas, ora o Estatuto da Criança e do Adolescente Digital. Estamos vivendo um tempo em que as crianças estão sendo altamente prejudicadas pelo uso indiscriminado da internet”, afirmou.Anna Paula Gomes de Freitas alertou para os efeitos emocionais provocados pela exposição excessiva às redes sociais e pelo ambiente virtual sem acompanhamento adequado.“O uso excessivo das redes por parte das crianças e adolescentes vem deixando-os ansiosos, talvez até tendentes ao suicídio. Nós estamos preocupados com esses temas e, com base nisso, fizemos a seleção daquilo que deve ser tratado aqui e do que vem apresentando os maiores problemas atualmente na proteção e defesa dos direitos das crianças e adolescentes”, destacou.Realizado em 18 de maio, data que marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o encontro também trouxe para o centro das discussões a necessidade de fortalecer a atuação preventiva do Estado e da rede de proteção.“Essa é a principal preocupação da rede de proteção: estar fortalecida. Falta o Estado estar mais presente, dar mais respostas, não só no sentido de punição, mas principalmente no sentido de apoio”, ressaltou a juíza.De acordo com a coordenadora do evento, muitas famílias em situação de vulnerabilidade precisam de suporte para evitar que crianças e adolescentes sejam expostos a riscos e à criminalidade.“A maioria dessas famílias é vulnerável. Elas precisam de uma estrutura, de apoio do Estado, para tirar os filhos de situações em que eles se colocam à mercê do risco”, pontuou.Ao defender políticas públicas mais efetivas e integradas, Anna Paula Gomes de Freitas reforçou que o enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes deve priorizar a prevenção.“Nós precisamos adiantar um passo nesse sentido para atuar mais preventivamente. Precisamos estar mais presentes, não só na educação, mas também na preparação dessas crianças, adolescentes e famílias, para que eles não cheguem a entrar em situação de risco”, concluiu.Além do Poder Judiciário de Mato Grosso, do Ministério Público Estadual e da Faculdade Autônoma de Direito (Fadisp), participam da organização dos encontros a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis), Escola dos Servidores, Comissão Estadual Judiciária de Adoção (Ceja), Coordenadoria da Infância e Juventude (CIJ), Procuradoria de Justiça Especializada na Defesa da Criança e do Adolescente e o Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf). O evento conta ainda com apoio da Fundação Escola Superior do Ministério Público de Mato Grosso (FESMP-MT).

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Fonte: Ministério Público MT – MT

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