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Entre memória e esperança, Banco Vermelho une instituições em defesa da vida das mulheres

 O Gemini disse Sob uma tenda, uma mulher discursa em um púlpito para uma plateia sentada e atenta. O grupo é diversificado, composto por homens e mulheres em trajes formais. O evento ocorre em uma área externa pavimentada, com prédios ao fundo.A chuva fina da manhã não afastou quem escolheu estar presente. Autoridades, integrantes da rede de enfrentamento, estudantes fardados, servidores e representantes de diversas instituições se reuniram na entrada do Palácio da Justiça, em Cuiabá, para a abertura da 32ª Semana da Justiça pela Paz em Casa. No centro da solenidade, um símbolo simples e poderoso: um banco pintado de vermelho.

Mulher branca, de perfil, com cabelos grisalhos presos em um rabo de cavalo. Ela sorri enquanto fala ao microfone. Usa blazer preto sobre blusa estampada. Ao fundo, veem-se as bandeiras do Brasil e do Poder Judiciário em ambiente externo.A iniciativa integra a mobilização nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça e, em Mato Grosso, ganhou um tom profundamente humano. O Banco Vermelho foi instituído como política pública de enfrentamento ao feminicídio, prevista na Lei nº 14.942/2024.

Coube à coordenadora da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar no âmbito do Tribunal de Justiça, desembargadora Maria Erotides Kneip, conduzir o ato com firmeza e emoção.

Ela explicou que o banco não é apenas um marco visual, mas um convite permanente à ação. “O Banco Vermelho é uma política pública. Ele tem esse papel de ser o espaço onde as pessoas vão refletir sobre o que nós podemos fazer para evitar que mais mulheres morram no nosso país. Ele é aquele espaço onde a gente vai assentar, vai refletir, vai levantar e vai agir”.

José Zuquim Nogueira, homem de pele clara, barba e cabelos brancos. Veste terno cinza e gravata azul. Está sério, atrás de um púlpito com microfone. Ao fundo, banner com a frase Ao mencionar os números de feminicídio, a desembargadora trouxe a dimensão da urgência. O vermelho, disse ela, lembra o sangue derramado das 1.568 vítimas registradas no último ano no país. “Nós precisamos evitar que esse número seja ultrapassado em 2026. Precisamos evitar que mais mulheres morram no Estado de Mato Grosso”.

Ela destacou ainda a importância da união institucional. Mesmo com a chuva, representantes de diferentes órgãos e instituições compareceram. Para ela, isso demonstra que o enfrentamento da violência contra a mulher só é possível quando todos falam a mesma língua e caminham juntos.

O presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador José Zuquim Nogueira, presente no ato, reforçou que a mudança é construída passo a passo. “É um trabalho demorado, de formiguinha. Eu pretendo, até o final da minha gestão, criar mais varas de combate à violência doméstica, dar oportunidade para que mais colegas magistrados realmente se sintam à vontade e preparados para esse enfrentamento”.

Ele comparou o esforço às ações de combate ao crime organizado e defendeu que a mesma estrutura seja destinada à garantia dos direitos humanos das mulheres. Ao final, agradeceu às equipes envolvidas e afirmou ter satisfação em participar de uma iniciativa que, segundo ele, transforma também quem a conduz.

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Juíza Tatyana Lopes, mulher de cabelos castanhos longos, veste blazer branco texturizado. Ela fala lateralmente enquanto segura um microfone da TV Justiça. Ambiente externo sob tenda com pessoas ao fundo.A juíza titular da 2ª Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher de Cuiabá, Tatyana Lopes de Araújo Borges, lembrou que o Banco Vermelho é um símbolo que provoca reflexão. Mesmo com o aumento da pena para o feminicídio, que pode chegar a 40 anos, os índices continuam altos. Para ela, isso demonstra que a legislação, sozinha, não resolve.

“Precisamos mudar essa cultura da violência, essa cultura do machismo que ainda existe. Enquanto houver desigualdade, haverá violência. O que precisamos trabalhar é o respeito, a dignidade e a igualdade das mulheres”.

O juiz Juliano Hermont Hermes da Silva, titular da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Várzea Grande, destacou o desafio e a responsabilidade de homens que atuam na área. Segundo ele, é fundamental que os homens também estejam inseridos na mudança cultural. Ele citou projetos voltados à conscientização de agressores, reforçando que o enfrentamento passa também pela reeducação.

