TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Judiciário de MT se destaca na Expojud 2025 com sete projetos sobre inteligência artificial
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) marcou presença na 9ª edição do Expojud 2025, o maior congresso internacional de tecnologia, inovação e direito voltado ao ecossistema da Justiça no país. Realizado em Brasília, entre os dias 14 e 16 de outubro, o evento reuniu especialistas e instituições de todo o Brasil para debater o papel da tecnologia na transformação do sistema judiciário.
Para o desembargador Jones Gattas Dias, a participação do Judiciário mato-grossense no evento reforça a importância de não apenas acompanhar os avanços tecnológicos, mas também de promover uma mudança de mentalidade dentro das instituições.
“O mais importante que pude perceber nas palestras e nas temáticas apresentadas é a necessidade de mudança comportamental. O novo pensamento, hoje, é voltado para esse mundo tecnológico e para o que devemos fazer para nos adaptarmos e nos inserirmos nele”, destacou o magistrado.
Tecnologia a serviço da celeridade processual
O juiz Vinícius Paiva Galhardo, do Núcleo de Justiça Digital de Execuções Fiscais de Cuiabá, apresentou o LexIA, uma das sete ferramentas de inteligência artificial desenvolvidas pelo TJMT e expostas no estande da instituição.
“É uma honra representar o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, apresentando o nosso sistema LexIA, que auxilia magistrados e assessores na elaboração de textos jurídicos. A sociedade espera uma prestação jurisdicional célere, e a inteligência artificial vem nesse caminho. O uso adequado dessas ferramentas traz a grande vantagem de permitir uma produção de textos em uma velocidade muito mais rápida”, explicou o magistrado.
Durante o congresso, o estande do TJMT chamou a atenção dos participantes por apresentar sete soluções inovadoras baseadas em inteligência artificial, voltadas à modernização dos fluxos de trabalho e à simplificação de processos.
De acordo com Roberta Reinehr, gerente de negócios da Cast Informática, o conjunto de ferramentas demonstra o avanço tecnológico do Judiciário mato-grossense.
“São sete soluções de extrema relevância. A parte de simplificação dos processos, o LexIA e o resumo inteligente com linguagem simples agregam muito valor dentro do contexto do Judiciário”, destacou.
A avaliação é compartilhada por Miquéias Brito, presidente de uma comissão da OAB/DF, que ressaltou o impacto direto das inovações na eficiência processual.
“A facilidade de trazer celeridade processual mostra que o TJMT vem evoluindo no seu sistema informatizado”, afirmou.
Autor: Vitória Maria Sena
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT
Curso “Pena Justa no Ciclo Penal” fortalece atuação humanizada no sistema penitenciário de MT
Magistrados(as), servidores(as) e gestores(as) judiciais concluíram nos dias 29 e 30 de abril o primeiro módulo da capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal”, promovida pelo Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo (GMF), em parceria com a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e Escola dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso.
A formação integra a estratégia institucional voltada ao aperfeiçoamento da atuação judicial no sistema penal, com foco em práticas mais eficientes, humanizadas e alinhadas aos direitos fundamentais. Durante os dois dias de atividades presenciais, foram debatidos temas como medidas diversas da prisão, execução penal, políticas de cidadania, inspeções judiciais e atenção a populações com vulnerabilidade acrescida no ciclo penal.
O diretor da Esmagis-MT, desembargador Márcio Vidal destacou que a Esmagis e o Poder Judiciário cumprem papel essencial na formação continuada da magistratura e no aprimoramento institucional.
“A execução penal exige uma jurisdição mais consciente e comprometida com a realidade humana do sistema prisional. A formação é o caminho para que possamos refletir sobre nossas responsabilidades e buscar alternativas que efetivamente contribuam para a recuperação das pessoas. Não basta levar ao cárcere, é preciso discutir formas verdadeiras de recuperar e reeducar. Isso exige conhecimento, consciência e responsabilidade de todos nós”, comentou
Supervisor do GMF-MT, o desembargador Orlando de Almeida Perri ressaltou que a capacitação também busca ampliar a sensibilidade dos magistrados(as) diante da realidade prisional. “É muito importante promover cursos como este para conscientizar sobre a importância do sistema prisional. Precisamos enfrentar problemas graves e depende muito das atitudes e condutas dos magistrados para que possamos promover as melhorias necessárias”.
