TRIBUNAL DE JUSTIÇA MT

Curso aborda uso estratégico de ferramentas de inteligências artificiais no Judiciário

A primeira aula do curso “Uso do ChatGPT, Claude, Perplexity, Copilot e Gemini (Google AI Studio e Advanced) por profissionais das carreiras jurídicas” reuniu magistrados(as), servidores(as) e operadores do Direito que atuam em Mato Grosso em um encontro virtual voltado à compreensão qualificada do uso da inteligência artificial generativa no Judiciário. Com 15 horas-aula, divididas em quatro dias de imersão teórica e prática, o curso é ministrado pelo analista judiciário do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), Jaime Zacarias.

A aula inaugural apresentou os fundamentos teóricos das chamadas Large Language Models (LLMs), ou, em português, Grandes Modelos de Linguagem, que são sistemas avançados de Inteligência Artificial (IA) projetados para entender, processar e gerar texto semelhante ao humano. Eles se tornaram a base da IA generativa moderna, capazes de realizar tarefas como tradução, resumo de documentos, criação de conteúdo e escrita de código. Zacarias demonstrou, de forma prática, como essas ferramentas podem ser utilizadas para ampliar a produtividade e a qualidade técnica do trabalho jurídico, sem afastar a centralidade humana na tomada de decisões.

“A inteligência artificial não veio para substituir o magistrado ou o servidor. É uma ferramenta que amplia nossa capacidade de análise, de escrita e de organização do raciocínio jurídico”, afirmou o professor.

Fundamentos, ética e responsabilidade

Jaime Zacarias destacou que o uso da IA exige responsabilidade, método e consciência de limites. Segundo ele, delegar o raciocínio jurídico à tecnologia é um equívoco que compromete a ética e a segurança das decisões. “Não é correto simplesmente inserir as peças do processo e pedir que a IA elabore uma sentença. O caminho precisa ser definido pelo operador do Direito. A inteligência artificial apenas estrutura o texto a partir das premissas que nós fornecemos”, explicou.

O professor também abordou as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), especialmente quanto aos riscos de automação excessiva, vieses cognitivos, alucinações e proteção de dados pessoais, reforçando que a IA deve ser usada como apoio, e não como substituta do juízo crítico humano.

As diretrizes do CNJ, segundo Jaime Zacarias, são claras para o uso da inteligência artificial no Poder Judiciário, com foco na responsabilidade humana, ética e proteção de direitos. “A principal premissa é a centralidade humana: a IA pode auxiliar, mas nunca substituir o raciocínio jurídico de magistrados e servidores”, ressaltou.

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“Entre os pontos destacados está a vedação à delegação da decisão judicial. Não é considerado adequado inserir peças processuais na ferramenta e solicitar uma sentença pronta sem orientação. Cabe ao usuário definir previamente o provimento e os fundamentos jurídicos, utilizando a IA apenas como apoio à redação e organização do texto”, completou.

O CNJ também proíbe o uso da IA para dosimetria da pena, em razão do risco de vieses cognitivos e da reprodução de desigualdades estruturais. Outro alerta importante é o chamado viés de automação, que ocorre quando há confiança excessiva nas respostas da tecnologia. Por isso, toda produção assistida por IA deve passar por revisão crítica obrigatória, sendo o usuário integralmente responsável pelo conteúdo final.

No campo da proteção de dados, o CNJ orienta cautela redobrada, especialmente em processos sigilosos, recomendando a anonimização prévia das informações, a desativação do uso de dados para treinamento dos modelos e a priorização de ferramentas institucionais ou que operem em ambiente controlado.

Segundo o professor, as diretrizes do CNJ não buscam impedir a inovação, mas garantir que o uso da inteligência artificial fortaleça a prestação jurisdicional sem comprometer a ética, a segurança jurídica e os direitos fundamentais. “A IA pode auxiliar, mas não decide, não julga nem não assume responsabilidade jurídica. O uso correto ocorre quando todo o raciocínio crítico passa pela centralidade humana”, enfatizou.

Aplicações práticas no cotidiano jurídico

Ao longo da aula, foram apresentados exemplos concretos de aplicação da inteligência artificial nas rotinas dos gabinetes e unidades judiciais, como:

❗elaboração de minutas de decisões, votos e relatórios;

❗ extração e organização de dados processuais;

❗ análise de peças e identificação de pontos controvertidos;

❗ apoio à condução de audiências, com sugestão de perguntas estratégicas;

❗ revisão crítica de decisões, com identificação de possíveis omissões ou fragilidades argumentativas.

