TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Servidores ressaltam ganho de produtividade após integração de sistema e-Carta ao PJe


A integração entre os sistemas e-Carta e Processo Judicial Eletrônico (PJe) representa um avanço sem precedentes para o Poder Judiciário de Mato Grosso, em razão da maior celeridade na expedição, envio e juntada das correspondências nos processos. Essa é a avaliação feita pelo servidor Mairlon de Queiroz Rosa, gestor judiciário da Secretaria Especializada de Execução Fiscal da Comarca de Cuiabá, que desde julho de 2021 tem utilizado a nova ferramenta, inicialmente como projeto-piloto.
 
A integração do e-Carta possibilita o envio de correspondências aos Correios por meio do PJe, ficando os Correios responsável pela impressão, envelopamento e envio das comunicações para os destinatários finais. Depois, os avisos de recebimento (ARs) são digitalizados e as imagens juntadas automaticamente nos processos judiciais.
 
O gestor explica que agora não é mais necessário o manuseio de papel por parte dos servidores e estagiários. Além disso, a integração possibilita que mesmo em home office – em razão da pandemia – os processos pendentes de envio de correspondência não fiquem parados.
 
“Em especial em relação à Vara Especializada de Execução Fiscal, a integração do sistema e-Carta veio resolver um dos gargalos da unidade, que era o enorme passivo de correspondência pendente de envio. Percebemos que a quantidade de correspondências confeccionadas pela Secretaria da Vara após a implantação do sistema e-Carta mais que triplicou”, salienta.
 
O gestor explica que ao expedir a carta de citação/intimação em ato contínuo na própria expedição da correspondência, agora é possível o envio através do sistema aos Correios, e que, após cumprida a diligência, a correspondência é juntada no processo também pelos Correios, “fazendo com que o processo tramite com rapidez muito maior que anteriormente”, observa. Somente neste primeiros dias de fevereiro, a Secretaria Especializada em Execução Fiscal fez 657 correspondências.
 
Já o servidor Cássio Rodrigo Attilio Barbosa Garcia, designado para o Núcleo de Justiça Digital de Execuções Estaduais 4.0, conta que o e-Carta agilizou significativamente o trabalho nas expedições e nas juntadas dos ARs. “Isso traz maior agilidade na prestação jurisdicional, pois economiza muito o tempo do servidor que faz as expedições. Consequentemente, aumenta a produtividade da unidade. Fora que tornou o trabalho muito mais simples e dinâmico”, pontua.
 
Para tirar dúvidas de gestores e demais servidores sobre a utilização desse sistema, as equipes do Laboratório de Fluxo do Departamento de Aprimoramento da Primeira Instância (Dapi) e da Coordenadoria de Tecnologia da Informação do Tribunal de Justiça realizaram na quinta-feira (3 de fevereiro) um encontro on-line. Ao todo, foram contabilizadas 307 adesões, entre elas a de Mairlon.
 
“O expressivo número de participantes e quantidade de questionamentos demonstraram o anseio das unidades na utilização do novo sistema. Por estarmos familiarizados com o sistema, o encontro veio a calhar com nossa necessidade de alinhar algumas questões no manuseio da ferramenta. Todas as dúvidas foram sanadas e algumas sugestões encaminhas para o aperfeiçoamento do sistema”, complementa o gestor.
 
Saiba mais:
 
 
 
Lígia Saito
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

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Magistrada do TJMT reforça necessidade de mudança cultural no combate à violência contra a mulher

Juíza Tatyana Borges - Mulher vestindo blazer escuro, blusa clara e saia preta discursa em pé no palco com um microfone na mão. Ao lado dela, há um púlpito de madeira e, ao fundo, um grande telão com o título A violência doméstica no Brasil não pode ser vista como caso isolado, mas como resultado de uma cultura histórica de desigualdade. Essa foi a principal mensagem da juíza Tatyana Lopes de Araújo Borges, da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá, durante palestra no “III Encontro Anual do Núcleo de Atendimento a Magistradas e Servidoras Vítimas de Violência Doméstica e Familiar – Espaço Thays Machado”, realizado nesta sexta-feira (19), na capital.

Promovido pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em situação de Violência Doméstica e Familiar (Cemulher-MT), o evento reuniu magistrados(as) e servidores(as) que atuam nas Redes de Enfrentamento e Grupo Reflexivo de Homens, para ampliar o debate sobre a violência doméstica, divulgar canais de denúncia e fortalecer a rede de proteção às vítimas.

Durante a palestra, a magistrada destacou que o conhecimento jurídico não é suficiente para proteger mulheres da violência, inclusive dentro do próprio sistema de Justiça. “Ninguém está imune. É fundamental garantir espaços de escuta qualificada, acolhimento e proteção também dentro do Judiciário”, afirmou.

Violência como construção histórica

Ao abordar a evolução dos direitos das mulheres, a juíza ressaltou que a violência está enraizada em uma cultura que, por séculos, tratou a mulher como propriedade do homem. “Não são casos isolados. Viemos de uma cultura que autorizava a violência contra as mulheres. Apenas o aumento das penas não muda uma realidade construída ao longo de séculos”, pontuou.

Ela relembrou marcos históricos, como o direito ao voto em 1932, a capacidade civil plena em 1962 e a Constituição de 1988, que estabeleceu igualdade formal ainda não plenamente efetivada.

