POLÍTICA NACIONAL

Representante da sociedade na comissão avaliadora do SUS segue para o Plenário

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou nesta quarta-feira (12) projeto que inclui representante da sociedade civil na composição da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). A Conitec é o órgão do Ministério da Saúde que avalia a eficácia e segurança de medicamento, produto ou procedimento. O PL 1.241/2023, da Câmara dos Deputados, recebeu parecer favorável do senador Sergio Moro (União-PR) e agora segue para análise do Plenário.

Atualmente, pela Lei Orgânica da Saúde, a Conitec é composta de um representante indicado pelo Conselho Nacional de Saúde, dois representantes, especialistas na área, um indicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e outro pela Associação Médica Brasileira (AMB). A proposta acrescenta um representante da sociedade civil.

Conforme o texto, esse último assento será de ocupação rotativa a ser preenchido por representante de entidade relacionada à condição de saúde analisada. Além disso, a Conitec terá 180 dias, contados da publicação da futura lei, para adequar seu regimento interno e definir os critérios de representação. 

Na avaliação do relator, mesmo que a comissão tenha avançado na promoção da participação social, esses progressos ainda se mostram insuficientes. Durante a leitura do voto, ele argumentou que as normas vigentes estão limitadas a institucionalizar mecanismos de caráter opinativo, como consultas públicas, chamadas para perspectiva do paciente e audiências públicas, cuja implementação, segundo Moro, apresenta fragilidades significativas.

— Promover a participação vai além de convidar a população a expressar opiniões ou perspectivas; é assegurar que as diversas vozes de fato influenciem as decisões que moldam as políticas públicas e o acesso aos cuidados de saúde — defendeu. 

Resultado efetivo

Sobre a atual participação da sociedade nesse processo decisório da Conitec, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) destacou que muitas vezes, as audiências realizadas com a participação da sociedade civil formalizam ações protocolares para a comissão, mas na maioria das vezes não tem resultado efetivo. 

— Não tem, às vezes, do ponto de vista concreto, um resultado de fato de valorização dessa sociedade civil. Porque às vezes é uma opinião que ela pode ser aceita ou não, que ela pode ser admitida ou não. Então essa ação protocolar ela fica “bonita na foto”, mas do ponto de vista de participação, de representatividade, de resultado concreto, isso, infelizmente, não ocorre. 

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Moro ainda alegou que a medida aproxima o processo decisório da comissão das realidades vividas por grupos diretamente impactados pelas tecnologias analisadas, como as pessoas com doenças raras, contribuindo para recomendações mais efetivas, transparentes e equânimes.

— Incluir ou rejeitar uma nova tecnologia no SUS representa uma decisão impactante para os usuários do sistema de saúde, envolvendo não raramente questões de vida ou morte, sendo assim imprescindível assegurar a participação no processo decisório de representantes das pessoas e grupos diretamente afetados, para garantir a legitimidade da própria política pública. 

Debate

Apesar de elogiar a iniciativa e se colocar favorável, o senador Omar Aziz (PSD-AM) defendeu que o Congresso vá além e busque promover mais tecnicidade no processo de composição da Conitec. Ele criticou o processo de escolha dos componentes da comissão. Para ele, da forma como está atualmente, os representantes acabam, em muitas situações, tomando decisões com viés político, de acordo com o governo da ocasião. Omar citou como exemplo, a atuação da Conitec durante a pandemia de covid-19, ao autorizar o uso da cloroquina no combate aos efeitos da doença. 

— A forma e o mérito de como são escolhidos esses membros estão errados. Porque é conforme a posição política e ideológica do governo, seja de agora, ou de antes (…) como a composição é feita pelo ministro de plantão, ela não tem critérios técnicos. E muitas vezes aí entra um grande problema dos medicamentos do SUS: o lobby dos laboratórios. 

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) ratificou a crítica de Omar e insistiu para que o Congresso melhore a efetividade do princípio constitucional da impessoalidade na administração pública. 

— Esses conselhos não podem violar um dos princípios constitucionais da administração pública, que é a impessoalidade. E o que nós vemos não é isso. O que nós vemos é que de acordo com o governo de plantão você mapeia esses órgãos colegiados para atender uma ideia de um campo ideológico. Hoje de um lado A, amanhã de um lado B e assim sucessivamente. 

