POLÍTICA NACIONAL

Fórum do BRICS: presidente da Câmara se reúne com delegações da Rússia e de Cuba

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, participou, nesta quinta-feira (5), de reuniões bilaterais com as delegações da Rússia e de Cuba no 11º Fórum Parlamentar do BRICS, encerrado hoje, em Brasília.

Ao vice-presidente da Duma Estatal da Rússia, Alexander Zhukov, Motta disse que a diplomacia brasileira tem tido “posição equilibrada” em relação ao conflito com a Ucrânia e buscou informações sobre o papel dos parlamentos dos países do BRICS no assunto.

Zhukov elogiou os esforços diplomáticos desenvolvidos por Brasil e China, dois parceiros do BRICS, para a solução do conflito.

O parlamentar russo também defendeu uma maior participação brasileira nos organismos de governança internacionais. “Estamos apoiando um maior protagonismo do Brasil nos órgãos internacionais”, declarou.

Cuba
Durante a reunião com a vice-presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, Ana Maria Marí Machado, Hugo Motta disse que, embora o comércio bilateral entre os países tenha crescido 25% no ano passado, ainda equivale a menos da metade do que alcançou há dez anos.

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“Podemos ser importantes fornecedores de alimentos e outros produtos de interesse do seu país”, disse Motta. “A cooperação em biotecnologia – em que Cuba detém conhecimentos significativos – também pode ser um caminho interessante para adaptar nossa cooperação aos desafios atuais.”

Marina Ramos/Câmara dos Deputados
Reunião com a Vice-Presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular de Cuba, sra. Ana María Machado. Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (REPUBLICANOS - PB)
A parlamentar cubana Ana Maria Marí Machado e o presidente da Câmara, Hugo Motta

A vice-presidente da assembleia cubana elogiou a qualidade dos debates do Fórum Parlamentar do BRICS e disse esperar que o Brasil, como membro pleno do bloco, colabore para minimizar a “dor e o sofrimento” do povo cubano diante dos 60 anos de bloqueio econômico dos Estados Unidos.

Cuba não integra o bloco do BRICS, mas é um dos países parceiros do bloco.

Seis delegações
Ao todo, o presidente da Câmara atendeu a seis delegações ao longo do Fórum Parlamentar do BRICS, que teve início na terça-feira: Rússia, Cuba, Índia, Irã, Emirados Árabes Unidos e China.

Nos encontros, Hugo Motta exaltou o crescimento das relações comerciais com os países, destacou a força geopolítica do bloco e voltou a pedir apoio para que as próximas presidências do Fórum Parlamentar do BRICS continuem a realizar a Reunião de Mulheres Parlamentares e a Reunião de Presidentes de Comissões de Relações Exteriores, conforme foram promovidas nesta edição do evento.

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O presidente da Câmara também convidou os integrantes das delegações a participarem da reunião de parlamentares no contexto da COP30, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA).

Da Redação
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Câmara dos Deputados

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POLÍTICA NACIONAL

Cegueira: debatedores defendem foco em diagnóstico precoce e atenção a populações carentes

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado (CAS) promoveu uma audiência pública nesta quarta-feira (8) para discutir o combate à cegueira evitável no Brasil. Os participantes defenderam, entre outras medidas, foco no atendimento de crianças para corrigir problemas de forma precoce, mais equidade no acesso à saúde ocular (especialmente em áreas rurais e periféricas) e atenção à população indígena.

O debate aconteceu a pedido do senador Dr. Hiran (PP-RR), que é médico oftalmologista. Participaram da audiência representantes do governo federal, de entidades médicas, de organizações internacionais e comunidades indígenas, entre outros.

Os debatedores também defenderam outras medidas, como a atualização de protocolos de tratamento para catarata e glaucoma, a utilização de inteligência artificial e a ação de técnicos locais para ampliar o atendimento em comunidades remotas e indígenas.

O evento faz parte da preparação do país para a Cúpula da Saúde Ocular, que acontece em novembro deste ano em Antígua e Barbuda. A Comissão de Assuntos Sociais pretende articular um grupo de trabalho para a elaboração de um Plano de Ação Nacional de Saúde Ocular.

