TECNOLOGIA
Centro Nacional de Vacinas avança com entrega da primeira fase da obra em Belo Horizonte
Nesta segunda-feira (16), dois acontecimentos coincidiram em um dia importante para a ciência brasileira. A comemoração de 10 anos do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), centro de pesquisa científica criado dentro da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi acompanhada pela entrega da Fase 1 da obra do Centro Nacional de Vacinas (CNVacinas), infraestrutura nacional de inovação criada para escalar e viabilizar o desenvolvimento de vacinas, novas plataformas vacinais, kits diagnósticos e fármacos no país. A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, esteve presente no evento realizado em Belo Horizonte (MG).
O projeto integra a estratégia nacional de desenvolvimento de imunizantes coordenada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e é articulado pela UFMG, em parceria com o governo de Minas Gerais e com cooperação de instituições científicas. O CNVacinas proporcionará a transferência de tecnologia com empresas e instituições que atuam no setor de saúde e também estará disponível para pesquisadores de todo o País que trabalham no desenvolvimento de vacinas. Para a ministra Luciana Santos, o Centro representa um novo patamar para a ciência “ao integrar pesquisa, desenvolvimento e produção piloto de imunizantes, transformando conhecimento científico em soluções concretas para a saúde pública”, afirmou.
As autoridades presentes participaram de uma reunião no auditório do Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-TEC), polo tecnológico próximo ao CTVacinas, onde ocorreram as apresentações técnicas do projeto e a demonstração do uso das vacinas que serão produzidas no local. Além disso, foi realizada uma visita técnica à obra do CNVacinas.
A reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, destacou que o CNVacinas resulta de um esforço conjunto entre diferentes níveis de governo e instituições científicas. Segundo ela, a iniciativa consolida uma estrutura voltada ao desenvolvimento de imunizantes no país e reforça o papel das universidades públicas na produção científica nacional. “A universidade trabalha para a sociedade. Ela não é minha, não é do professor, não é da ministra, ela é de todos nós. Estar aqui hoje, com diferentes instituições em torno de um projeto comum, nos enche de orgulho”, afirmou.
A nova estrutura nasce a partir da trajetória construída pelo CTVacinas, criado em 2016, centro responsável por iniciativas pioneiras como a SpiN-TEC, uma das primeiras vacinas integralmente concebidas no Brasil a chegar à fase de testes clínicos em humanos. A obra recebeu investimento de R$ 80 milhões, sendo R$ 50 milhões provenientes do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), e R$ 30 milhões do governo de Minas Gerais. “Isso só comprova que, quando a gente trabalha junto, a gente avança mais; e quando o Estado brasileiro investe em ciência, os resultados aparecem”, disse Luciana Santos.
A secretária adjunta da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais, Poliana Cardoso Lopes Santos, ressaltou a participação do governo estadual no financiamento da primeira etapa da obra e o interesse em manter a cooperação institucional no desenvolvimento do projeto. Segundo ela, a parceria com a UFMG busca fortalecer iniciativas estratégicas para a saúde pública. “O governo de Minas segue interessado na continuidade do Centro Nacional de Vacinas como uma estrutura muito importante para a saúde pública, não só de Minas, mas do Brasil”, afirmou.
Investimento em soberania científica
O ambiente, que integra pesquisas em biotecnologia, desenvolvimento e produção piloto de imunobiológicos surge de uma necessidade em trazer autonomia e soberania à ciência desenvolvida no país. A pandemia de Covid-19, iniciada em 2020, expôs mais claramente uma necessidade já anunciada: ampliar a capacidade nacional de ação diante de eventos extremos.
Segundo a ministra Luciana Santos, desde 2023, o governo do Brasil foi responsável por recuperar o valor da ciência, da confiança na pesquisa e na capacidade do país em desenvolver conhecimento e tecnologia após a fase difícil enfrentada pelo mundo. “Vimos, da forma mais dura, as consequências do negacionismo, da desinformação e da dependência externa em uma área tão estratégica como a produção de vacinas. Mas hoje podemos dizer que o Brasil virou essa página e que não queremos mais retroceder”.
O presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), Carlos Arruda, destacou que a fundação tem apoiado a estrutura de inovação ligada ao CTVacinas, incluindo iniciativas voltadas à transferência de tecnologia e à aproximação entre pesquisa acadêmica e setor produtivo. Segundo ele, estruturas como a FarmaVax — credenciada como unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), organização vinculada ao MCTI — ajudam a transformar resultados científicos em aplicações tecnológicas e industriais. “Temos muito orgulho de apoiar o CTVacinas, o CTNano e a FarmaVax, que atua como unidade Embrapii, justamente para apoiar a transferência de tecnologia e aproximar a pesquisa das empresas”, afirmou.
Além do avanço das obras do CNVacinas, Luciana Santos destacou outros investimentos realizados em busca do mesmo objetivo. “O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, por meio da Finep, está apoiando 366 projetos, que somam R$ 6,8 bilhões em aportes nas cadeias produtivas da saúde”. Segundo a chefe da pasta, investir em ciência e tecnologia na saúde é mais que política científica, mas política de desenvolvimento e de soberania nacional.
Próximas etapas
Dividido em etapas, o projeto da estrutura foi feito para possibilitar a produção de imunizantes ainda em fase experimental. O modelo replica complexos já existentes em instituições científicas brasileiras e inova com um projeto de produção de lotes clínicos de vacinas inédito no país. O complexo também contará com biotério e laboratórios de biossegurança nível 3.