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Na opinião do senador Rogério Carvalho (PT-SE), o projeto é pertinente, mas deveria deixar sob a responsabilidade da coordenação do Conselho Nacional de Saúde a função de eleger esse representante da sociedade dentre todas as entidades que representam os usuários do SUS e que tem as suas ações organizadas. A medida, segundo ele, asseguraria que o representante da sociedade civil tenha uma visão e atuação generalizada e não apenas focada no benefício de algum grupo de paciente específico, preservando o princípio de incorporação de tecnologia à carteira nacional de ações e serviços de saúde coletiva. 

— [a indicação] É de todas as representações de entidades de patologia? Vão participar os renais crônicos? Vão estar representados aqueles que representam os mutilados? Ou só representantes de entidades de usuários ou de possíveis usuários de alto custo, ou de medicamento de nicho? Tem que ser ampliado a todos porque, senão, a gente vai criar um ambiente para questionar a incorporação só de determinadas tecnologias diagnósticas. Que é importante, é fundamental, mas é importante também pensar na abrangência do que vai ser incorporado e do quanto de pessoas serão assistidas na hora que você incorpora uma determinada tecnologia. 

Na avaliação do senador Esperidião Amin (PP-SC), a medida vem ao encontro de uma necessidade nacional brasileira de, respeitando os critérios técnicos, levar um pouco mais de humanidade nas decisões tomadas na comissão. 

— Eu acho que a presença de um profissional indicado pela sociedade vai humanizar muito essa questão. Que tem que respeitar muito os aspectos técnicos, evitar a predominância da ideologia ou partidarismo político, mas acima de tudo que leva em conta que esta é uma questão absolutamente humana. 

Conitec

A Conitec é um órgão colegiado de caráter permanente, que tem como objetivo assessorar o Ministério da Saúde nas atribuições relativas à incorporação, exclusão ou alteração pelo SUS de tecnologias em saúde, bem como na constituição ou alteração de protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas. O órgão avalia também a inclusão de vacinas ofertadas pelo SUS.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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POLÍTICA NACIONAL

Chefes dos Três Poderes participam da posse de Nunes Marques no TSE

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre, participou da posse de Nunes Marques e André Mendonça como presidente e vice-presidente, respectivamente, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A cerimônia aconteceu na noite desta terça-feira (12). 

Davi integrou a mesa da solenidade ao lado do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Nunes Marques e André Mendonça, que também são ministros do STF, vão comandar o TSE por dois anos. 

Eleições 2026

Em seu primeiro discurso como presidente do TSE, Nunes Marques declarou que o papel da Justiça Eleitoral é organizar, orientar e fiscalizar as eleições, para que sejam limpas e transparentes. Ele também disse que o primeiro desafio da gestão serão as eleições deste ano e o enfrentamento de notícias falsas (fake news) e possíveis abusos no uso da inteligência artificial (IA).

Nunes Marques acrescentou que há um aumento exponencial do uso inadequado de IA.

— Devemos estar atentos às novas tecnologias, que, quando mal usadas, podem representar ameaças ao nosso processo democrático — disse o recém empossado.

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Além deles, participaram da cerimônia a ministra do STF Cármen Lúcia (que até então era a presidente do TSE); o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin; o procurador-geral da República e procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet; e o ex-presidente da República e do Senado José Sarney. 

Natural de Teresina (PI), Nunes Marques tem 53 anos e integra o STF desde 2020, quando assumiu o cargo de ministro da Suprema Corte (na vaga aberta com a saída de Celso de Mello) após indicação do então presidente da República Jair Bolsonaro.

Antes disso, Nunes Marques exerceu a advocacia por 15 anos, atuou no Tribunal Regional Eleitoral do Piauí e foi desembargador no Tribunal Regional Federal da 1ª Região. 

André Mendonça também tem 53 anos e também foi indicado ao STF por Bolsonaro (ele assumiu o cargo em 2021). Mendonça nasceu em Santos (SP) e, ao longo da carreira, foi chefe da Advocacia-Geral da União (AGU) e ministro da Justiça e Segurança Pública.  

Mulheres no poder

Primeira mulher a presidir o TSE (entre 2012 e 2013), Cármen Lúcia despediu-se do cargo pela segunda vez reafirmando seu compromisso com a democracia e com a ocupação de espaços de poder por mulheres.

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— Somos igualmente patriotas e queremos estar ao lado e participar do que pode trazer algum benefício à sociedade. Continuarei sempre ao lado da Justiça Eleitoral — declarou ela.

Também compareceram à cerimônia os ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli; os ex-ministros do STF Luís Roberto Barroso e Ricardo Lewandowski; ministros e ex-ministros do TSE. representantes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e das Forças Armadas; deputados federais e senadores.

Com informações do TSE

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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