TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Palestra do TJMT incentiva reeducandos a assumirem protagonismo na própria mudança
Uma reflexão sobre escolhas, atitudes e responsabilidade marcou a palestra “Poder da Ação X Autorresponsabilidade”, ministrada nesta quinta-feira (05) no Centro de Ressocialização Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande. A atividade é uma iniciativa do Poder Judiciário de Mato Grosso, por meio do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF/MT), do Programa Nova Chance e também do Conselho da Execução Penal, e integra o ciclo de palestras voltado ao fortalecimento da ressocialização de pessoas privadas de liberdade.
Conduzida pelo gestor administrativo do GMF, Lusanil Cruz, a palestra reuniu cerca de 135 reeducandos que estão próximos de conquistar a liberdade. O objetivo foi provocar reflexões sobre escolhas pessoais, responsabilidade pelas próprias decisões e a importância da ação consciente na construção de uma nova trajetória de vida.
Segundo Lusanil, a proposta foi mostrar que a mudança começa quando cada pessoa assume o controle da própria história. “A palestra foi bastante produtiva e contou com a participação de 135 reeducandos. Abordei com eles o tema ‘Poder da ação versus autorresponsabilidade’. Os reeducandos presentes foram aqueles que já estão próximos de conquistar a liberdade, faltando poucos meses para deixar a unidade”, explicou.
Durante o encontro, ele destacou que sonhos e planos só se tornam realidade quando são acompanhados de atitudes concretas e responsáveis. “Fizemos um trabalho de conscientização para que eles utilizem o poder da ação em benefício próprio, mas também em favor da sociedade e da família. Tivemos ainda um exercício prático voltado à remição de pena pela leitura, incentivando os participantes a iniciarem ou retomarem os estudos e a buscarem o trabalho como caminho para reconstruir suas vidas”, afirmou.
A palestra faz parte do Projeto de Fortalecimento da Ressocialização por meio do trabalho extramuros, do vínculo familiar e da capacitação, iniciativa que busca preparar os reeducandos para o retorno ao convívio social com mais autonomia e responsabilidade.
Reflexão sobre escolhas e mudança de mentalidade
Durante a apresentação, Lusanil Cruz apresentou conceitos que estimulam os participantes a refletirem sobre suas atitudes e perspectivas de futuro. Um dos pontos centrais foi a diferença entre duas formas de encarar a vida: a mentalidade de escassez, marcada por frustração, vitimização e autossabotagem, e a mentalidade de abundância, baseada em esperança, atitude e realização.
O objetivo foi incentivar os participantes a deixarem o chamado “piloto automático” e assumirem o protagonismo das próprias decisões, compreendendo que cada ação influencia diretamente o futuro.
Outro tema abordado foi a autorresponsabilidade, entendida como a capacidade de reconhecer que cada pessoa é responsável pelas escolhas que faz e pelos caminhos que decide seguir.
Além disso, a palestra reforçou a importância de estabelecer metas, manter foco e desenvolver disciplina diária, elementos considerados fundamentais para construir uma nova trajetória após o cumprimento da pena.
Autorresponsabilidade e oportunidade de mudança
O integrante do Conselho da Comunidade na Execução Penal (Concep), Agenor Sales da Silva, conhecido como Pastor Júnior Carrapicho, destacou que a palestra incentivou os reeducandos a refletirem sobre as próprias escolhas e assumirem responsabilidade pelas decisões que tomarão a partir de agora.
Segundo ele, muitos chegaram à situação atual como consequência de suas ações, mas também têm a possibilidade de transformar a própria realidade por meio de novas atitudes e oportunidades. “A principal mensagem foi justamente essa: quais serão as próximas ações de cada um a partir de agora. Quando surgem oportunidades, é preciso assumir responsabilidade e compromisso para mudar a própria realidade”, afirmou.
Ele também ressaltou que existem oportunidades concretas de ressocialização por meio do trabalho, da educação e de programas como a remição de pena pela leitura, além da articulação para que reeducandos possam atuar em atividades na Prefeitura de Várzea Grande.
Projeto fortalece processo de ressocialização
A atividade integra um conjunto de ações desenvolvidas dentro da unidade prisional com foco na preparação para a reinserção social, estimulando os reeducandos a investirem em educação, trabalho e reconstrução de vínculos familiares.
As palestras fazem parte de uma estratégia que busca ampliar as oportunidades de reflexão, capacitação e mudança de comportamento entre os reeducandos, contribuindo para reduzir a reincidência criminal e fortalecer o processo de ressocialização.
Autor: Roberta Penha
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Evento rememora primeira condenação do Brasil por violação dos direitos humanos
Magistrados (as) e servidores (as), especialmente integrantes dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização (GMFs) e dos Comitês Estaduais Interinstitucionais de Monitoramento da Política Antimanicomial(CEIMPAS), estão convidados a participarem do evento “20 anos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Ximenes Lopes vs. Brasil: memória, reparação e compromisso do Estado brasileiro com o cuidado”. O evento, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será realizado no dia 27 de julho, às 16h, em formato virtual, com transmissão pelo canal do CNJ no Youtube, pelo link: https://yputu.be/BDGQLyuGO5k. A atividade relembra os 20 anos da sentença da primeira condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.
Além de resgatar a memória e a relevância histórica da decisão, o evento promoverá um debate acerca dos avanços e desafios da implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário, instituída pela Resolução CNJ nº 487/2023, reunindo representantes do Sistema de Justiça, da academia, de organismos internacionais, dos movimentos sociais e da gestão pública.
Na programação consta a realização da mesa “Das Recomendações da Corte à Resolução CNJ nº 487/2023: o que mudou em 20 anos?”, destinada à reflexão sobre os impactos da sentença na construção das políticas públicas de saúde mental e nos processos de desinstitucionalização desenvolvidos no país.
Além de magistrados e servidores da Justiça Estadual, o convite, encaminhado ao supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do sistema penitenciário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, é estendido aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e demais instituições parceiras envolvidas na implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário.
Resumo do caso – O “Caso Ximenes Lopes versus Brasil” foi um processo internacional julgado em agosto de 2006 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil pela violação dos direitos humanos de Damião Ximenes Lopes. O Estado brasileiro foi acusado de violar os direitos previstos nos artigos 4 (direito à vida), 5 (à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Damião Ximenes Lopes morreu no dia 4 de outubro de 1999, na Casa de Repouso Guararapes, vítima de tortura. Em 22 de novembro de 1999, Irene Ximenes Lopes Miranda, irmã de Damião, apresentou petição denunciando os fatos e a falta de investigação e punição dos responsáveis.
Autor: Nadja Vasques
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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