TECNOLOGIA
Edital de R$ 300 milhões apoia empresas no desenvolvimento de tecnologias digitais avançadas
Iniciativas que vão desde o desenvolvimento de ferramentas para proteger crianças no ambiente digital até a criação de sistemas avançados de inteligência artificial têm um novo incentivo. Com orçamento de R$ 300 milhões, chamada pública vai apoiar empresas brasileiras interessadas em desenvolver produtos e processos inovadores. As propostas podem ser enviadas até 30 de setembro de 2026, ou até o esgotamento dos recursos.
O edital foi lançado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e a segunda rodada do programa Mais Inovação Brasil e utiliza recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).
O financiamento ocorre por meio de subvenção econômica — ou seja, os beneficiados não precisam devolver os recursos — e é direcionado a projetos com risco tecnológico, aqueles que envolvem incertezas científicas e técnicas.
O objetivo é transformar ideias em soluções concretas para o dia a dia da população ao apoiar financeiramente projetos desde a fase inicial de desenvolvimento até a validação de tecnologias. Os projetos devem se enquadrar entre os níveis 3 e 8 de maturidade tecnológica (TRL), escala que mede o estágio de desenvolvimento de uma solução.
Tecnologias digitais na prática
O edital organiza o apoio em linhas temáticas que traduzem o conceito de tecnologias digitais para aplicações concretas. Entre os focos estão:
- Inteligência artificial (IA): desenvolvimento de modelos, sistemas e infraestrutura, incluindo dados, treinamento e monitoramento
- Computação em nuvem e alto desempenho: operação de ambientes complexos, como supercomputadores e plataformas de IA
- GPU clouds: acesso simplificado a estruturas computacionais avançadas para acelerar soluções digitais
- Robótica avançada: sistemas com IA embarcada para indústria, saúde e outros setores
- Tecnologias quânticas: aplicações em computação, comunicação e sensores
- IA generativa em português: desenvolvimento de modelos adaptados à realidade brasileira
- Proteção digital de crianças e adolescentes: soluções para prevenir riscos on-line, com previsão de até R$ 100 milhões dentro da chamada
Essa última linha inclui ferramentas para identificar conteúdos ilícitos, bloquear contatos indevidos e oferecer monitoramento inteligente, em alinhamento com políticas públicas de segurança digital infantojuvenil.
Quem pode participar e como funciona a seleção
Empresas brasileiras com fins lucrativos podem submeter propostas, desde que comprovem atuação em pesquisa e desenvolvimento e parceria com instituições científicas e tecnológicas. Os projetos podem ser individuais ou em rede, com exigências de contrapartida financeira conforme o porte da empresa.
O envio ocorre em duas etapas: cadastro na plataforma da Finep e submissão da proposta com informações técnicas, orçamento e documentos obrigatórios, além de um vídeo de apresentação.
A seleção é feita em duas fases — habilitação, com verificação de requisitos formais e capacidade financeira; e análise de mérito, que considera o grau de inovação, relevância e qualificação da equipe.

- Ascom/MCTI
Há ainda previsão de destinação mínima de R$ 90 milhões para projetos com execução nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.
Estratégia nacional
A chamada está alinhada às políticas públicas de transformação digital e ao Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (Pbia) e reforça o papel da inovação como motor de desenvolvimento econômico e social. O financiamento faz parte de um conjunto maior de iniciativas que somam cerca de R$ 3,3 bilhões em subvenções econômicas no programa Mais Inovação Brasil.
TECNOLOGIA
Pesquisa do Cemaden e INPE usa inteligência artificial para tornar previsões de enxurradas mais confiáveis
As enxurradas estão entre os desastres naturais mais difíceis de prever. Em poucos minutos, chuvas intensas podem transformar rios e ruas em correntes violentas, reduzindo o tempo de reação das Defesas Civis e aumentando os riscos para a população. Agora, uma pesquisa conduzida por tecnologistas e pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) propõe um novo caminho para tornar essas previsões mais confiáveis com o uso de inteligência artificial.
