POLÍTICA NACIONAL
Audiência debate cortes orçamentários nas agências reguladoras
A Comissão de Infraestrutura (CI) do Senado discutiu na terça-feira (8), em audiência pública, os cortes orçamentários que afetam as agências reguladoras. Segundo os representantes das autarquias, a redução de recursos financeiros e humanos compromete a capacidade de fiscalização e regulação de setores estratégicos para o país, como energia, transportes, mineração, telecomunicações e petróleo. Os senadores também alertaram para o impacto dos cortes sobre a prestação de serviços públicos essenciais e a segurança da população.
As agências reguladoras passaram por um contingenciamento orçamentário de 25% da sua verba para o ano, em média. A proposta da audiência foi do presidente da comissão, senador Marcos Rogério (PL-RO).
— Não existe autonomia quando você tem o atrelamento do orçamento de uma agência a outro Poder. O orçamento está vinculado e, normalmente, o que se projeta não é o que se aprova, em razão das contingências. Quando da execução, tiram até um terço dos recursos discricionários das agências. Em que extensão isso compromete o regular funcionamento das agências? O que está em risco nesse momento? — questionou o senador.
O debate reuniu representantes das principais agências e também do Tribunal de Contas da União (TCU). Segundo o secretário de Controle Externo do TCU, Alexandre Leite de Figueiredo, existe um contraste entre as responsabilidades das agências e o volume de demandas que elas não estão mais conseguindo atender.
— Não é só o crescimento do mercado regulado, complexidade tecnológica, aumento no número de entidades participando do mercado regulado. São novas atribuições que vão sendo dadas e mais uma crescente complexidade para a regulação e fiscalização do setor. Esse é um debate muito importante que precisa ser realizado — constatou.
Petróleo, mineração e energia
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) foi uma das mais afetadas, segundo o seu diretor-geral interino, Bruno Conde Caselli. Ele afirmou que o valor disponível para a agência até o final do ano é “completamente incompatível” com as suas necessidades. Também lembrou que, de 2022 a 2024, a ANP apurou e distribuiu cerca de R$ 300 bilhões de reais em royalties e participações especiais.
— Ao longo da minha carreira como servidor efetivo, nunca testemunhei uma situação orçamentária como essa. As agências estão asfixiadas em relação às suas capacidades de atuação dentro dos setores [pelos quais] são responsáveis — alertou.
O diretor-geral da Agência Nacional de Mineração (ANM), Mauro Moreira Souza, disse que a autarquia — que também é responsável pela arrecadação e distribuição de royalties bilionários — tem apenas quatro servidores para atuar em cerca de 40 mil lavras de mineração, uma vez que a atividade é praticada em quase todos os municípios do país. Ele classificou a situação como “um absurdo”.
— É uma situação realmente difícil que estamos buscando equacionar, e temos os riscos inerentes da falta de orçamento. Nós temos toda uma programação para fiscalização in loco, e temos que fazê-la, no desenvolvimento da atividade na lavra e também na fase de pesquisa. Agora temos a tendência de diminuir ou até suspender determinadas vistorias. Não vamos ter recursos suficientes.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) foi outra que precisou reduzir operações de fiscalização. A diretora Agnes Maria de Aragão da Costa explicou que a autarquia também cortou o atendimento ao consumidor, por não ter mais como prestar o serviço na ouvidoria.
— Além disso, reduzimos o horário de funcionamento do prédio porque tivemos que demitir 145 funcionários, colaboradores terceirizados, pessoas que já estavam atuando na agência há mais de décadas.
Telecomunicações e transportes
O setor de fiscalização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também sofreu um impacto direto após o anúncio do corte orçamentário. A conselheira substituta Cristiana Camarate afirmou que foram diretamente afetadas atividades como os bloqueios de bets ilegais, o combate à pirataria e um projeto de combate à desinformação em conjunto com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também foi suspensa a compra de drones para fiscalizar o uso do espectro eletromagnético por emissoras de radiodifusão e telefonia.
— Quando fiscalizamos o espectro, atuamos também com a Anac [Agência Nacional de Aviação Civil], por exemplo, para evitar transmissões irregulares que possam atrapalhar pousos e decolagens. Isso foi também sobrestado. Suspendemos diversas parcerias, o que é de conhecimento de todos — lamentou.
O diretor-presidente substituto da Anac, Roberto José Siqueira Honorato confirmou que a situação das agências é “preocupante”. Ele também relatou a necessidade de recalibrar despesas.
— Com a primeira notícia de corte, fazendo todas as contas possíveis e enxugando ao máximo, chegamos à conclusão de que teria que reduzir 60% da fiscalização e certificação.
O mesmo aconteceu na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), segundo a diretora-geral substituta, Flávia Takafashi.
Autonomia
O senador Laécio Oliveira (PP-SE) defendeu o projeto de lei complementar apresentado por ele (PLP 73/2025) para excluir as despesas com as agências reguladoras da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O objetivo é garantir a autonomia e a sustentabilidade de suas operações.
— Os trabalhadores das agências reguladoras merecem respeito. Eles têm independência própria, basta que o governo deixe. Elas arrecadam e não teriam necessidade nenhuma de depender do governo para nada. Infelizmente, a política às vezes promove situações que nos deixam indignados — lamentou.
O senador Esperidião Amin (PP-SC) também defendeu a importância das agências para a economia nacional e cobrou garantias para a continuidade dos serviços prestados por elas.
— Não menos do que 80% da nossa economia formal depende, de alguma forma, das agências reguladoras. Claudicar uma agência, duas, três ou mais significa deixar de oferecer tanto a regulação quanto a atividade de aprimorar o serviço que é prestado à comunidade. É um desserviço — reclamou.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
POLÍTICA NACIONAL
Hugo Motta comemora aprovação de projeto de combate à violência contra mulheres
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), comemorou a aprovação do projeto que cria o Sistema Nacional de Enfrentamento da Violência contra Meninas e Mulheres. A proposta (PLP 41/26) foi aprovada pelos deputados em Plenário e será enviada ao Senado.
Motta ressaltou que a Câmara já aprovou diversos projetos no combate à violência contra a mulher e, em particular, ao feminicídio. “O Brasil chora com a morte de nossas mulheres, infelizmente, todos os dias”, disse ele, ao pedir 1 minuto de silêncio pelo assassinato de Karen Aparecida Ferreira Rosa, de 44 anos, que foi morta estrangulada dentro de casa em Cataguases (MG). Segundo a Polícia Militar, os agentes encontraram a filha de um ano da vítima ainda mamando junto ao corpo da mãe.
Motta afirmou que a homenagem é a maneira de demonstrar a revolta do Parlamento com essa agressão que acontece nas diferentes regiões do país. “Esta Casa só irá sossegar enquanto nenhuma mulher mais no Brasil for vítima de violência ou assassinato por seu companheiro ou por quem quer que seja”, afirmou.
O presidente da Câmara reforçou que o tema não pertence a nenhum partido, mas é agenda de Estado.
Tragédia
A relatora do projeto aprovado, deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), disse que o feminicídio citado por Motta expressa “da forma mais dolorosa, dramática e trágica” a situação das mulheres brasileiras.
“Encontrar uma mulher assassinada pelo seu ‘em tese’ companheiro e com filha de 1 ano agarrada a seu peito para ser amamentada, talvez não haja imagem mais explícita do significado dessa violência”, afirmou.
Reportagem – Tiago Miranda
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
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