TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Gemam discute Sistema Interamericano de Direitos Humanos e reflexões sobre atuação judicial

Na tarde desta sexta-feira (13), a 41ª reunião do Grupo de Estudos da Magistratura Mato-Grossense (Gemam) foi marcada por reflexões sobre o papel do Poder Judiciário na proteção dos direitos humanos. A promotora de Justiça Marcelle Rodrigues da Costa e Faria ministrou a palestra “O Juiz Interamericano de Direitos Humanos”, na qual abordou a atuação da magistratura brasileira à luz do Sistema Interamericano de Direitos Humanos e os desafios contemporâneos para a efetivação das garantias fundamentais.

Durante a exposição, a promotora destacou a importância do recente Pacto do Judiciário pelos Direitos Humanos, lançado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), iniciativa que reforça o compromisso das instituições judiciais brasileiras com a proteção das garantias fundamentais. Segundo ela, o pacto orienta magistrados de todo o país a exercerem o chamado controle de convencionalidade, observando e aplicando os tratados internacionais de direitos humanos ratificados pelo Brasil, bem como as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos.

“A proposta é dialogar e aprender com os colegas sobre o Sistema Interamericano de Direitos Humanos, especialmente neste momento em que o CNJ estimula a incorporação desses parâmetros na atuação cotidiana do Judiciário”, explicou.

A promotora ressaltou que os tratados internacionais e os precedentes da Corte Interamericana representam um piso mínimo de garantias para a promoção da justiça, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades, da violência e de diversas formas de discriminação, como o racismo e o preconceito de gênero.

Ao longo da exposição, Marcelle Rodrigues explicou que o Brasil reconhece a jurisdição da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A partir desse reconhecimento, as decisões do tribunal passaram a ter caráter vinculante para o Estado brasileiro, conforme estabelecido na Convenção Americana sobre Direitos Humanos.

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A promotora destacou que a participação do país no Sistema Interamericano decorre de decisão soberana, ao aderir aos tratados firmados no âmbito da Organização dos Estados Americanos. Segundo ela, a própria Constituição Federal do Brasil de 1988 garante essa abertura ao direito internacional, ao reconhecer que os direitos e garantias fundamentais não excluem outros previstos em tratados internacionais dos quais o Brasil seja parte.

Durante a palestra, Marcelle Rodrigues explicou ainda que o país adota um sistema monista híbrido, que concilia a ideia de que o Direito Internacional e o Direito Interno formam um único sistema jurídico. Nesse sistema, os tratados internacionais passam a integrar o ordenamento jurídico brasileiro, mas precisam cumprir etapas institucionais antes de produzir efeitos no país. Inicialmente, o texto do tratado é analisado e aprovado pelo Congresso Nacional. Somente após essa aprovação legislativa o documento pode ser ratificado pelo Presidente da República, autoridade que representa o Estado brasileiro nas relações internacionais.

Na sequencia, os juízes Cássio Leite de Barros Neto, Janaína Rebucci Dezanetti e Luiz Guilherme Guimarães participaram de um debate sobre o tema “Controle judicial do orçamento público e aplicação de emendas parlamentares X discricionariedade e abuso de poder”, analisando os limites da atuação do Poder Judiciário diante das decisões orçamentárias do Executivo e do Legislativo.

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Ao finalizar o encontro, o desembargador Marcos Machado agradeceu a participação dos magistrados e parabenizou os juízes pelas exposições e pela contribuição ao debate. Ele destacou a importância da formação e afirmou que continuará atuando como provocador das discussões, sempre aberto a sugestões de temas para estudos futuros. Também se colocou à disposição dos colegas que desejarem aprofundar reflexões e participar das discussões.

Ao final, Marcos Machado ressaltou que muitas sentenças judiciais possuem potencial para se transformar em artigos acadêmicos e defendeu que os magistrados compartilhem suas produções para enriquecer o debate jurídico. Segundo ele, a produção de enunciados, estudos e reflexões é o principal produto do grupo e pode contribuir para pesquisas e futuras publicações.

A próxima reunião do Gemam será realizada na data de 22 de maio na cidade de Rondonópolis.