A formadora do curso, Laryssa Angélica Copack Muniz, juíza da Vara de Execuções Penais da Comarca de Curitiba e coordenadora Adjunta do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça do Paraná, conduziu os debates com foco na humanização da atuação judicial, no papel constitucional do sistema penal e na necessidade de construir respostas mais eficazes para a violência e a reincidência. Durante a capacitação, a magistrada abordou temas ligados à execução penal, medidas alternativas à prisão, reinserção social e o compromisso institucional de garantir direitos fundamentais também às pessoas privadas de liberdade.
“O curso propõe uma reflexão sobre como juízes e juízas podem aperfeiçoar sua atuação criminal e na execução penal, contribuindo para reverter o estado inconstitucional reconhecido nas prisões brasileiras. Não existe sociedade sem reintegração. As pessoas privadas de liberdade retornarão ao convívio social, e cabe ao Estado criar condições para que voltem melhores do que entraram. Quando falamos em trabalho, estudo e dignidade no sistema prisional, falamos em segurança pública de verdade. Ressocializar também é proteger a sociedade”, destacou.
Participação ativa
Juiz da 3ª Vara Criminal de Sinop, Walter Tomaz da Costa avaliou que o curso trouxe reflexões importantes para o enfrentamento da superlotação carcerária.
“Mato Grosso vive uma realidade de superpopulação carcerária. O Programa Pena Justa enfatiza a ressocialização e tende a melhorar esse cenário, desde que haja sensibilização de todos os poderes envolvidos. E esta capacitação chega em um momento necessário, especialmente para comarcas que convivem diretamente com a superlotação carcerária. A formação permite que os magistrados compartilhem experiências e reflitam sobre caminhos possíveis. Em Sinop, por exemplo, a superlotação é uma realidade urgente, e precisamos de medidas que envolvam não apenas o Judiciário, mas também o Executivo”, contou
Já a magistrada Edna Ederli Coutinho, integrante do Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo das Garantias de Cuiabá e juíza cooperadora de Execução Penal, destacou a importância de enxergar o sistema penitenciário sob a perspectiva humana.
“Esses cursos são fundamentais porque trazem ao magistrado a reflexão de que a pessoa presa continua sendo um ser humano. A rotina do trabalho judicial muitas vezes nos aproxima da burocracia e nos distancia da dimensão humana do sistema prisional. Cursos como este ajudam a resgatar esse olhar. Precisamos ainda lembrar que toda pessoa privada de liberdade um dia retornará ao convívio social. Se o sistema não oferecer trabalho, estudo e condições de dignidade, a reincidência continuará afetando toda a sociedade”, ressaltou Edna Coutinho.
Formação alinhada às metas institucionais
A capacitação “Pena Justa no Ciclo Penal” integra diretrizes estratégicas relacionadas ao Prêmio CNJ de Qualidade 2026/2027 e busca fortalecer a atuação de magistrados(as), assessores(as) e gestores(as) judiciais no ciclo penal, especialmente nas áreas de fiscalização das unidades prisionais, aplicação de medidas alternativas e garantia de direitos fundamentais.
O próximo módulo será ofertado no período de 11 a 15 de maio, na modalidade EAD, com foco na prevenção à tortura e na saúde mental, também sob a responsabilidade da magistrada Laryssa Muniz.
O terceiro e último módulo será promovido no dia 18 de maio de 2026 e tratará do tema “Audiência de Custódia”, tendo como formadores o juiz Marcos Faleiros da Silva e o servidor Marcos Eduardo Moreira Siqueri.
Autor: Ana Assumpção
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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