TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Juíza Helícia Lourenço será coordenadora do Grupo de Estudos da Magistratura no biênio 2023/2024

A juíza Helícia Vitti Lourenço, titular da 2ª Vara Criminal de Cáceres e que atua no Núcleo de Inquéritos Policiais (Nipo) de Cuiabá, foi eleita nova coordenadora do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) https://portalgemam.tjmt.jus.br/pagina/1 para o biênio 2023/2024. A magistrada contará com o apoio da juíza Henriqueta Fernandes Alencar Ferreira Lima, titular da 4ª Vara da Comarca de Cáceres, que foi escolhida como coordenadora-adjunta.
 
“Sei que tenho uma função muito árdua e difícil, um desafio grande de substituir o juiz Lídio, uma pessoa tão competente, capacitada, humana e educada. Mas tenho certeza de que vou contar com a colaboração dele para dar continuidade a esse trabalho, assim como do desembargador Marcos Machado, que vai estar sempre nos ajudando. Que possamos juntos construir uma magistratura cada vez melhor, mais ética e mais forte. Nosso eterno aprendizado sempre vai ser o aprimoramento nos estudos e, por consequência, na judicatura e na melhor entrega da prestação jurisdicional”, afirmou Helícia.
 
As duas magistradas foram aclamadas durante a 29ª Reunião do Gemam, realizada na última sexta-feira (25 de novembro), pela Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), no Fórum de Várzea Grande. Helícia assumirá a vaga ocupada pelo juiz Lídio Modesto da Silva Filho, diretor do Fórum de Cuiabá e coordenador do grupo no biênio 2021/2022.
 
O nome das duas magistradas, assim como das juízas Edna Ederli Coutinho e Cristiane da Silva Padim, foi sugerido pelo diretor da Esmagis-MT, desembargador Marcos Machado. Entre as quatro magistradas, a juíza Helícia Lourenço foi escolhida pelo critério de antiguidade na função.
 
A nova coordenadora-adjunta, juíza Henriqueta Lima, agradeceu à indicação do desembargador. “As mulheres são postas para fora da ciência e o senhor é um dos que estimula e traz as mulheres para dentro da ciência. Me senti honrada pela indicação, e Helícia vai representar muito bem o grupo. Estou à disposição para ajudar”, pontuou.
 
Consolidado como um espaço importante para pesquisa, debate e construção de entendimentos acerca de temas ligados ao direito, o Gemam foi criado em 2014 para contribuir com o aperfeiçoamento dos serviços jurisdicionais prestados à sociedade, promovendo o debate sobre os serviços do Poder Judiciário, bem como para discutir casos concretos de repercussão pública, social ou institucional, que recomendem a uniformização jurisprudencial.
 
Já atuaram como coordenadores do grupo o desembargador Paulo da Cunha (2014) e Marcos Machado (2015/2020).
 
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Descrição da imagem: Juíza tem cabelos compridos e loiros, veste roupa preta e segura microfone. Ela olha para a esquerda. Ao seu nado direito, três homens de roupas coloridas estão sentados à mesa e estão escrevendo.
 
Lígia Saito
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT

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Especialista destaca papel da leitura na ressocialização: “Uma biblioteca precisa ter vida”

Foto horizontal que mostra um carrinho cheio de livros, em primeiro plano. Em segundo plano, desfocado, aparece a sala de aula com mulheres privadas de liberdade sentadas nas carteiras. A formação de acervos bibliográficos adequados à realidade das pessoas privadas de liberdade e o trabalho desenvolvido pelos profissionais da educação foram apontados como fatores essenciais no fortalecimento dos projetos de remição de pena pela leitura durante a III Capacitação – Práticas de Leitura no Sistema Prisional e Remição de Pena, realizada nesta terça-feira (2) pelo Poder Judiciário Estadual, em formato virtual. O evento prossegue nesta quarta-feira (3).

Promovido pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), pela Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos (Coeja/Secretaria de Estado de Educação) e pelo Núcleo de Educação no Sistema Penitenciário (NESP/SAAP/Secretaria de Estado de Justiça), o evento reuniu profissionais que atuam nas unidades prisionais de Mato Grosso para debater estratégias de ampliação do acesso à leitura e à educação no cárcere.

Durante a palestra “A Importância da Formação de Coleções de Livros na Unidade Prisional Para a Remição pela Leitura”, a bibliotecária e chefe da Biblioteca Central da Secretaria de Administração Penitenciária do Amazonas, Andrea Oliveira Melo, destacou que uma biblioteca prisional deve ser planejada a partir das necessidades do público atendido e não apenas como um espaço destinado ao armazenamento de livros.

Com experiência na área desde 2012, a especialista ressaltou que a construção de um acervo eficiente exige planejamento, seleção criteriosa e atualização constante das obras disponibilizadas.