Para Hiran, as consultas e os exames de vista devem deixar de se concentrar em hospitais de média e alta complexidade.

— Nós precisamos colocar a oftalmologia nos núcleos de saúde da família. Não vejo razão para a oftalmologia estar na média e alta complexidade, quando a gente precisa dar acesso às pessoas nas Unidades Básicas de Saúde [UBS], nos rincões deste país — argumentou o senador.

Foco na infância

Camila Carloni Gasparro, representante do Ministério da Saúde, destacou a importância de políticas com foco na infância, especialmente até os sete anos, para prevenir e reverter complicações visuais.

— A primeira infância realmente precisa da nossa atenção, porque ela é uma janela de oportunidade para a gente resolver muitas coisas que podem ser resolvidas ali, naqueles primeiros anos de vida, e que evitam complicações futuras — alertou ela.

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O senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP) também frisou a importância da detecção precoce de problemas oculares. Ele contou sua experiência pessoal com isso e enfatizou que é preciso atenção com os problemas de visão causados por glaucoma e diabetes.

— Tem muita gente no país que acaba não tendo acesso aos exames e, quando se dá conta, já está em situação complicada.

Catarata e glaucoma

Já Mauro Goldbaum, do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), enfatizou a urgência de se combater doenças como catarata e glaucoma, ressaltando que, em 2024, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 12,5 milhões de consultas oftalmológicas. Ele citou a participação do CBO em campanhas de atendimento e conscientização, mas considera que é preciso ir além dessas ações.

— A gente precisa de uma solução mais oficial, e não só mutirões, e não só campanhas. E essa solução passa pelo acesso, pela participação da oftalmologia na atenção primária da população — enfatizou ele.

Desigualdade e tecnologia

Victor Pavarino, da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), que está vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), alertou para o alto custo econômico da cegueira no mundo. Ele ressaltou que a maior parte dos casos poderia ter sido evitada. E também condenou a falta de equidade no acesso à saúde ocular, que afeta negativamente áreas rurais e periféricas.

— Para reduzir a cegueira e a deficiência visual, a gente precisa aumentar o acesso aos serviços de atenção oftalmológica e fortalecer os serviços públicos nas áreas mais pobres de cada país. E o acesso a cuidados com a visão pode reduzir bastante a deficiência visual e os erros de refração ao longo do curso de vida — salientou.

Para melhorar essa situação, o professor Rubens Belfort Mattos Junior, da Academia Nacional de Medicina (ANM), sugeriu o uso de novas tecnologias e a capacitação de técnicos para triagens em massa. Ele manifestou apoio à campanha mundial da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira (IAPB, na sigla em inglês) para a conscientização sobre a importância da saúde ocular.

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—  Acho que a pauta está estabelecida: Vale a pena a gente investir na saúde ocular? É uma questão só de caridade? É uma questão de solidariedade humana ou também de aporte naquilo que vai reverter em benefício financeiro da sociedade? E a resposta é: Eu acho que sim, sem dúvida nenhuma.

Indígenas

O líder indígena Ewésh Yawalapiti Waura, por sua vez, relatou as dificuldades de acesso à saúde ocular enfrentadas em aldeias. E também defendeu a implementação de políticas públicas permanentes nessa área. Ele disse que a saúde ocular é fundamental para a dignidade e autonomia dos povos indígenas.

—  Quando se afirma que milhões de brasileiros poderão apresentar perda da visão nos próximos anos, os povos indígenas fazem parte dessa realidade. Mas muitas vezes permanecemos invisíveis nas estatísticas. Ainda conhecemos muito pouco sobre a situação da saúde ocular dentro dos territórios indígenas. Sem diagnóstico adequado, sem dados e sem monitoramento, torna-se ainda mais difícil construir políticas públicas eficientes.

Cúpula da Saúde Ocular

Outra representante da Agência Internacional de Prevenção de Cegueira (IAPB), Frank Hida, afirmou que a Cúpula da Saúde Ocular será um marco histórico.

— Líderes mundiais vão se sentar para transformar promessas da resolução da ONU [Organização das Nações Unidas] em ações concretas e financiadas. (…) A perda de visão custa à economia mundial cerca de 411 bilhões de dólares em produtividade perdida por ano.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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