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Judiciário concilia e gera pacificação social em conflito que durava 26 anos em Mato Grosso

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O Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso realizou a maior conciliação já firmada pelo Poder Judiciário do Estado envolvendo terras em litígio. Após 26 anos de disputa judicial envolvendo aproximadamente 38 mil hectares, sessenta e três famílias da Gleba Mandacaru, localizada no município de Paranaíta, a 835 km de Cuiabá, receberam o título definitivo de suas propriedades.
 
A cerimônia de entrega das escrituras foi realizada na Câmara de Vereadores do município e contou com a presença da presidente do Judiciário, desembargadora Clarice Claudino da Silva, do presidente do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos e Cidadania (Nupemec), desembargador Mário Roberto Kono de Oliveira, do prefeito de Paranaíta, Osmar Moreira e demais autoridades locais.
 
“Este é um dos casos mais emblemáticos da Justiça Estadual com a solução de um número significativo de famílias envolvidas que só foi possível graças ao trabalho do Nupemec e seus conciliadores. Isso prova que estamos no caminho certo na construção da consensualidade, investindo no aprimoramento das técnicas para ajudar as pessoas que estão litigando a identificar as melhores soluções para seus impasses”, disse a presidente.
 
 Segundo o desembargador Mário Kono, desde a implantação da Resolução n. 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça, esta foi a maior conciliação no estado de Mato Grosso. “Com essa quantidade de famílias regularizando a sua situação traz, sem dúvidas, uma pacificação regional muito grande e, satisfaz, inclusive o princípio da dignidade humana, do direito da propriedade e da função social da propriedade. Esse acordo atingiu todos os direitos de todas as partes e todos saíram ganhando”, pontuou o desembargador.
 
O prefeito Osmar Moreira destacou o empenho do Tribunal de Justiça de Mato Grosso em auxiliar na resolução do conflito e afirmou que este evento representa um marco importante na resolução de conflitos agrários e demonstra o compromisso das autoridades e das partes envolvidas com o desenvolvimento sustentável. 
 
“É um ato histórico para Paranaíta. Não existe desenvolvimento se a situação agrária estiver pendente, esse é um momento fundamental para nós. Quando todas as partes querem e sentam à mesa para conciliar, o resultado é uma sentença com ganhos para todas as partes. Os produtores estão contemplados, os donos das terras serão pagos e o desenvolvimento da nossa região continua”, declarou o prefeito.
 
O atual representante das famílias contempladas com os títulos definitivos, Sérgio Gomes Grandi, presidente da Mandacaru Administração e Participações LTDA, comemorou a entrega dos títulos. “Nós estamos muito contentes com esses documentos. Há mais de duas décadas esperávamos este momento, hoje é um grande dia. Agora podemos fazer até financiamentos no banco porque temos a escritura em mãos”, disse Sérgio.
 
 Os agricultores Lângela Maria da Silva e João Aparecido da Silva também estão muito contentes com a regularização das suas terras. “Foi muito gratificante, a luta de cada um valeu a pena e também valeu a pena termos acreditado que isso seria possível pra gente”, comemorou Lângela.
 
A advogada Nelma Betânia Nascimento Sicuto, representante dos moradores da área, ressaltou a importância da Justiça Estadual, através do Nupemec na consolidação do acordo. “Este era o maior conflito agrário do estado de Mato Grosso. Foram quatro audiências realizadas pelo Nupemec, havia muito embate entre as partes e quem solucionou de uma maneira muito sábia todos esses atritos foram os servidores do Tribunal de Justiça. Após as interferências que foram muito salutares dos mediadores do Cejusc do 2º grau, as partes conseguiram entrar em um acordo. Assim que o acordo foi firmado, a celeridade de outros setores do Tribunal foi surpreendente para que este acordo tão complexo fosse cumprido na sua totalidade”, pontuou a advogada.
 
Sobre o processo – O local conhecido como Gleba Mandacaru foi invadido, em 1998 por 124 famílias que, posteriormente se associaram e formaram a Associação Rural Nova Mandacaru. As terras invadidas totalizavam 126 mil hectares e estavam divididas sob as seguintes propriedades: 88 mil hectares pertenciam ao Instituto Cristalino e o restante, aproximadamente 38 mil hectares eram de propriedade da empresa Jacarandá Agroindustrial LTDA. O objeto desta regularização fundiária são os 38 mil hectares da Jacarandá.
 
À época, a empresa iniciou um processo judicial que resultou em uma decisão favorável à reintegração de posse. No entanto, essa decisão não pôde ser cumprida devido a intensos conflitos entre as partes envolvidas. A situação se agravou a ponto de pontes de acesso serem destruídas.
 
 Em 2003, 51% das famílias que ocuparam a área fizeram um acordo e pagaram integralmente os valores, porém, este acordo não foi reconhecido pela Justiça pelo fato de uma das empresas societárias não terem aceitado a decisão. Agora, 26 anos após o início do conflito, todos os envolvidos participaram de uma série de audiências de conciliação e conseguiram resolver todas as pendências, resultando na entrega de documentos para imediata adjudicação dos 51% já quitados e posterior adjudicação dos 49% quando finalizarem os pagamentos.
 
A mediadora judicial Edilene Lima foi responsável por acompanhar a fase final das negociações entre as partes e destacou a importância da sociedade compreender que o espaço da mediação pode ser altamente positiva para ambos.
 
“Foi um processo muito gratificante, em quatro reuniões conseguimos promover o diálogo e as partes ficaram satisfeitas com o resultado ao chegarem ao denominador comum. Nesta mediação conseguimos perceber que há vários setores da sociedade que já entenderam a importância do mecanismo da mediação para solução de conflitos”.
 
Sobre a Gleba Mandacaru – A gleba representa cerca de 10% da extensão territorial do município de Paranaíta e, atualmente, cerca de 250 pessoas moram na localidade que fica 60km da cidade. De acordo com informações dos próprios moradores as propriedades da gleba têm se dedicado à produção de gado, soja ou milho.
 
#ParaTodosVerem – Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Foto 1: Presidente Clarice Claudino está em pé, no dispositivo de honra e fala à plateia. Ela está vestindo um terno verde escuro, camisa estampada na cor verde e brincos dourados. A presidente é uma senhora de cabelos curtos e loiros e está segurando o microfone nas mãos. Ao seu lado, no dispositivo, estão três homens sentados à esquerda e dois homens e uma mulher sentados à direita, a frente está uma mesa longa com toalhas de cor amarelo claro, com águas e taças sobre ela. Foto 02: Desembargador Mário Kono fala ao púlpito. Ele está em pé, em primeiro plano, falando ao microfone. Ele usa terno cinza claro e camisa azul clara, seus cabelos são grisalhos e curtos. Ao fundo está o dispositivo de honra sentado e prestando atenção à fala do desembargador. Foto 03: captura de tela colorida do casal João e Lângela abraçados e sorrindo. Foto 04: Plateia lota o auditório da Câmara de Vereadores. Centenas de homens e mulheres estão sentados e olhando para frente. 
 
Laura Meireles
Coordenadoria de Comunicação da Presidência do TJMT

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

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Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

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Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Celly Silva

Coordenadoria de Comunicação do TJMT

[email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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