Juíza Eulice Jaqueline Cherulli, mulher branca de cabelos pretos presos. Sorri levemente e aplaude. Veste blusa branca com detalhes em renda e gola trabalhada. Usa brincos de argola com brilho.A presidente da Associação Mato-Grossense de Magistrados (Amam), juíza Eulice Jaqueline da Costa Silva Cherulli, falou sobre a importância de cada edição da Semana pela Paz em Casa. Para ela, cada passo conta. Lembrou experiências exitosas no Judiciário e afirmou acreditar que, ao semear respeito, se colhe paz. Mesmo diante de índices preocupantes, ressaltou que Mato Grosso possui uma rede modelo de proteção, que precisa ser fortalecida continuamente.

A defensora pública-geral do Estado, Maria Luziane Ribeiro de Castro, destacou que a luta não se resume ao mês de março. É diária. Ela recordou que a violência não começa com o feminicídio, mas com pequenos gestos que muitas vezes não são reconhecidos como agressão.

Maria Luziane Ribeiro de Castro, mulher de cabelos castanhos ondulados, fala ao microfone em um púlpito. Veste blusa branca rendada sob um colete rosa vibrante. Ao fundo, banner da campanha e bandeira.Para a defensora, o Banco Vermelho (banco pintado com a cor vermelha instalado em espaços públicos), que se transformou em ponto de reflexão e alerta contra a violência de gênero, simboliza as ausências, mulheres que não estão mais presentes, e reforça a necessidade de união entre Judiciário, Defensoria, Ministério Público, Executivo e forças de segurança. “Essa causa é de todo mundo”, afirmou, ao reconhecer também a importância de homens ocuparem esse espaço de compromisso.

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Hadassah Suzannah, mulher de pele clara e cabelos longos, fala em púlpito. Veste blusa marrom e usa crachá com cordão verde. Ao fundo, banner Representando a Prefeitura de Cuiabá, a secretária municipal da Mulher, coronel Hadassah Suzannah, falou sobre a força da rede de enfrentamento. Contou que, ao assumir a pasta, descobriu que a rede funciona de forma simples e efetiva, muitas vezes por meio de comunicação direta entre os integrantes, a qualquer hora do dia ou da noite. Para ela, o trabalho é feito por pessoas que se doam.

Delegada Mariel Antonini, mulher branca de longos cabelos loiros cacheados. Sorri para a foto vestindo blusa preta. Ao fundo, banner da campanha contra violência e folhagens verdes.A delegada Mariel Antonini, responsável pelo Gabinete de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres da Polícia Judiciária Civil, a tenente-coronel Ludmila Eickhoff, presidente da Câmara Temática de Defesa da Mulher da Sesp e coordenadora estadual da Patrulha Maria da Penha, e o coronel Valdemir Soares Paraense Sobrinho, diretor comandante da Escola Estadual da Polícia Militar Tiradentes, também reforçaram o compromisso das forças de segurança com a causa.

Josiane Delfina Leite, mulher negra com cabelos em tranças raiz. Sorri frontalmente usando blusa rosa de mangas bufantes e decote em V. Ao fundo, banner da campanha e a bandeira do Brasil.Entre os presentes, a psicóloga Josiane Delfina Leite, da Secretaria de Educação de Nossa Senhora do Livramento, destacou a importância de trabalhar o tema nas escolas. Segundo ela, a prevenção começa na educação, com a valorização da mulher como protagonista e a conscientização sobre direitos.

Ao final da solenidade, o Banco Vermelho permaneceu ali, silencioso, mas eloquente. Um espaço para sentar, pensar e, sobretudo, agir.

Estiveram presentes a coordenadora da Cemulher-MT, desembargadora Maria Erotides Kneip; o presidente do TJMT, desembargador José Zuquim Nogueira; a defensora pública-geral Maria Luziane Ribeiro de Castro; a diretora do Foro de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira; a presidente da Amam, juíza Eulíce Jaqueline da Costa Silva Cherulli; a secretária municipal da Mulher, coronel Hadassah Suzannah; a delegada Mariel Antonini; magistradas e magistrados das varas de violência doméstica de Cuiabá e Várzea Grande; a diretora-geral do TJMT, Andreia Marcondes Alves Nunes; a vice-diretora-geral Renata Guimarães Bueno Pereira; membros do Ministério Público, Defensoria Pública, advogados, defensoras e defensores, integrantes da rede de enfrentamento de Cuiabá, Várzea Grande e Nossa Senhora do Livramento, além da equipe multidisciplinar e estudantes da Escola Militar Tiradentes.

