TECNOLOGIA

Pesquisa sobre águas da Amazônia leva Maria Teresa Fernandez Piedade ao Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026

A trajetória científica de Maria Teresa Fernandez Piedade, marcada por décadas de dedicação à Amazônia, foi reconhecida com o Prêmio Almirante Álvaro Alberto 2026, uma das principais honrarias da ciência brasileira. Pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ambos vinculados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), ela se consolidou como referência no estudo das áreas alagáveis e da dinâmica dos rios amazônicos, essenciais para o equilíbrio ambiental e climático do País. 

Desde o início de sua formação, a cientista já indicava o caminho que seguiria. “Sempre tive uma curiosidade natural pela água e pelos organismos associados”, relata. A escolha pela biologia veio acompanhada do desejo de atuar na Amazônia. “Quando decidi fazer biologia, imediatamente pensei em fazer pesquisa, e, de preferência, na região. Naquela época, esse desejo parecia apenas um sonho”, lembra. 

Ao longo de quase cinco décadas, Maria Teresa concentrou seus estudos nas adaptações da vegetação e de outros organismos às variações dos níveis dos rios, fenômeno que altera profundamente os ecossistemas amazônicos. Segundo ela, compreender essa dinâmica é essencial para entender o funcionamento da floresta e suas conexões. “Meu trabalho é, principalmente, buscar as adaptações da vegetação aos corpos de água da região dos grandes e dos pequenos rios da Amazônia e estudar como os organismos se adaptam a esses sistemas onde a água sobe e desce ao longo do ano”, resume.  

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A pesquisadora também tem se dedicado a investigar os impactos das intervenções humanas nesses ambientes. Estudos conduzidos por sua equipe apontam que alterações no regime natural dos rios, como as causadas por barragens, podem provocar mudanças profundas na vegetação e na biodiversidade.  

Apesar dos avanços, ela faz um alerta sobre os desafios persistentes. “É uma corrida contra o tempo”, diz, ao se referir às pressões causadas por desmatamento, poluição e mudanças climáticas. Para a cientista, ainda há grandes lacunas de conhecimento na região, o que torna urgente a formação de novos pesquisadores e o fortalecimento da ciência na Amazônia. 

O prêmio  

Ao comentar a premiação, Maria Teresa reconhece o caráter simbólico da conquista. “Receber o Prêmio Almirante Álvaro Alberto é um sonho inimaginável”, afirma. “Eu nunca pensei que receberia essa honraria, foi uma grata surpresa que me deixou bastante emocionada e lisonjeada”, comemora.   

Ela também ressalta o papel do apoio institucional ao longo de sua trajetória, especialmente do CNPq, que viabilizou bolsas e projetos fundamentais para o desenvolvimento de suas pesquisas. 

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Piedade também enfatiza a importância de ampliar a participação feminina na ciência. “Nenhuma mulher deve se sentir menor e deixar de fazer pesquisa porque é mulher”, afirma, destacando a contribuição feminina para uma ciência mais colaborativa e sensível às dimensões humanas do trabalho científico. 

 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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TECNOLOGIA

DataClima+ fortalece capacidades nacionais para a transparência climática

O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou oficialmente, nesta quinta-feira (25), em Brasília (DF), o projeto DataClima+, que vai estruturar e institucionalizar a governança de dados para fortalecer o sistema de transparência climática do Brasil. A iniciativa contribuirá para o país atender aos requisitos da Estrutura de Transparência Aprimorada prevista pelo artigo 13 do Acordo de Paris e pelas Modalidades, Procedimentos e Diretrizes (MPGs) de implementação.

Com o novo sistema, o Brasil deve aprimorar a mensuração, o rastreamento e o reporte de dados climáticos por meio de um sistema de transparência robusto, consistente e eficiente. Além disso, o DataClima+ vai subsidiar a formulação de políticas nacionais climáticas e está alinhado ao esforço do governo federal em disseminar a governança de dados.

“A implementação desse projeto vai contribuir para que o Brasil cumpra com os compromissos assumidos internacionalmente, mas também atenderá a demandas do contexto nacional. Vamos prover com mais eficiência, agilidade e transparência um conjunto maior de informações para subsidiar a tomada de decisão na agenda climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas.