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“Quando bem utilizada, a IA permite que o profissional concentre o tempo nos processos mais complexos e sensíveis, melhorando a qualidade da prestação jurisdicional e também a qualidade de vida de quem trabalha no Judiciário”, ressaltou Zacarias.

Cenários criativos e simulação de teses

A aula também expôs o chamado modo interativo ou criativo de uso da IA, no qual a ferramenta é utilizada para simular cenários, testar teses e identificar riscos decisórios.

Entre os exemplos citados, está o uso da IA para sugerir perguntas em audiências ou para apontar potenciais vícios em minutas de decisões, permitindo que o(a) magistrado(a) ou assessor(a) fortaleça a fundamentação antes do julgamento.

“Em um caso de improbidade administrativa, a IA me ajudou a identificar elementos que tornaram o voto mais robusto e resistente. O resultado foi uma decisão acolhida por unanimidade”, relatou Jaime Zacarias.

Ferramentas institucionais e uso responsável

Durante o curso, também foram mencionadas as experiências de tribunais que já adotam soluções próprias de inteligência artificial, com destaque para o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT).

O TJMT conta com ferramentas institucionais de IA que auxiliam magistrados(as) e servidores(as) em atividades como:

✅ extração automática de peças processuais;

✅ organização e síntese de informações dos autos;

✅ apoio à elaboração de relatórios e minutas;

✅ integração direta com os sistemas internos do Judiciário.

Essas soluções se diferenciam por operar em ambiente controlado e institucional, reduzindo riscos relacionados à privacidade de dados e ao uso de plataformas externas. Durante o curso, a experiência do TJMT foi citada como exemplo de boas práticas na adoção da inteligência artificial no Judiciário, conciliando inovação tecnológica, segurança da informação e respeito às normas do CNJ. “Quem compreende os fundamentos, conhece os limites e sabe direcionar a IA passa a atuar em outro nível profissional”, concluiu o professor Jaime Zacarias.

Autor: Ana Assumpção

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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42º Gemam reforça atualização da magistratura diante de desafios sociais complexos

Homem com cabelos grisalhos e barba, fala direcionando o olhar para baixo e para a esquerda. Ele usa paletó azul e camisa social cinza. Um microfone da A evolução constante da sociedade e o surgimento de novos desafios exigem do Poder Judiciário uma resposta igualmente dinâmica e qualificada. Com esse enfoque, o desembargador Márcio Vidal, diretor da Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT), abriu o 42º Encontro do Grupo de Estudos da Magistratura de Mato Grosso (Gemam) ao destacar que a busca por conhecimento é contínua e essencial para enfrentar problemas sociais que acompanham o avanço do tempo.

A afirmação de Vidal sintetiza o espírito do encontro realizado na última sexta-feira (19 de junho), no Tribunal do Júri de Rondonópolis, que reuniu magistrados(as) em uma programação técnica voltada à discussão de temas atuais e sensíveis à prestação jurisdicional.

Na abertura do encontro, o desembargador ressaltou que o Judiciário precisa acompanhar as transformações sociais, que evoluem junto com o avanço tecnológico, mas também trazem novos problemas.

Ao comentar a temática da palestra inicial, intitulada “Juventude em risco: O desafio das drogas no portão da escola e a proteção da vida por meio da internação compulsória para todos”, Vidal chamou atenção para a complexidade da questão das drogas entre jovens, classificando-a como um tema bastante sensível para toda a sociedade. Segundo o desembargador, o papel do Judiciário é justamente se manter atento e buscar constantemente novos modelos de atuação.

Homem de cabelos escuros e curtos, vestindo paletó azul e camisa branca, concede entrevista olhando para o lado esquerdo. Um microfone preto aparece em primeiro plano e o fundo está desfocado.Representando a Corregedoria-Geral da Justiça, o juiz auxiliar Jorge Alexandre Martins Ferreira reforçou o apoio institucional ao evento e destacou o impacto da atualização contínua na qualidade das decisões. “É muito importante que o juiz se qualifique vendo coisas novas”, afirmou, ao comentar a relevância da palestra com o psiquiatra convidado, Diego de Souza Vacari.

Ferreira acrescentou que o contato com dados atuais permite compreender melhor a realidade social, citando como exemplo a evolução do potencial das drogas ao longo das décadas. “São fatos que a gente vê no dia a dia e que mostram que precisamos estar sempre reaprendendo”, completou.