“A formação de coleções é fruto de um processo de planejamento. Precisamos decidir o que fará parte daquele acervo e compreender que uma biblioteca não é apenas um local com estantes e livros. Para ser uma biblioteca viva, ela precisa ser utilizada e ter foco nas pessoas que atende. Isso envolve seleção, qualificação, validação e até mesmo a retirada de materiais que já não atendem às necessidades daquele público”, explicou.

A palestrante lembrou que a Lei de Execução Penal determina que todas as unidades prisionais devem possuir biblioteca para atender as pessoas privadas de liberdade e destacou que o acesso ao livro representa uma importante ferramenta de inclusão e reinserção social.

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“O livro serve para aproximar a pessoa novamente da sociedade. Quando lemos, vivenciamos histórias, ampliamos horizontes e construímos novos conhecimentos. Por isso, precisamos compreender as particularidades da população prisional, que muitas vezes teve acesso limitado à educação e aos bens culturais ao longo da vida”, afirmou.

Andrea também chamou a atenção para os desafios enfrentados no Amazonas em razão das grandes distâncias geográficas e das condições de acesso às unidades prisionais. Segundo ela, apesar das dificuldades, o objetivo permanece o mesmo: garantir que a leitura alcance todos os custodiados, independentemente de estarem matriculados em atividades escolares formais.

Ao apresentar os resultados alcançados pelo sistema prisional do Amazonas, Andrea Oliveira Melo destacou que os projetos de remição pela leitura já beneficiaram 3.974 pessoas privadas de liberdade, conforme dados atualizados até maio de 2026.

A especialista também alertou para a importância da seleção adequada dos materiais disponibilizados aos leitores, especialmente no caso de obras técnicas, que exigem acompanhamento criterioso para garantir que atendam aos objetivos educacionais e de ressocialização previstos nos projetos de leitura.

Durante a palestra, Andrea compartilhou experiências exitosas desenvolvidas nas unidades prisionais do Amazonas, entre elas iniciativas de incentivo à leitura, campanhas de arrecadação de livros e parcerias institucionais voltadas ao fortalecimento dos acervos bibliográficos.

Outro exemplo apresentado foi a parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio de um projeto de extensão que teve início no Centro de Detenção Feminino e atualmente também é desenvolvido em unidade masculina.

“Hoje contamos com cerca de 15 estudantes envolvidos. O mais interessante é que, além de trabalharmos a reescrita e a produção textual, todos os livros utilizados nas atividades são posteriormente doados para as bibliotecas prisionais, contribuindo para ampliar os acervos disponíveis”, explicou.

Ao encerrar sua participação, a bibliotecária compartilhou uma reflexão que, segundo ela, traduz o significado da leitura dentro do sistema prisional:

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“Podem aprisionar meu corpo, mas enquanto houver um livro, minha mente será livre.”

Sobre a mesa, um caderno aberto com anotações manuscritas é preenchido com atenção por uma pessoa. Ao lado, livros empilhados, incluindo obra de Clarice Lispector, indicam estudo e reflexão em ambiente de leitura orientada.Papel dos pedagogos

A programação contou ainda com a apresentação da professora Maísa Miranda, servidora da Coordenadoria de Educação de Jovens e Adultos da Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso e responsável pela educação prisional no estado, que detalhou as atribuições dos profissionais da educação envolvidos nos projetos de remição pela leitura.

Segundo ela, os pedagogos exercem papel estratégico na organização das atividades e no acompanhamento dos participantes, especialmente nas unidades em que não há coordenador pedagógico ou integrador curricular.

“Os profissionais atuam na mediação das atividades de remição pela leitura, promovem oficinas, orientam os participantes na elaboração dos relatórios de leitura e auxiliam em diversos processos educacionais dentro das unidades prisionais”, explicou.

Maísa destacou ainda que, diante da inexistência de um sistema informatizado para controle dos acervos, os pedagogos também desempenham funções relacionadas à gestão dos livros e ao acompanhamento dos estudantes privados de liberdade.

Entre as atribuições estão a organização dos empréstimos, o incentivo às práticas de leitura, o apoio aos processos de matrícula e a articulação com as escolas de referência para atualização de informações sobre transferências e alvarás de soltura.

“O sucesso do projeto depende do engajamento dos docentes e também da comissão de validação. É um trabalho construído em parceria, sempre com o objetivo de garantir oportunidades de aprendizagem e contribuir para a reinserção social das pessoas privadas de liberdade”, concluiu.

Coordenada pelo juiz auxiliar do GMF/TJMT, Pierro de Faria Mendes, a capacitação integra as ações desenvolvidas pelo Poder Judiciário e instituições parceiras para fortalecer a política de educação prisional e ampliar o acesso à remição de pena pela leitura em Mato Grosso.

Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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