O arranjo institucional para execução do projeto conta com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) como agência implementadora, o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como apoio de execução e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) no desenvolvimento e sustentação do sistema DataClima+. 

“O PNUMA trabalha para apoiar os países no enfrentamento da tripla crise planetária: da mudança do clima, da perda de biodiversidade e da poluição. Em todas essas agendas, dados de qualidade, conhecimento científico e inovação são fundamentais para orientar decisões e acelerar transformações”, afirmou a líder Regional em Finanças e Transformações Econômicas para a América Latina do PNUMA, Beatriz Carneiro.

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“Ao reunir dados, sistema, instituições e processos em uma infraestrutura nacional integrada de transparência climática, o DataClima+ cria as condições para que o Brasil produza e utilize informações climáticas de forma mais eficiente, confiável e acessível”, disse o diretor-geral Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Lisandro Granville.

O comitê gestor do projeto envolve, além do MCTI e do PNUMA, a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), ligada ao Ministério das Relações Exteriores (MRE). O projeto de cooperação técnica internacional captou U$ 3,8 milhões (cerca de R$20 milhões pelo câmbio atual) da Iniciativa para Construção de Capacidades para Transparência (CBIT, na sigla em inglês), uma das linhas de apoio financeiro do Fundo Global do Meio Ambiente (GEF, na sigla em inglês). O aporte à iniciativa brasileira é o maior desembolso global para um projeto apoiado pelo fundo global.

“O Funbio atua como gestor operacional e financeiro desta iniciativa, alinhado à nossa missão de aportar recursos estratégicos que promovam a conservação da biodiversidade e o enfrentamento dos desafios ambientais, transformando recursos financeiros em ações concretas de proteção ambiental”, explica a gerente de portfólio do Funbio Mariana Santos.

O projeto foi aprovado em agosto de 2024 e a sua execução se estende até agosto de 2028. Desde então, foram realizados os trâmites necessários para a formalização dos termos do projeto entre as instituições para a implementação do projeto e realizadas as primeiras entregas previstas no escopo do projeto.

O anúncio marca oficialmente o início do engajamento das instituições que colaborarão com o desenvolvimento do projeto por meio do fornecimento de dados. Os 23 ministérios que integram o Comitê Interministerial sobre Mudança do Clima (CIM) serão diretamente envolvidos, além de outras instituições com potencial de colaboração, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e a Embrapa.

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Entenda como o projeto vai construir o sistema nacional

O DataClima+ é um sistema modular integrado de dados climáticos orientados ao cumprimento da Estrutura de Transparência Aprimorada. Os objetivos centrais são centralizar e sistematizar informações para aprimorar a qualidade e eficiência dos relatórios nacionais de transparência.

O sistema deve apoiar o cumprimento dos compromissos internacionais do Brasil no acompanhamento do progresso da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e das ações de adaptação à mudança do clima. As informações disponíveis facilitarão a formulação de políticas públicas baseadas em evidências e integra informações climáticas no planejamento nacional e subnacional.

O projeto possui três camadas: tecnológica, governança e capacitação. Na parte tecnológica, o sistema prevê o desenvolvimento dos módulos de Mitigação, Adaptação, Políticas públicas, Acompanhamento da NDC e Meios de Implementação (suporte necessário e recebido), além da atualização e integração dos sistemas existentes Adapta Brasil, SIRENE, SIRENE Organizacionais e SINAPSE.

Na parte de governança, o projeto vai estabelecer políticas, papéis e procedimentos, seguindo boas práticas para garantir qualidade, consistência, segurança e acessibilidade dos dados, promovendo confiança e interoperabilidade entre sistemas.

A implementação do projeto deve fortalecer ainda as capacidades institucionais e técnicas, por meio da capacitação dos técnicos das instituições envolvidas para gerir dados climáticos e transparência. A meta é capacitar mais de 600 profissionais na gestão e utilização de dados climáticos.

Acesse o site do projeto: https://dataclima.mcti.gov.br/

Assista ao evento de lançamento: https://www.youtube.com/live/vmFxrEKA31I?is=3AJmApL8JGcGQY__

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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