VÁRZEA GRANDE MT
Movimento Mulheres em Evolução chega à região Sul e fortalece o tema “Lugar de mulher é onde ela quiser”
Com o tema “Lugar de mulher é onde ela quiser”, foi realizado nesta quinta-feira (21), no auditório do Santuário de Nossa Senhora de Salette, a terceira etapa do movimento “Mulheres em Evolução”. O evento, idealizado pelo Centro de Referência em Assistência Social – CRAS, região Sul, contou com a presença da primeira-dama de Várzea Grande e promotora de Justiça, Kika Dorilêo Baracat, da titular da Delegacia da Mulher, Idoso e Criança de Várzea Grande, Mariel Antonini, da vereadora Rose Prado e da população local que atendeu ao chamado para participar dessa ação, que vem sendo realizada neste mês de março, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.
“Esta é mais uma etapa do movimento Mulheres em Evolução, e estamos aqui para reforçar e intensificar o tema: lugar de mulher é onde ela quiser, e para dizer que nós temos hoje uma cidade onde muitas mulheres estão ocupando espaços de poder, e que isso sirva de inspiração também para outras mulheres”, destacou a primeira-dama Kika Dorilêo.
Durante o seu discurso, ela reafirmou o compromisso com políticas públicas de proteção às mulheres, principalmente aquelas vítimas de violência doméstica e familiar, mas também a sua preocupação em dar a essas mulheres condições financeiras para que possam quebrar o ciclo de violência vivida por elas. “Por isso que estamos investindo em cursos de capacitação, para que as mulheres possam aprender uma função e que possam tomar conta de suas vidas, uma vez que sabemos que a dependência financeira é uma das questões que faz com que as mulheres continuem ao lado do seu agressor”, disse a primeira-dama.
Surpresa com a quantidade de meninas, participando do encontro, a primeira-dama fez uma observação bastante pertinente, e chamou a atenção das mães para que incentive as suas filhas a estudar e buscar informações, e sonhar com uma melhor condição de vida. “O estudo abre portas e oportunidades. Não deixem de incentivar as suas meninas e que elas possam sonhar com um futuro bom para elas, sejam como Promotora de Justiça, Delegada, médica e quem sabe prefeita da cidade, porque lugar de mulher é onde ela quiser”, pontuou.
Já a delegada Mariel Antonini, elogiou a Rede de Proteção existente no município e disse que essa é uma das mais bem articuladas do Estado de Mato Grosso. “Várzea Grande se tornou modelo para outros municípios. Posso garantir que aqui os órgãos funcionam plenamente, e de forma articulada. Isso mostra o comprometimento desta gestão em se preocupar com a questão do combate à violência contra a mulher. Isso se deve também porque temos como conselheira a primeira-dama Kika Dorilêo que atua há muitos anos como operadora de justiça e conhece como ninguém todas essas questões envolvendo violência”, afirmou.
A delegada disse ainda que mais que falar, é preciso que as mulheres e meninas conheçam as formas de violência doméstica e familiar, e que não se reproduz apenas na forma de agressão física, mas também a psicológica, moral, patrimonial e sexual. “Todas essas formas são violência e nós não podemos tolerar. É importante que saibamos identificar os sinais que possamos ter a coragem de falar, e acima de tudo, colocar fim a uma relação sem respeito e sem cumplicidade”.
A secretária-adjunta de Assistência Social, Daniela Barone, lembrou que durante todo esse mês de março, os Centros de Referência em Assistência Social – CRAS, se mobilizaram para realizar esse evento. “Já estivemos no bairro São Matheus, no bairro Jardim Glória, e hoje estamos reunidos com a equipe do Santa Maria. Na próxima semana será a vez do bairro Cristo Rei nos receber para esse evento de união e respeito entre as mulheres”.
TEMAS IMPORTANTES – Cada Centro de Referência em Assistência Social escolheu uma temática para discutir durante o encontro. A unidade do bairro São Mateus (região oeste), apresentou o tema: Você não está sozinha. O CRAS Jardim Glória (região norte), abordou o tema: Voe alto Mulher! Voem em busca de seus sonhos. E o CRAS Santa Maria (região norte), reforçou o tema: Lugar de mulher é onde ela quiser.
“Todas as regiões estão recebendo esse evento, com muita animação e, principalmente, com participação popular. As mulheres não só atenderam ao nosso convite como estiveram atentas a todas as informações repassadas. E esse é o objetivo desse movimento, de informar, de ajudar, e o de apoiar um número maior de mulheres para que elas, principalmente, aquelas que passam ou já passaram por violência, saibam que não estão sozinhas”, destacou Kika Dorilêo.
A primeira-dama convidou, desta vez as mulheres do bairro Cristo Rei, para que na próxima quinta-feira (28), participem do encerramento da terceira edição do Movimento Mulheres em Evolução. “Será o nosso último encontro desta edição de 2024 e vamos encerrar essa etapa com a mesma emoção e sentimento de gratidão”.
