TECNOLOGIA
Debate aborda papel da ciência no fortalecimento das políticas públicas de ação climática
O papel da ciência no fortalecimento de políticas públicas em prol do desenvolvimento sustentável e do combate à mudança do clima foi debatido durante o painel “Diplomacia Científica Rumo à COP30: Clima, Sustentabilidade, Biodiversidade” realizado nesta sexta-feira (08), em Brasília (DF).
O tema faz parte da programação do workshop ‘Introdução à Diplomacia Científica para o Desenvolvimento Sustentável: Prioridades Regionais da América Latina rumo à COP30’, que reuniu formuladores de políticas, cientistas e representantes de setores produtivos de 15 países com o objetivo de fortalecer a diplomacia científica como uma estratégia para enfrentar desafios globais complexos.
O evento promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Centro de Diplomacia Científica do Instituto Latinoamericano para Pesquisa em Mudança do Clima (IAI) e o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE), integra os diálogos para a Conferência do Clima, que será realizada em novembro, em Belém (PA). A partir da perspectiva de diplomacia cientifica, devem ser efetuadas recomendações estratégicas para identificar prioridades e construção de propostas regionais.
Ao apresentar o papel do MCTI na agenda climática, o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Márcio Rojas, enfatizou a relevância da interface entre ciência e políticas públicas diante dos desafios globais cada vez mais complexos. “Temos o papel de fomentar pesquisas na fronteira do conhecimento sobre mudança do clima no Brasil, de modo que o conhecimento gerado possa ser utilizado como subsídio para a tomada de decisão”, destacou. O trabalho também envolve a necessidade de informar e popularizar o conhecimento gerado para que a sociedade se aproprie das informações, esteja bem-informada a partir de informações íntegras com relação à mudança do clima.
O coordenador exemplificou como a partir de dois grandes projetos de pesquisa, Observatório da Torre Alta da Amazônia (ATTO) e o Programa AmazonFACE, que contam com cooperação internacional de Alemanha e Reino Unido, respectivamente, desencadearam outras colaborações e iniciativas. “A diplomacia científica nos permitiu avançar em outras direções, construindo um ciclo virtuoso de sinergias”, disse.
Sistemas de alertas antecipados – O coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), José Marengo, abordou a relevância de os dados científicos serem utilizados para ações preventivas de desastres.
Segundo ele, no Brasil e na América Latina os desastres são, na sua maioria, climáticos, relacionados às chuvas ou à seca. Contudo, a vulnerabilidade e a exposição é que determinam os impactos. “A chuva não mata. A chuva mata as pessoas que estão vivendo em áreas de vulneráveis”, exemplificou. De acordo com a Base Internacional de Dados sobre Desastres, em 2023, enchentes e tempestades foram a principal causa de mortes relacionadas a desastres na América Latina e no Caribe. Seguido de deslizamentos de terra em decorrência de chuvas.
Para o pesquisador, o aumento do acesso aos sistemas de alerta antecipados é passo fundamental para o trabalho de prevenção a desastres.
Não basta produzir ciência de excelência – O diretor de Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Bráulio Ferreira de Souza Dias, enfatizou a necessidade de melhorar a interação entre ciência e políticas. Segundo ele, entre os aspectos de melhoria estão a valorização dos cientistas, que ainda não recebem o devido reconhecimento pela atuação e colaboração com governos e empresas. Por outro lado, Dias afirmou que ainda há resistências e preocupação por parte dos pesquisadores para que essas colaborações aconteçam. O receio é de que a independência seja afetada. “Algumas universidades já venceram essa etapa e estabeleceram regras. Precisa engajar mais”, afirmou.
Na avaliação do diretor, outro aspecto que necessita avançar é a forma de comunicar a ciência para a sociedade. Além de produzir ciência de excelência e que ofereçam soluções aos problemas, há barreiras de acesso a esse conhecimento. “Produzir artigos e relatório não é suficiente. As pessoas dão atenção se houver relação com a vida cotidiana”, resumiu.
Regimes internacionais ambientais – O coordenador de assuntos científicos e tecnológicos do Departamento de Clima do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e ponto focal do Brasil para o Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), Pedro Ivo Ferraz da Silva, apresentou a relação entre a diplomacia e a ciência. Silva enfatizou que a ciência é pilar central dos regimes internacionais ambientais. “Eu ousaria dizer que os regimes internacionais ambientais só existem por causa da ciência. Se não fosse a ciência para mostrar as evidências da mudança do clima, para mostrar que o problema está se agravando e uma direção como combater, não teríamos condições, no âmbito político, de tomar as decisões necessárias para enfrentar esse desafio”, afirmou. É o caso da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), criada em 1992, como resultado dos dados do IPCC, fundado em 1988.
Silva também mencionou a importância de espaços de debate e colaboração sobre ciência climática em fóruns internacionais, como o BRICS, que oferecem espaço para debates e colaboração sobre problemas comuns aos países em desenvolvimento. “É um dos espaços, talvez seja um aspecto do BRICS não seja tão conhecido, mas o que mais tem avançado. “Vejo o BRICS como um espaço essencial para ter debate sobre ciência climática”, disse.
