MATO GROSSO

Procons discutem direitos do consumidor em reunião técnica

Dirigentes e servidores do Procon Estadual e das 51 unidades de Procons Municipais de Mato Grosso participaram na quinta e sexta-feira (28 e 29.04) da primeira Reunião Técnica de Procons de 2022. A capacitação, realizada de forma online pela plataforma Google Meet, é promovida pela Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania (Setasc), por meio do Procon-MT, e teve como objetivo discutir temas relacionados à proteção e defesa do consumidor e à atuação do órgão fiscalizador em Mato Grosso.

Para o secretário adjunto de Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor, Edmundo Taques, as reuniões técnicas são fundamentais para estreitar laços e direcionar os trabalhos para resolução dos problemas que mais afetam os consumidores. 

“Esses momentos são importantes para orientar e integralizar todos os Procons e assim melhorar o atendimento prestado à população. O Governo de Mato Grosso está trabalhando para ampliar e garantir que todos os cidadãos possam acessar os serviços do Procon, por meio da digitalização do órgão e implantação de sistemas mais modernos e adequados à cultura digital. Também estamos estudando a implantação de um tratamento eficiente para prevenir e tratar o superendividamento, que é um dos problemas que mais afetam a população”, informou o secretário.  

O dirigente do Procon Municipal de Cuiabá, Genilto Nogueira, considera que as Reuniões Técnicas são uma oportunidade ímpar para os servidores e dirigentes dos órgãos de defesa do consumidor trocarem ideias e discutir os principais problemas que chegam aos Procons. “Foram momentos importantes para a troca de experiências e de aprendizado”, pontuou.

Energia elétrica

A capacitação começou na quinta-feira (28.04) com a participação do superintendente Regulador de Energia e analista Regulador da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados (AGER-MT), Thiago Alves Bernardes, que falou sobre o reajuste tarifário anual de energia elétrica e sobre a Resolução Normativa da Aneel (nº 1.000/2021).

Sobre o reajuste tarifário, o superintendente explicou os componentes que resultaram no índice de reajuste médio de 22,5% para os consumidores mato-grossenses. “Em razão da combinação do reajuste com o fim da bandeira de escassez hídrica, o efeito a ser percebido pelo consumidor será nulo enquanto perdurar a bandeira verde, fato que deve ocorrer nos próximos meses”, salientou Thiago.

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No que se refere à Resolução 1.000, o analista destacou a melhoria na redação da norma para devolução em dobro de valores cobrados a mais, deixando claro que a devolução em dobro de cobrança indevida é regra. 

Ele frisou ainda a vedação de cobrança de débito em nome de terceiros, principalmente nos casos de alteração de titularidade; o alongamento do prazo para solicitar ressarcimento de danos elétricos a equipamentos, que passou a ser de 5 anos; e as novidades acerca do atendimento ao consumidor, com a inclusão de novos canais obrigatórios.

Superendividamento 

A capacitação prosseguiu na sexta-feira (29) com palestra sobre “Tratamento do Consumidor Superendividado na prática”, com o procurador do Estado do Espírito Santo e mestre em Direitos Difusos e Coletivos pela PUC/SP, Leonardo de Medeiros Garcia. O procurador destacou os aspectos gerais da Lei do Superendividamento e as mudanças na atuação dos Procons para se adequar às regras estabelecidas na legislação. 

Para o professor, o superendividamento é uma doença social que atinge grande parcela da população brasileira e que se tornou um desafio para o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor. “Já não basta mais aos órgão de defesa simplesmente atender a pessoa, calcular o valor de suas dívidas e buscar uma negociação com o fornecedor, que muitas vezes o consumidor não conseguirá pagar. Precisamos entender as causas que levaram o indivíduo a ficar superendividado para poder tratar e prevenir o problema”, afirma Leonardo.

De acordo com o procurador, dependendo de como se enxerga o consumidor endividado, a interpretação da Lei pode ser mais ou menos benéfica. “Pesquisas mostram que 60 milhões de brasileiros estão endividados. Deste total, mais de 70% são considerados endividados passivos. Ou seja, são pessoas que contraíram dívidas de boa fé, com a intenção de pagar, mas que por algum motivo não conseguiram honrar com seus compromissos”, alerta. 

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Regulação da oferta e publicidade; regulação do dever/direito à informação; contemplação do direito de arrependimento; crédito responsável (com a verificação da capacidade de pagamento); regras específicas e sanções pelo descumprimento são algumas das ações apontadas pelo procurador para prevenir o superendividamento. 

“Quem está em situação de superendividamento precisa ser tratado. Os órgãos públicos devem fomentar ações de educação financeira que resgatem os consumidores e os insiram na sociedade. Nosso grande desafio é tentar montar uma estrutura eficiente nos órgãos que trabalham com a defesa do consumidor e que dê conta de fazer essa inclusão, que é a finalidade do tratamento do superendividamento”, finaliza o professor.

Sistema Proconsumidor 

Na sequência, o administrador do Proconsumidor no Procon-MT, Euzimar Siqueira, falou sobre a implantação do novo sistema nos Procons Estadual e nos Procons Municipais, que deve ocorrer a partir da próxima semana. O ProConsumidor substituirá o Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec).

Entre os novos recursos e benefícios da nova plataforma está a centralização do cadastro eletrônico do fornecedor, que possibilita que as empresas acompanhem demandas de todo o Brasil, por meio de uma única senha. 