Ciclo silencioso de violência

A magistrada enfatizou que o feminicídio representa o estágio mais extremo de um ciclo de violência que, na maioria das vezes, começa de forma silenciosa, por meio de comportamentos controladores, humilhações e isolamento. “A violência não começa com agressões físicas. Muito antes disso surgem sinais nas palavras, nas atitudes e na convivência. O controle excessivo, o ciúme e as ameaças são alertas”, disse.

De acordo com ela, muitas mulheres permanecem em relacionamentos abusivos por acreditarem em promessas de mudança ou por desejarem preservar a família. No entanto, essa permanência pode agravar o risco. “É preciso reconhecer os sinais e interromper esse ciclo antes que algo mais grave aconteça”, alertou.

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A juíza exemplificou com relatos reais de vítimas, de audiências que presidiu, e destacou situações em que mulheres sofreram agressões severas mesmo após tentativas de reconciliação.

Lei Maria da Penha e formas de violência

A juíza destacou a Lei Maria da Penha como marco no combate à violência ao afirmar que a lei deu visibilidade a uma violência que era invisível e criou mecanismos de proteção.

Ela explicou as cinco formas de violência: física, psicológica, moral, sexual e patrimonial, ressaltando que a psicológica costuma ser a primeira e mais difícil de identificar. “A violência psicológica destrói a autoestima da vítima. Quando ela passa a acreditar que não tem valor, romper o relacionamento se torna ainda mais difícil”, explicou.

Dados preocupantes

Apesar dos avanços, os índices de feminicídio seguem elevados. A maioria dos casos ocorre no ambiente doméstico e é praticada por companheiros ou ex-companheiros. “Enquanto a mulher for vista como posse, o problema vai continuar”, destacou.

A magistrada também apontou que muitas vítimas não chegam a pedir ajuda antes da violência extrema.

Educação como caminho

Ao longo da palestra, a juíza reforçou que o enfrentamento à violência contra a mulher exige mais do que punição criminal, depende de transformação cultural profunda, baseada em educação e igualdade. “O combate ao feminicídio exige mudança de mentalidade. É preciso construir uma cultura de respeito, dignidade e igualdade entre homens e mulheres”, afirmou.

Programação integrada

O evento integrou uma agenda mais ampla promovida pelo TJMT. Entre os dias 17 e 19 de junho, servidores da Justiça Estadual e das comarcas participaram da capacitação “Reflexão e Sensibilização para Autores de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher”, realizada pela Escola dos Servidores.

A iniciativa envolveu profissionais das Redes de Enfrentamento e dos Grupos Reflexivos para Homens, ampliando o debate sobre prevenção e responsabilização.

Compromisso institucional

Ao final do encontro, ficou evidenciada a mensagem comum de que combater a violência contra a mulher exige atuação contínua das instituições, fortalecimento das redes de proteção e investimento em educação.

Mais do que leis, o desafio está em transformar a sociedade. “Só vamos avançar quando deixarmos de naturalizar comportamentos abusivos e passarmos a promover relações baseadas no respeito”, concluiu a magistrada.

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Participantes

O integrante da equipe multidisciplinar da Cemulher-MT, Cristian Pereira Oliveira, destacou que a prevenção da violência passa pela mudança de padrões culturais, com foco no trabalho junto aos homens.

Cristian também chamou atenção para um ponto sensível no debate sobre a prevenção da violência. O papel das mulheres na condução de diálogos com homens autores de violência. Para ele, embora ainda haja resistência, a participação feminina nesses espaços é fundamental. “Nos grupos reflexivos, há um acordo inicial de respeito. Cada um tem o seu tempo de fala e precisa ouvir o outro. Se o homem não consegue lidar com uma mulher conduzindo esse diálogo, já há um problema desde o início”, explicou.

Ele também pontuou que o depoimento da órfã de feminicídio apresentado durante o encontro reforçou a importância do diálogo entre os próprios homens, especialmente em relações de amizade. “Muitas vezes falta um colega, um amigo, alguém próximo para dar um toque, orientar, chamar a atenção. Se esse diálogo acontecesse mais entre os homens, muitas histórias poderiam ser diferentes”, disse.

O policial civil da Delegacia da Mulher de Cuiabá, Armando Arce, afirmou que o depoimento da órfã de feminicídio foi profundamente impactante e trouxe uma nova perspectiva para sua atuação. “Foi um testemunho de fortes emoções, uma realidade que eu nunca tinha imaginado. A gente costuma focar no agressor, mas muitas vezes esquece dos órfãos, que também são vítimas dessa violência”, destacou.

Com 11 anos de atuação na área, Armando reforçou que o acolhimento humanizado é essencial no atendimento às vítimas. “Nosso trabalho é acolher sem julgamento, mostrar que ela não está sozinha e que existe uma rede pronta para ajudar. Como ela disse, calar dói mais. É preciso falar para se libertar”, afirmou.

Ele também ressaltou a importância da capacitação promovida pelo Judiciário para fortalecer a rede de enfrentamento à violência doméstica. “Essa é uma porta aberta, uma oportunidade gigantesca. Quanto mais preparados estivermos, melhor será o acolhimento às vítimas”, concluiu.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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