Criado em 2014 por portaria conjunta da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) e da Escola da Magistratura Mato-grossense (Emam), o Gemam tem como missão estimular o estudo, o debate e a produção jurídica entre magistrados estaduais.

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Autor: Patrícia Neves

Fotografo: Lucas Figueiredo

Departamento: Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Palestra aborda estratégias para identificar e combater demandas abusivas

O crescimento de ações judiciais com indícios de litigância abusiva e seus impactos no funcionamento dos Juizados Especiais estiveram no centro das discussões da palestra “Reflexões sobre demandas abusivas no sistema dos Juizados Especiais”, realizada na tarde de segunda-feira (15), no Complexo dos Juizados Especiais em Cuiabá. A atividade integrou a programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais e reuniu magistrados, servidores, operadores do Direito e demais interessados.
Durante o painel, a juíza do Juizado Especial de Alta Floresta, Milena Ramos de Lima e Souza Paro, destacou que a litigância abusiva é um fenômeno que afeta diretamente a eficiência do sistema de Justiça e prejudica os jurisdicionados que buscam a tutela de direitos legítimos.
Segundo a magistrada, esse tipo de prática é caracterizado por condutas processuais ilícitas que utilizam o Poder Judiciário de forma indevida para obtenção de vantagens ilegítimas. “Quem mais sofre com esse fenômeno é justamente o jurisdicionado legítimo, porque ele provoca congestionamento processual, aumenta o tempo de tramitação dos processos e gera desperdício de recursos públicos”, afirmou.
Milena explicou que a Recomendação nº 159 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) trouxe critérios objetivos para identificação e enfrentamento das demandas abusivas, preservando, ao mesmo tempo, o acesso à Justiça. Entre os exemplos apontados estão o fracionamento indevido de ações, a multiplicação artificial de processos, a utilização de documentos incompatíveis ou falsificados e a distribuição massiva de demandas sem fundamento jurídico consistente.
A magistrada ressaltou ainda que o enfrentamento do problema exige a atuação conjunta de todos os atores do sistema de Justiça. “É relevante reunirmos todos para refletirmos, dialogarmos e traçarmos estratégias estruturais para enfrentar esse fenômeno. O objetivo é garantir a integridade dos Juizados Especiais e assegurar que essa porta permaneça aberta para quem realmente necessita da proteção judicial”, disse.
Ferramentas de monitoramento
O juiz do Segundo Juizado Especial de Rondonópolis, Wagner Plaza Machado Junior, abordou as medidas que vêm sendo adotadas para identificar padrões de litigância abusiva e auxiliar magistrados na análise dos processos.
Ele explicou que é preciso diferenciar demandas de massa legítimas, decorrentes de falhas sistêmicas que atingem grande número de pessoas, das chamadas demandas predatórias, marcadas pelo uso abusivo do sistema judicial. “Nem toda demanda em massa é abusiva. Muitas delas decorrem de direitos legítimos. O problema surge quando são utilizados meios indevidos para levar essas ações ao Judiciário, seja por meio da captação irregular de clientes, da alteração de documentos ou da criação artificial de demandas”, observou.
Entre as situações mais recorrentes, Wagner citou o fracionamento de processos relacionados a uma mesma ocorrência, especialmente em ações envolvendo companhias aéreas. Segundo ele, a prática aumenta artificialmente o número de ações e sobrecarrega o sistema judicial.
O magistrado também apresentou ferramentas tecnológicas que auxiliam na identificação de processos semelhantes, padrões de distribuição e possíveis irregularidades, contribuindo para uma análise mais criteriosa das demandas.
Preservação do acesso à Justiça
Ao final do painel, os magistrados reforçaram que o combate à litigância abusiva não significa restringir o acesso da população ao Judiciário, mas sim proteger a credibilidade do sistema e garantir que os recursos públicos e a estrutura judicial estejam disponíveis para atender conflitos legítimos.
A palestra integrou a programação da III Semana Nacional dos Juizados Especiais, promovida pelo Poder Judiciário de Mato Grosso com o objetivo de fomentar o debate sobre temas relevantes para o aprimoramento dos Juizados e a prestação de serviços cada vez mais eficientes à sociedade.
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Autor: Roberta Penha

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Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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