Pela plataforma será possível registrar Consulta, Denúncia e Reclamação com prazo para finalização dos procedimentos dentro do próprio sistema. Além disso, as reclamações poderão ser tratadas por telefone, carta e audiência e todas terão potencial para compor o Cadastro de Reclamações Fundamentadas (CRF). 

“Do ponto de vista de infraestrutura e de tecnologia, é um sistema atualizado, moderno e dinâmico, que trará mais facilidade no manuseio e operação”, afirma Euzimar. 

Fonte: GOV MT

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MATO GROSSO

Missão empresarial liderada pela Cônsul da Indonésia inicia aproximação com mineradores de Mato Grosso

Empresas que já atuam na compra de ouro, cobre e manganês brasileiros buscam ampliar sua rede de fornecedores em Mato Grosso por meio de relações comerciais de longo prazo.

Mato Grosso recebeu nesta semana uma missão empresarial internacional voltada à ampliação das relações comerciais entre produtores brasileiros e empresas que atuam no mercado internacional de minerais. A agenda foi liderada por Isadora Coimbra, empresária e Cônsul da Indonésia, que representa empresas de Dubai interessadas em ampliar sua rede de fornecedores no Estado e fortalecer relações comerciais de longo prazo.

A programação reuniu representantes do setor mineral, empresários, autoridades e instituições públicas em um ambiente voltado à aproximação entre o mercado brasileiro e investidores internacionais. Participaram da agenda, entre outras lideranças, a advogada empresarial Athena Campos, com atuação em relações e negócios internacionais, Taís Costa, diretora de Assuntos Internacionais da Presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, e Bruna Moraes, assessora internacional do Governo do Estado.

O evento também marcou o lançamento da unidade do Instituto Brasileiro de Gemas e Metais Preciosos (IBGM) em Mato Grosso, fortalecendo a organização institucional da cadeia mineral e ampliando o diálogo entre iniciativa privada, entidades representativas e poder público.

Após as agendas institucionais, Athena Campos passou a atuar na aproximação entre a missão empresarial e mineradores mato-grossenses, iniciando as tratativas para estruturar futuras oportunidades comerciais entre produtores locais e as empresas representadas pela missão.

Segundo Athena, o interesse demonstrado pelas empresas internacionais representa uma oportunidade importante para ampliar a inserção de Mato Grosso no mercado global de minerais.

Na avaliação da advogada, o interesse internacional não está relacionado apenas ao potencial produtivo do Estado, mas também à evolução da mineração mato-grossense nos últimos anos, com operações que já trabalham dentro de padrões exigidos pelo mercado internacional.

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“As empresas já possuem uma atuação consolidada na aquisição de minerais brasileiros. O interesse agora é ampliar essa atuação em Mato Grosso, aproximando novos fornecedores e construindo uma presença cada vez mais forte no Estado. O que desperta esse interesse não é apenas o volume de produção, mas a existência de produtores que já operam com rastreabilidade, documentação, certificações e padrões compatíveis com as exigências do mercado internacional.”

Segundo Athena, o objetivo vai além da prospecção de fornecedores. A proposta é ampliar o número de produtores mato-grossenses preparados para acessar o mercado internacional, criando uma estrutura jurídica e operacional que permita novas oportunidades de exportação.

“Nossa proposta vai além de aproximar empresas estrangeiras de produtores que já exportam. Queremos também contribuir para estruturar jurídica e operacionalmente mineradores que ainda não acessam o mercado internacional, criando condições para que possam exportar diretamente, seja para Dubai ou para outros mercados.”

Ela explica que esse processo envolve uma estrutura técnica ampla, capaz de oferecer segurança, previsibilidade e conformidade para todas as partes envolvidas.

“Toda operação internacional exige uma estrutura jurídica consistente. Estamos falando de due diligence, análise documental, estruturação contratual, avaliação regulatória, compliance e de todos os mecanismos necessários para que essas operações sejam realizadas dentro dos padrões exigidos pelo mercado internacional.”

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Outro aspecto observado durante as conversas com produtores foi a importância das relações de longo prazo já existentes no setor mineral brasileiro. Segundo Athena, esse mercado é tradicionalmente construído sobre confiança, histórico de relacionamento e conhecimento da realidade operacional de cada região.

“O mercado mineral não funciona apenas pela lógica de quem paga mais. Existem relações construídas ao longo de muitos anos entre produtores e compradores, que envolvem confiança, apoio ao desenvolvimento da produção e presença constante junto ao setor. Qualquer empresa que queira construir uma atuação sólida no Brasil precisa compreender essa dinâmica e desenvolver esse relacionamento ao longo do tempo.”

Na avaliação da advogada, o movimento iniciado pela missão empresarial representa uma oportunidade de fortalecer não apenas negócios específicos, mas todo o ambiente de internacionalização da mineração mato-grossense.

“O objetivo não é apenas criar novas rotas de comercialização. É ampliar a presença da mineração mato-grossense no mercado internacional, permitindo que um número cada vez maior de produtores tenha acesso direto às oportunidades globais. Quando conseguimos estruturar esse caminho com segurança jurídica e previsibilidade, fortalecemos toda a cadeia mineral do Estado.”

As tratativas iniciadas durante a missão deverão continuar nas próximas semanas, com novas reuniões entre representantes das empresas internacionais e mineradores mato-grossenses, dando sequência à estruturação das futuras parcerias e à ampliação da presença de Mato Grosso no mercado internacional de minerais.

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