VÁRZEA GRANDE MT
Prefeita decreta calamidade financeira em Várzea Grande e no DAE após bloqueio de R$ 19 milhões e avanço da dívida bilionária de precatórios
Município, que arrecada cerca de R$ 2 bilhões por ano, acumula aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios e passou a desembolsar cerca de R$ 6 milhões por mês para quitar a dívida judicial. Além disso, sofreu o bloqueio de recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). A medida determina cortes de gastos e prioridade à manutenção dos serviços essenciais.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, decretou situação de calamidade financeira e fiscal em toda a administração municipal e também no Departamento de Água e Esgoto (DAE). Os dois decretos foram publicados em edição extra do Diário Oficial dos Municípios nesta quinta-feira (16) e estabelecem uma série de medidas de contenção de despesas para evitar o agravamento da crise fiscal.
A decisão foi motivada pelo bloqueio judicial de R$ 19 milhões nas contas do município, atingindo recursos do ICMS e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), além do elevado comprometimento das finanças com o pagamento de precatórios. Embora tenha arrecadação anual em torno de R$ 2 bilhões, Várzea Grande acumula uma dívida de aproximadamente R$ 1 bilhão em precatórios, situação que tem comprometido a gestão financeira. Atualmente, o município desembolsa cerca de R$ 6 milhões por mês para cumprir o cronograma de pagamentos judiciais, valor muito superior aos cerca de R$ 500 mil mensais pagos pela gestão anterior.
Antes da publicação dos decretos, na quarta-feira (15), a prefeita reuniu secretários municipais e vereadores para apresentar o cenário financeiro da administração e explicar as medidas adotadas.
Segundo Flávia Moretti, a gestão conseguiu recursos por meio de emendas parlamentares para áreas como Saúde, Assistência Social e Infraestrutura, mas a falta de aprovação de um projeto de remanejamento orçamentário pela Câmara Municipal impediu a utilização desses valores.
“Desde 2025 busquei emendas para custear principalmente a Saúde, a Assistência Social e a Infraestrutura. Quando precisei de um remanejamento orçamentário, o dinheiro ficou parado na Câmara Municipal por ‘brio’ do presidente daquela Casa. Por isso, tive que utilizar recursos próprios para pagar despesas que poderiam ser custeadas com as emendas”, afirmou.
A prefeita informou ainda que o bloqueio judicial ocorreu após o não pagamento de três parcelas de precatórios, de aproximadamente R$ 6,5 milhões cada, referentes a débitos acumulados nos exercícios de 2023 e 2024.
Ela também afirmou que o município enfrenta outros passivos herdados de gestões anteriores, como uma dívida de R$ 19,4 milhões em créditos tributários e outra de R$ 36 milhões, que impedem a emissão de certidões fiscais. Segundo a gestora, sem a aprovação de um projeto pela Câmara Municipal autorizando o parcelamento desses débitos, Várzea Grande continuará impossibilitada de acessar recursos provenientes de emendas parlamentares.
Durante a reunião, Flávia Moretti pediu o empenho dos secretários na redução de despesas e afirmou que a prioridade será manter os serviços essenciais.
“Agora é hora de apertar os cintos. Precisamos reduzir despesas, cortar tudo o que não for essencial e concentrar esforços para garantir os serviços básicos à população.”
Os decretos determinam a suspensão da criação de novas despesas, da realização de eventos e festividades, da aquisição de bens permanentes sem caráter urgente e da celebração de novos contratos, salvo em situações indispensáveis. Todas as secretarias terão cinco dias úteis para apresentar um plano de redução de gastos administrativos.
Saúde, Educação, Assistência Social, folha de pagamento, limpeza urbana e abastecimento de água passam a ter prioridade absoluta na destinação dos recursos públicos.
DAE em situação crítica
Em outro decreto, a prefeita também declarou estado de calamidade financeira no Departamento de Água e Esgoto (DAE/VG), apontando que a autarquia enfrenta um grave desequilíbrio econômico que ameaça a continuidade do abastecimento de água no município.
O documento cita decisão do Tribunal de Contas do Estado (TCE-MT), que apontou irregularidades nas contas da autarquia, déficit orçamentário de R$ 28,7 milhões, dívida de R$ 172,2 milhões com a concessionária de energia elétrica, créditos não inscritos em dívida ativa que somam R$ 158,8 milhões e um passivo em precatórios superior a R$ 314 milhões.
O DAE terá prazo de 60 dias para apresentar um Plano de Recuperação Econômico-Financeira contendo diagnóstico da situação, metas para aumento da arrecadação, cronograma de investimentos e medidas para restabelecer a sustentabilidade da autarquia.
Procuradoria explica alcance do decreto
O procurador-geral do Município, Maurício Magalhães, explicou que o decreto tem caráter administrativo e busca criar condições para reorganizar as contas públicas sem interromper a prestação dos serviços essenciais.
“O decreto estabelece um regime extraordinário de gestão fiscal para enfrentar uma situação financeira extremamente delicada. O objetivo é preservar os serviços essenciais, reorganizar as finanças do município e implementar medidas de recuperação fiscal, sempre dentro da legislação e dos princípios da responsabilidade fiscal.”
Segundo ele, a decretação da calamidade financeira não produz, automaticamente, os efeitos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
“O reconhecimento administrativo permite a adoção imediata de medidas de contenção e reorganização das despesas. Já os efeitos específicos previstos na Lei de Responsabilidade Fiscal dependem do reconhecimento pelos órgãos competentes, conforme estabelece o próprio decreto.”
A situação de calamidade financeira terá validade inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada caso os indicadores fiscais e financeiros não apresentem melhora no período.
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