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Autor: Flávia Borges

Fotografo: Josi Dias

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Congresso reúne magistrados e especialistas para discutir transformações nas relações familiares

Visão geral de um auditório lotado com pessoas de pé. No palco iluminado, autoridades perfiladas diante de um grande painel com a bandeira do Brasil. Um tapete vermelho cruza o corredor central.Começou na quarta-feira (24) o Congresso IBDFAM Mato Grosso – “Entre a terra, os laços e os algoritmos: o futuro do Direito das Famílias e Sucessões”. Com programação até sexta-feira (26), o evento reúne especialistas de diversas áreas para debater os impactos sociais, jurídicos e tecnológicos nas relações familiares atuais.

Realizado com apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, o congresso acontece no auditório do Fórum de Cuiabá. Estão em debate temas como “As transformações das famílias e suas contratualizações”, “Instrumentos de planejamento sucessório no agronegócio”, “Luto e litigância: como fica a criança”, “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”, entre outros.

O Congresso IBDFAM é considerado um dos principais eventos da área no estado e conta com a participação de magistrados do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), profissionais do Direito, acadêmicos e especialistas para debater temas atuais relacionados às famílias, sucessões e aos impactos das novas tecnologias nas relações humanas.

Mulher de óculos e camisa branca fala ao microfone em um púlpito com o logotipo do Congresso IBDFAM Mato Grosso. Ao lado, uma intérprete de Libras e, ao fundo, as bandeiras do Brasil e do estado.Representando o presidente do TJMT, José Zuquim Nogueira, a juíza auxiliar da Presidência, Christiane da Costa Marques destacou que o evento preenche uma lacuna de muitos anos sem um encontro dessa magnitude no estado. Para ela, esses encontros ajudam a preparar e melhorar todo o sistema de justiça para o atendimento das demandas da sociedade.

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“Precisamos estar preparados para acolher o cidadão, pois ninguém vai ao fórum se não para resolver alguma situação que está o ferindo. Saliento sempre que o ideal é que a gente consiga fazer com que as pessoas deixem a nossa presença melhor do que elas chegaram, menos sofridas. Por isso, é importante a participação efetiva de todos do sistema de justiça”, disse a magistrada.

Mulher de cabelo preso e blazer floral brilhante concede entrevista, falando ao microfone da TV Jus. Ao fundo, um painel do IBDFAM Mato Grosso com o tema do evento sobre o Direito das Famílias.A presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM) de Mato Grosso, Emanouelly Costa Nadaf, destacou que há cerca de 11 anos não era realizado um congresso de direitos de família e sucessões no estado. Nesse contexto, ela enfatizou que o apoio do TJMT foi fundamental para que o projeto saísse do papel.

“O Judiciário de Mato Grosso realmente abraçou essa causa, enxergando a grandiosidade e o quanto este evento vai ser transformador para todos que atuam nessa área. Então, só temos a agradecer, porque sem o TJMT não teríamos a possibilidade de construir esse ambiente para debater temas tão necessários e urgentes”, afirmou Emanouelly.

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Uma das palestrantes do congresso é a juíza Angela Regina Gama da Silveira Gutierres Gimenez, titular da 1ª Vara Especializada da Família e Sucessões de Cuiabá. A magistrada abordará o tema “Namoro qualificado e união estável – a instrumentalização”. Para a juíza, eventos como este qualificam os magistrados e geram impactos positivos no atendimento da população.

“Quanto mais preparados estejam todos os operadores da rede judicial, maior será o impacto na comunidade em geral. Isso nos fortalece e abre as nossas visões para as múltiplas realidades. Nós desejamos e estamos trabalhando para esse aprimoramento da justiça e de todo o circuito judicial para que a nossa população seja atendida cada vez mais com eficiência”, argumentou.

Também estavam presentes na solenidade de abertura a diretora do Foro da Comarca de Cuiabá, juíza Hanae Yamamura de Oliveira, o juiz Jamilson Haddad Campos, que é vice-presidente do IBDFAM de Mato Grosso, magistrados e magistradas do Poder Judiciário de Mato Grosso.

Autor: Bruno Vicente

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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