TECNOLOGIA
MCTI lança FormP&D 2026 e Lei do Bem registra recorde de R$ 51,6 bilhões
Investimentos em pesquisa e desenvolvimento resultam em novos produtos, fortalecem a competitividade das empresas, estimulam a criação de empregos qualificados e ampliam a capacidade tecnológica do País. Para acompanhar esse movimento e aperfeiçoar uma das principais políticas de incentivo à inovação empresarial no Brasil, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) lançou, nesta terça-feira (2), em Brasília (DF), o FormP&D 2026. O documento on-line é utilizado pelas empresas beneficiárias da Lei do Bem para declarar suas atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A nova versão do sistema traz atualizações que modernizam os processos de avaliação, ampliam a integração de dados, aperfeiçoam a governança e conferem mais clareza ao preenchimento das informações referentes ao ano-base 2025. As mudanças buscam facilitar a prestação de informações pelas empresas e ampliar a capacidade do governo de acompanhar a evolução dos investimentos privados em inovação.
Ao destacar a importância da Lei do Bem para ampliar a competitividade da indústria brasileira, a ministra do MCTI, Luciana Santos, ressaltou a necessidade de transformar o conhecimento produzido no País em inovação e desenvolvimento econômico.
“O Brasil está entre os maiores produtores de pesquisa e desenvolvimento do mundo, mas ainda precisa avançar na transformação desse conhecimento em inovação, competitividade e crescimento econômico. A Lei do Bem é um instrumento fundamental para fortalecer essa conexão e estimular as empresas a investirem mais”, afirmou Luciana Santos.
A ministra também destacou o papel das políticas públicas de incentivo à inovação e os investimentos do Governo do Brasil. “O compromisso do presidente Lula com a ciência, tecnologia e inovação se traduz em investimentos concretos. Estamos reconstruindo capacidades do Estado brasileiro, fortalecendo instituições e criando condições para que o País avance em uma agenda de desenvolvimento baseada em sustentabilidade, inclusão social e soberania tecnológica”, completou.
Novo FormP&D amplia suporte e simplifica preenchimento
O novo FormP&D 2026 traz uma série de atualizações que simplificam o preenchimento das informações pelas empresas e aprimoram o acompanhamento das atividades apoiadas pela Lei do Bem. Entre as novidades estão uma nova área de suporte técnico ao usuário, a criação de um identificador único para cada projeto, a integração com bases de dados governamentais e a possibilidade de importar informações automaticamente por meio de planilhas em etapas específicas do formulário.
As mudanças também ampliam os instrumentos de orientação disponíveis para as empresas. O Guia do Usuário do novo FormP&D já está disponível no Portal da Lei do Bem. Uma nova edição do Guia Prático da Lei do Bem, prevista para julho, vai reunir orientações atualizadas em linguagem mais acessível, com exemplos, fluxos, checklists e explicações sobre os critérios utilizados na caracterização de projetos de inovação.
Ao apresentar as novidades, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida, destacou que as atualizações foram construídas a partir das contribuições recebidas do setor produtivo. “Recebemos vários inputs das empresas e das consultorias que utilizam a Lei do Bem. Algumas melhorias já conseguimos implementar agora e outras continuam em desenvolvimento. A ideia é fazer essa grande parceria para avançar continuamente na melhoria do instrumento.”
Entre as iniciativas previstas para os próximos meses estão o lançamento do Programa Embaixadores da Lei do Bem, que vai orientar empresas em todo o País, a ampliação dos mecanismos de avaliação simplificada para projetos desenvolvidos em parceria com instituições de ciência e tecnologia e a implementação de novas soluções de inteligência artificial para apoiar usuários do sistema e equipes responsáveis pelas análises.
Recordes da Lei do Bem
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram o melhor desempenho da história da Lei do Bem. Em apenas um ano, os investimentos privados em pesquisa e desenvolvimento cresceram de R$ 41,93 bilhões para R$ 51,59 bilhões, alta de 23% e aumento de R$ 9,66 bilhões. O período também registrou recordes de participação empresarial, com 4.252 empresas beneficiárias, e de projetos de inovação, que chegaram a 14.877 iniciativas em 2024. A expansão foi acompanhada pelo crescimento da utilização dos incentivos fiscais, cuja renúncia estimada alcançou R$ 11,98 bilhões, reforçando a Lei do Bem como o principal instrumento de estímulo à inovação empresarial no País.
Para o diretor do Departamento de Apoio aos Ecossistemas de Inovação (Depai) do MCTI, Hideraldo de Almeida, os resultados refletem a consolidação da política como o principal instrumento de estímulo à inovação no Brasil, incentivando empresas a investir em tecnologia, competitividade e desenvolvimento científico. “Para que essa política pública continue evoluindo com transparência, eficiência e segurança, é fundamental também modernizar os nossos mecanismos de gestão e acompanhamento”, disse.
Lei do Bem fortalece capital humano
Os resultados da Lei do Bem também refletem a ampliação da força de trabalho dedicada à inovação dentro das empresas brasileiras. Em 2024, 52.222 profissionais atuaram exclusivamente em atividades de pesquisa e desenvolvimento, número significativamente superior aos 34.291 profissionais registrados em 2023.
A maior parte desse contingente era formada por 35.242 graduados e 7.953 pós-graduados, além de 2.835 mestres e 1.454 doutores dedicados a atividades de pesquisa. A força de trabalho também contou com técnicos e tecnólogos responsáveis por ações ligadas a laboratórios, prototipagem e desenvolvimento tecnológico, evidenciando o papel da Lei do Bem na geração de empregos qualificados e no fortalecimento da capacidade científica das empresas brasileiras.
Os resultados de 2023 e 2024 consolidaram um novo patamar para a Lei do Bem. No período, a média anual de investimentos em pesquisa e desenvolvimento chegou a R$ 46,8 bilhões, quase o dobro da registrada entre 2019 e 2022. Com a modernização do FormP&D, o MCTI busca tornar o acompanhamento desses investimentos mais eficiente e aprimorar a produção de informações estratégicas para o desenvolvimento nacional.
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