TECNOLOGIA
PBIA é destaque no Fórum de IA dos BRICS com meta de supercomputador e inovação industrial
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação para a Transformação Digital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Henrique Miguel, representou o Brasil nesta segunda-feira (20) na abertura do Fórum de Alto Nível sobre Inteligência Artificial dos BRICS, promovido conjuntamente pelos governos brasileiro e chinês. O evento, realizado sob a presidência rotativa do Brasil no bloco, reúne autoridades governamentais, pesquisadores, empresários e instituições acadêmicas para discutir o papel estratégico da IA no desenvolvimento dos países do Sul Global.
Durante o discurso de abertura, Henrique Miguel apresentou o Programa Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) como uma política de Estado voltada ao uso ético, sustentável e soberano da IA, atendendo os desafios sociais, econômicos e ambientais do país. O secretário ressaltou que o plano prevê a instalação de um supercomputador entre os cinco mais potentes do mundo, operado com energia renovável, além do desenvolvimento nacional de processadores de alto desempenho em parcerias internacionais. “Nosso objetivo é dotar o Brasil de infraestrutura de ponta e promover a capacitação de milhares de profissionais, além de fomentar a inovação em empresas, startups e setores estratégicos”, afirmou.
A programação do evento contou com lançamentos estratégicos, como o relatório Perspectivas de Desenvolvimento e Cooperação em IA nos BRICS e a Coletânea de Produtos e Aplicações Típicas de IA nos BRICS, além do anúncio da parceria entre o Centro China-BRICS de IA e a Universidade de São Paulo (USP).
O secretário Henrique Miguel frisou o papel do Brasil no BRICS em 2025 como uma oportunidade estratégica para ampliar a cooperação entre os países do bloco em áreas como semicondutores, computação de alto desempenho, modelos de linguagem de grande porte (LLMs) e tecnologias quânticas. “Acreditamos que a colaboração entre governos, academia, setor privado e sociedade civil é fundamental para construir um ecossistema de IA robusto, ético e inclusivo”, disse.
O fórum também discutiu os desafios da governança de dados, um dos temas centrais para o avanço da IA em condições equitativas. A construção de estruturas seguras e acessíveis de compartilhamento de dados de qualidade foi apontada como essencial para que empresas de países em desenvolvimento possam competir de forma justa no cenário global.
O evento consolidou-se como um marco na construção de uma governança internacional da IA mais inclusiva, baseada na cooperação Sul-Sul, na partilha de conhecimento e na valorização das capacidades locais.
TECNOLOGIA
Brasil encerra ciclo do Primeiro Relatório Bienal de Transparência
O Brasil participou na quarta-feira (10), em Bonn, na Alemanha, da primeira parte da terceira sessão do Grupo de Trabalho de Consideração Multilateral Facilitada do Progresso (FMCP, na sigla em inglês) promovido pelo Secretariado da Convenção do Clima. Participaram também Azerbaijão, Turquia e Austrália. Até sexta-feira (12), 37 países participam do encontro técnico que permite o compartilhamento de experiências, desafios e oportunidades na elaboração dos Relatórios Bienais de Transparência, em atendimento ao Artigo nº 13 do Acordo de Paris.
Com o diálogo multilateral, o Brasil encerra o ciclo do seu Primeiro Relatório Bienal de Transparência, submetido à Convenção do Clima em 2024 e revisado por especialistas técnicos internacionais em maio de 2025. A coordenação dos relatórios de transparência do Brasil é efetuada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Coordenação-Geral de Ciência do Clima com apoio do projeto de cooperação técnica internacional Ciência&Clima.
A presidente da 64ª sessão do Órgão Subsidiário (SBI) da UNFCCC, Julia Gardiner, destacou importância do encontro pela quantidade de países e pela representação política com a participação de autoridades de alto nível. Representando o Secretariado da UNFCCC, do diretor sênior, Daniele Violetti, enfatizou a importância dos relatórios de transparência para a estratégia dos países, sinalizando as lacunas e o suporte necessário para avançar na ação climática.
De acordo com dados do Secretariado da Convenção do Clima, 133 países submeteram seus primeiros BTRs e 82 passaram por revisão técnica de especialistas.
Na abertura, o presidente da COP30, André Correa do Lago, que falou em nome do Brasil, destacou o papel da transparência climática na implementação do Acordo de Paris. “Transparência é indispensável para implementação e tem papel essencial na construção de confiança”, afirmou o embaixador. “Dá previsibilidade”, complementou.
Os relatórios de transparência são importantes para aumentar ambição climática, à medida que concentram informações para o acompanhamento do progresso das ações climáticas, em especial da Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), e a prover dados sobre as reais necessidades, em termos técnicos e financeiros, para que o país avance na agenda.
“Sem transparência, as metas são apenas promessas. Com transparência, as metas se tornam trajetórias verificáveis. Nesse sentido, o MCTI vem se esforçando cada vez mais para que nós tenhamos um sistema nacional de transparência climática robusto, apoiando o Brasil”, afirmou o coordenador-geral de Ciência do Clima do MCTI, Márcio Rojas.
Perguntas e respostas
Durante o diálogo, representantes de países e organizações observadoras fizeram perguntas aos países sobre as políticas climáticas adotadas, os sistemas e estratégias de financiamento para estimular atividades de baixo carbono, entre outras questões. Antes da sessão presencial, os países também receberam questionamentos, cujas respostas estão publicadas no site da UNFCCC junto com apresentação que resume os principais aspectos do Primeiro Relatório Bienal de Transparência.
O Brasil está preparando o Segundo Relatório Bienal de Transparência, que deve ser submetido à UNFCCC em 2026.
Clique aqui e entenda o ciclo completo do BTR.
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