TECNOLOGIA
Ministra Luciana Santos reforça papel do PBIA em seminário do Conselhão
A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, participou, nesta quarta-feira (11), da mesa de abertura do seminário sobre Inteligência Artificial promovido pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável, conhecido como Conselhão. O evento ocorreu na sede do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), em Brasília.
O encontro teve como objetivo a elaboração de subsídios para o projeto de lei sobre o tema que já foi aprovado no Senado e que atualmente está em tramitação na Câmara dos Deputados. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) foi o responsável, por meio do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (CCT), pelo desenvolvimento do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), construído por meio de um processo participativo e inclusivo, refletindo a diversidade e as necessidades da sociedade brasileira.
“O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação está comprometido em colocar a inteligência artificial a serviço de um projeto nacional, de crescimento com inclusão e redução das desigualdades. Isso exige visão estratégica, coordenação entre setores e investimento em soberania tecnológica”, enfatizou a ministra Luciana Santos.
Com um investimento previsto de R$ 23 bilhões até 2028, o PBIA orienta o desenvolvimento ético, sustentável e inclusivo da IA no país. Envolve diretrizes para pesquisa, inovação, formação de talentos e desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas a problemas concretos, que passam pela melhoria de serviços públicos e pela inovação empresarial.
“A inteligência artificial não é apenas uma tecnologia emergente; é também uma infraestrutura crítica para a competitividade econômica, o bem-estar social e a soberania digital dos países”, pontuou a embaixadora da Espanha no Brasil, Maria Del Már Fernández-Palacios.
Participaram ainda da abertura, a diretora-presidente Substituta do Serpro, Ariadne Fonseca; o secretário executivo do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável da SRI/PR, Olavo Noleto; o secretário de Políticas Digitais da SECOM/Presidência da República, João Brant; e do deputado Aguinaldo Ribeiro, relator da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial.
Painel PBIA: Panorama e Desafios
Após a mesa de abertura, deu-se início aos painéis propostos pelo seminário. O primeiro debateu os desafios e o panorama do PBIA e contou com a participação do secretário-executivo do MCTI, Luis Fernandes, que detalhou a elaboração do Plano Brasileiro de IA.
Segundo Fernandes, o PBIA nasceu do reconhecimento da revolução tecnológica com base na inteligência artificial em que o mundo vivencia atualmente e que o Brasil quer sair na dianteira desta corrida.
“Nós não poderíamos nos omitir, como Estado, diante dos desafios da revolução em curso, dessa revolução tecnológica que está varrendo o mundo. E essa pretensão a ter um papel protagonista não é uma propensão ao fechamento, é uma abertura. Na abertura, queremos ter um papel importante no desenvolvimento, na exploração do potencial dessa tecnologia para que ela sirva ao bem-estar de todos”, pontuou o secretário.
O nome do plano — “IA para o Bem de Todos” — reflete a preocupação de que os avanços tecnológicos beneficiem a sociedade brasileira de forma ampla e inclusiva. O documento destaca que a IA deve ser orientada à superação de desafios sociais, aumentando o bem-estar e contribuindo para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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