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Construção coletiva fortalece a magistratura

Mulher de cabelos longos e escuros fala ao microfone. Ela veste blazer off-white e brincos de argola. Ao fundo, um painel verde exibe a imagem da estátua da Justiça com a balança.A proposta do Gemam como espaço de construção coletiva foi enfatizada pela coordenadora do grupo, juíza Alethea Assunção Santos. Segundo ela, o diferencial está na produção acadêmica conduzida pelos próprios magistrados(as). “A construção é feita pelos próprios juízes e, a partir das discussões, são elaborados enunciados orientativos para a prestação jurisdicional. Isso é muito importante porque enriquece o nosso trabalho, enriquece a prestação jurisdicional e serve como capacitação profissional e também pessoal para os magistrados de Mato Grosso”, explicou.

Ela destacou ainda que os temas debatidos refletem diretamente os desafios enfrentados nas unidades judiciais. “São dificuldades que encontramos no dia a dia da prestação jurisdicional e, a partir desses debates, conseguimos levar mais segurança para as decisões”, pontuou, ressaltando que o resultado é um serviço mais qualificado à população.

Mulher de cabelos escuros e batom vermelho sorri ao conceder entrevista. Ela veste blusa verde-escura sem mangas. Um microfone da A realização do encontro em Rondonópolis foi celebrada pela juíza diretora do Foro, Aline Bissoni, que destacou a importância institucional do evento. “É uma honra receber o Gemam, um grupo que realmente traz temas muito relevantes para o nosso desenvolvimento”, afirmou. Para ela, a abordagem interdisciplinar amplia a visão dos magistrados sobre questões complexas.

Atuando na área criminal, a magistrada destacou o impacto prático do conteúdo apresentado. “Ouvir o psiquiatra falar de forma técnica sobre os malefícios das drogas e como elas se tornaram mais nocivas faz toda a diferença para que possamos julgar melhor”, disse.

Homem de óculos fala ao microfone, gesticulando com a mão esquerda. Ele veste terno escuro, camisa clara e gravata amarela listrada. Ao fundo, uma parede verde e um banner com a deusa da justiça.No campo interdisciplinar, o psiquiatra Diego Vacari, responsável pela palestra de abertura, enfatizou a importância do diálogo entre diferentes áreas. Ele destacou como positiva a aproximação da magistratura com o tema. “A magistratura está cada vez mais interessada nessa situação, e isso é fundamental para desmitificar e aproximar saúde mental e justiça”, afirmou.

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Vacari alertou ainda para o aumento do consumo de drogas entre crianças e adolescentes, fenômeno que, segundo ele, ocorre em escala global. “Os jovens estão usando drogas cada vez mais cedo, muitas vezes dentro da escola ou nas proximidades”, disse. Para o especialista, o enfrentamento do problema depende de atuação conjunta. “Se não houver união entre saúde, justiça, segurança pública e educação, não vamos conseguir diminuir esses índices”.

Mulher de cabelos longos e ondulados fala ao microfone, com a mão direita fechada. Veste camisa estampada verde e branca e saia escura. Ao fundo, parede verde e pontas de mastros de bandeiras.Outro destaque foi o painel sobre litigância abusiva, no qual a juíza Cristiane Padim da Silva apresentou proposta para aprimorar o monitoramento de demandas predatórias. “A ideia é registrar a Recomendação 159 do CNJ nas decisões em que houver abuso do direito de ação, para que possamos traçar estratégias mais eficientes”, explicou. Segundo ela, a medida busca garantir que o sistema de justiça seja mais acessível a quem realmente precisa. A magistrada também ressaltou a importância do encontro como espaço de troca. “A gente sai daqui cheio de ideias, de motivação, com mais preparo para a atuação diária”, afirmou.

Além das discussões sobre saúde mental, drogas e litigância abusiva, o 42º Gemam contou ainda com painéis voltados a outros temas relevantes para a atuação jurisdicional. Foram abordados o controle judicial do orçamento público e a aplicação de emendas parlamentares frente à discricionariedade e abuso de poder, o tratamento ambulatorial e as medidas de segurança aplicáveis a réus com doença mental, bem como o conceito e as implicações da chamada “purga da mancha probatória”.

Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.

Autor: Lígia Saito

Fotografo: Rodrigo Moura

Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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