TECNOLOGIA
O Norte navega pela ciência e mostra que conhecimento também nasce da floresta
O Norte respira ciência. É com esse fôlego que a região, coração da maior bacia hidrográfica do planeta, mergulha na 22ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de 21 e 26 de outubro com o tema Planeta Água: a Cultura Oceânica para Enfrentar as Mudanças Climáticas no meu Território, a mostra ganha um significado especial na Amazônia, unindo rios e aproximando o saber científico do cotidiano das pessoas.
Segundo a Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), organizadora do evento, a SNCT é o maior evento de popularização da ciência no Brasil. No Norte, as atividades foram organizadas por instituições de ensino e pesquisa, em parceria com governos estaduais e organizações da sociedade civil. A programação é variada, abrangendo exposições, oficinas, palestras, debates e a apresentação de projetos que nascem do solo amazônico.
Mergulho no saber amazônico
No Amazonas (AM), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) promove mais de cem atividades, como visitação aos laboratórios e interação com pesquisas sobre ecossistemas aquáticos, biodiversidade, clima, saúde e tecnologias regionais. Entre as atrações, a exposição Cogumelos da Amazônia apresenta diferentes espécies de fungos e sua importância ecológica. O Projeto Harpia apresenta uma réplica em tamanho real do ninho do gavião-real, a maior águia das Américas, com a exibição de garras e outros materiais biológicos para falar da conservação desta ave-símbolo.
Oficinas como Sabores da Floresta, sobre culinária amazônica, e visitas às Coleções Zoológicas do Inpa, que abrigam a diversidade da fauna regional, completam o mergulho no conhecimento. O evento conta ainda com os Seminários da Amazônia, que trazem palestras curtas sobre temas como a pluralidade de espécies de peixes, a busca de novos remédios na natureza e o uso de inteligência artificial na restauração florestal.
O Instituto Federal do Amazonas (Ifam) — Campus Tefé promove sua SNCT juntamente com a VII Mostra de Extensão, valorizando os atores e temas da região do Médio Solimões. Já a Fiocruz Amazônia, com o projeto CiênciaPop: Navegando pelos Rios da Amazônia, programou exposições e rodas de conversa em Parintins e Manaus. A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma/Fiocruz), por exemplo, leva a exposição Amazônia — o Encontro do Rio com o Mar, com oficinas dinâmicas no Espaço da Cidadania Ambiental (Ecam), integrando ciência, saberes tradicionais e linguagens artísticas, como batalha de rimas, para enfatizar que proteger os rios é também cuidar do oceano.
Ações em destaque nos estados
Em Rondônia (RO), a Fiocruz estadual contribui com exposições, jogos educativos e atividades voltadas à atenção à saúde. O público recebe orientações práticas sobre o consumo e os cuidados com a água potável, alinhadas ao tema nacional. A Universidade Federal de Roraima (UFRR) coordena a mostra no estado com o apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), vinculado ao MCTI. A programação inclui palestras, oficinas, exposições e o I Encontro de Iniciação Científica de Roraima, com a apresentação de trabalhos científicos em diversos municípios, além da capital Boa Vista.
A SNCT no Amapá (AP) acontece no Serviço de Atendimento às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), reunindo uma grande rede de parceiros, incluindo o Instituto Federal do Amapá (Ifap), a Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Amapá. Projetos estudantis do Ifap, como a impressão 3D de modelos anatômicos veterinários, estão expostos, bem como ativos de propriedade intelectual. A Embrapa Amapá participa com palestras sobre como a crise climática afeta a foz do Rio Amazonas e sobre a importância da agricultura espacial.
Um destaque especial é o projeto Observatório Popular do Mar (Omara), do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa) e da Universidade Estadual do Amapá (Ueap), com estudos sobre a costa. A pesquisa mostra a forte influência do oceano na dinâmica do Rio Amazonas e as consequências do avanço do mar sobre o rio, como a salinização da água potável no arquipélago do Bailique.
O Tocantins realiza a III Semana de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins), em Palmas. Com o mesmo tema da SNCT, a Unitins promove um espaço de interação com o público, oferecendo um calendário diversificado que abrange o Encontro Estadual das Licenciaturas, mostras de projetos de pesquisa, um Festival Culinário, e exposições como a do Museu de Zoologia e Taxidermia José Hidasi e a Meninas e Mulheres Inovadoras. A universidade reforça seu papel social ao debater o desenvolvimento sustentável do estado.
A SNCT é promovida pelo MCTI, sob a coordenação da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), e conta com o patrocínio de Financiadora de Estudos e Projetos (Finep); Huawei do Brasil Telecomunicações Ltda; Caixa Econômica Federal; Positivo Tecnologia S.A.; Conselho Federal dos Técnicos Industriais (CFT); Banco do Nordeste do Brasil S.A. (BNB); Conselho Federal de Química (CFQ); Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur); Comitê Gestor da Internet no Brasil / Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (CGI.br e NIC.br) e Associação das Indústrias Aeroespaciais do Brasil (Aiab).
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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