O Cemaden e o INPE são unidades de pesquisa vinculadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
Publicado na revista científica Transactions in GIS, o trabalho introduz uma abordagem inovadora para modelos de aprendizado de máquina (machine learning). O diferencial está em incluir, nas previsões, algo que normalmente fica de fora: as incertezas presentes nos próprios dados usados pelos sistemas. Na prática, isso permite tornar os alertas mais robustos e confiáveis para uso em sistemas de alerta precoce.
Agora, o modelo não apenas estima o comportamento do rio, mas também informa o grau de confiança daquela previsão — um dado importante para decisões em situações de risco.
Para Jaqueline Soares, tecnologista do Cemaden e primeira autora do estudo, a principal inovação está em incorporar explicitamente as incertezas aos modelos de previsão. “O estudo tem como foco central a incorporação da análise de incertezas aos modelos de aprendizado de máquina, tornando as previsões mais robustas e confiáveis para uso em sistemas operacionais de alerta precoce”, afirma.
Hoje, grande parte dos sistemas trabalha com previsões determinísticas, que indicam apenas um resultado possível. O problema é que os dados usados nesses modelos podem conter falhas causadas por limitações de sensores, ausência de medições, erros de calibração ou até pelas etapas de processamento das informações.
O que o estudo propõe
A pesquisa apresenta quatro contribuições principais:
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Criação de uma base pública inédita com cinco anos de dados hidrometeorológicos de alta resolução (2019 a 2023);
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Desenvolvimento de uma metodologia para analisar como as incertezas dos dados afetam as previsões;
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Criação de um modelo probabilístico chamado Uncertainty-Aware Ensemble for Machine Learning (UAE-ML), que gera faixas de previsão em vez de apenas um valor único;
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Desenvolvimento de novas métricas para medir robustez e propagação das incertezas nos modelos.
A base de dados reúne estimativas de chuva obtidas por radar meteorológico e medições de nível d’água, permitindo representar com maior precisão tanto a distribuição das chuvas quanto a resposta dos rios.
“A disponibilização pública de uma base de dados hidrometeorológicos de alta resolução, composta por cinco anos de registros, fortalece a ciência aberta, a reprodutibilidade e o desenvolvimento de novas pesquisas aplicadas à realidade brasileira”, explica Jaqueline.
Estudo de caso em Nova Friburgo (RJ)
A metodologia foi aplicada na bacia do rio Bengalas, em Nova Friburgo (RJ), uma das regiões mais vulneráveis a enxurradas no Brasil. A área reúne relevo acidentado, urbanização intensa e um histórico marcado por desastres naturais, incluindo a tragédia de 2011 na região serrana do Rio de Janeiro.
Para avaliar o desempenho do sistema, os pesquisadores analisaram mais de 73 mil registros hidrometeorológicos e testaram cinco técnicas diferentes de aprendizado de máquina, incluindo redes neurais e modelos baseados em árvores de decisão. Os testes consideraram previsões que variavam de 30 minutos a 6 horas de antecedência.
Os resultados mostram que não existe um único modelo ideal para todos os cenários. Em alguns casos, métodos mais precisos apresentaram menor robustez diante de dados incertos. “Propomos uma avaliação multicritério dos modelos, considerando não apenas o desempenho preditivo, mas também aspectos como robustez e custo computacional”, destaca Jaqueline.
Para os pesquisadores, esse tipo de análise é essencial em sistemas operacionais de alerta, que precisam equilibrar velocidade, precisão e confiabilidade em situações reais. A expectativa é que a metodologia contribua para o aprimoramento dos sistemas de alerta precoce do Cemaden, oferecendo mais suporte técnico para gestores públicos e equipes das Defesas Civis durante eventos extremos.
“Ao integrar dados, inteligência artificial e análise de incertezas, a pesquisa busca apoiar o desenvolvimento de políticas públicas voltadas à prevenção e à redução do risco de desastres”, conclui Soares.
O artigo tem como autores Jaqueline A. J. P. Soares (Cemaden), Allan K. S. Soares (Serpro), Luiz F. Satolo (Cemaden e INPE), Graziela B. Scofield (Cemaden), Stephan Stephany (INPE) e Leonardo B. L. Santos (Cemaden e INPE).
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