AGRONEGÓCIO

O Boletim do Leite de abril já está disponível!


Cepea, 26/04/2022 – Nesta edição, confira:

Com menor produção e custos em alta, preços no campo seguem avançando
O leite captado em fevereiro e pago aos produtores em março chegou a R$ 2,2104/litro na “Média Brasil” líquida, elevação de 1,7% em relação ao mês anterior e aumento de 2,5% frente ao mesmo período do ano passado, em termos reais (valores foram deflacionados pelo IPCA de março/22). Assim, o leite no campo acumula valorização de 1% desde janeiro. Pesquisas em andamento do Cepea apontam intensificação do movimento altista da “Média Brasil” para o próximo mês. Assim, o preço do leite captado em março e pago em abril pode subir cerca de 10%.

Repasse dos gastos no campo eleva os preços dos derivados
Segundo pesquisas do Cepea realizadas com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), os preços dos derivados lácteos seguiram em alta em março. De acordo com colaboradores do Cepea, a valorização dos lácteos está atrelada ao encarecimento do leite cru, uma vez que a sua produção vem sendo negativamente afetada pelo período de entressafra, e pelo aumento dos custos de produção, sobretudo os associados à alimentação animal.

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Volume exportado cai 43%, enquanto o importado cresce 15%
Depois de meses em alta, o volume de derivados lácteos exportado pelo Brasil em março somou aproximadamente 2,6 mil toneladas de lácteos, queda de 42,6% frente ao de fevereiro. Já na comparação com março do ano passado, a quantidade embarcada cresceu 24,3%.

Custos avançam 4% no primeiro trimestre de 2022 
O COE (Custo Operacional Efetivo) da pecuária leiteira registrou avanço de 1,64% na “Média Brasil” (BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP) em março, porcentagem mais expressiva que a observada no mês anterior (0,76%), mas inferior à do mesmo mês do ano passado (1,99%). No primeiro trimestre de 2022, o COE da produção leiteira acumulou alta de 4,07% – no mesmo período de 2021, o avanço foi de fortes 7,32%. No acumulado dos últimos 12 meses, o COE subiu 13,99%.

Fonte: CEPEA

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AGRONEGÓCIO

Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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