A primeira fase incluiu a preparação do terreno, fundações profundas, estruturas de sustentação, muros de contenção, reservatórios e a montagem da estrutura principal do edifício. Agora, o projeto avança para a segunda fase, onde serão feitas as instalações técnicas que garantem o funcionamento de ambientes laboratoriais altamente controlados, com sistemas hidráulicos e elétricos específicos, purificação de água, redes de tubulação, controle ambiental e sistemas de ventilação e filtragem de ar.
Finalizadas as instalações e equipamentos, o centro passará por uma etapa de certificação regulatória, com inspeções e validações conduzidas por órgãos reguladores, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e autoridades sanitárias estaduais. O planejamento atual prevê a finalização da infraestrutura e dos laboratórios até o fim de 2027.
Para a ministra Luciana Santos, o trabalho feito no espaço ajuda a reduzir vulnerabilidades, a responder com rapidez a emergências sanitárias e a garantir que o conhecimento produzido por cientistas brasileiros se transforme em benefícios concretos para a população. “E fazem algo igualmente importante: inspiram uma nova geração de pesquisadores, estudantes e profissionais que querem dedicar suas vidas à ciência”, finalizou.
TECNOLOGIA
AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
O sistema AdaptaBrasil lançou nesta quinta-feira (2) uma ferramenta com o objetivo de facilitar a consulta às informações sobre risco climático para cada um dos 5.570 municípios brasileiros. O Painel Cidades reúne informações sobre 12 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com a visão centrada em âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. O objetivo é consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível. O Painel Cidades representa mais um importante avanço do AdaptaBrasil, consolidando anos de colaboração entre as instituições e no aprimoramento de plataformas que disponibilizam evidências, fortalecendo a transparência climática e apoiando a tomada de decisão.
“Essa nova funcionalidade avança na democratização de acesso ao conhecimento à medida que permite entregar aos usuários informações sobre risco climático mais acessíveis e de modo mais rápido. Esse esforço visa apoiar o planejamento de adaptação à mudança do clima em áreas estratégicas. O painel foi pensado para que os gestores e suas equipes técnicas tenham à disposição dados essenciais para a ação climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio Rojas.
Os dados do Painel Cidades são os mesmos já disponíveis na plataforma, cuja consulta é feita por meio dos setores estratégicos e representação cartográfica nacional dos resultados. O novo formato de busca e visualização a partir do município é uma inovação tecnológica de apresentação mais amigável dos indicadores e índices de ameaça, exposição e vulnerabilidade, dimensões que compõem a metodologia da “flor de risco”, em conformidade com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês).
“Mais do que uma nova funcionalidade do AdaptaBrasil, o Painel Cidades inaugura uma forma inovadora de visualizar os riscos climáticos de cada município brasileiro, tornando informações complexas mais acessíveis para gestores, pesquisadores e sociedade”, explica o gerente de soluções responsável pelo projeto na RNP, Christian Miziara. “Ao apresentar os dados de maneira integrada e orientada ao território, o painel fortalece a capacidade de planejamento e adaptação às mudanças do clima. Nesse processo, a RNP contribui com sua infraestrutura e expertise em tecnologias digitais para transformar evidências geradas pela pesquisa brasileira em informações confiáveis, acessíveis e capazes de apoiar decisões estratégicas para um futuro mais resiliente e sustentável”, complementa.
O AdaptaBrasil tem se consolidado como a principal ferramenta pública para identificação, análise e priorização de riscos climáticos no País. Os dados são gratuitos e abertos. A metodologia empregada considera as melhores práticas recomendadas no âmbito científico global. A ferramenta reúne informações sobre ameaça climática, exposição e vulnerabilidade traduzidas em índices e indicadores para os setores: recursos hídricos, segurança energética e alimentar, saúde, infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária, biodiversidade e desastres geohidrológicos. Além de informações sobre a atualidade, a plataforma projeta ameaças climáticas nos horizontes temporais de 2030 e 2050, considerando os cenários aquecimento global.
“As medidas de adaptação estão se mostrando cada vez mais urgentes, a exemplo das ondas de calor que estão ocorrendo na Europa neste momento”, alerta o pesquisador sênior do Inpe e coordenador científico do AdaptaBrasil, Jean Ometto. Ele explica que as medidas de adaptação precisam de planejamento, no qual as questões climáticas são centrais. E para fazer planejamento são necessários estudos e informações sobre o quanto as cidades e a sociedade estão vulneráveis aos eventos climáticos extremos. “Com isso, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor podem trabalhar para minimizar os impactos. Incorporar na gestão pública as métricas e o fato de que a mudança do clima veio para ficar são muito importantes para o planejamento”, afirma.
Informação qualificada para a tomada de decisão
Além de ter apoiado a construção do Plano Clima Adaptação, os dados do AdaptaBrasil têm sido utilizados para apoiar as atividades de planejamento e capacitação do AdaptaCidades, iniciativa no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes que apoia diretamente 581 municípios selecionados para subsidiar políticas de adaptação. As ações devem aumentar a resiliência diante da mudança do clima.
“Estamos trabalhando para atingir a meta número um do Plano Clima Adaptação, que é ter todos os estados e ao menos 35% dos municípios com estratégias locais de adaptação”, afirmou diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Inamara Mélo. “Já tínhamos o AdaptaBrasil como orientador do trabalho. Agora, com o painel, damos mais um passo relevante, tornando as informações mais acessíveis junto aos governos subnacionais”, complementou.
Para o diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Giusti, o Painel Cidades do AdaptaBrasil é um instrumento qualificador da política de desenvolvimento urbano do País. “Esse painel traz o elemento científico para introjetar nas políticas”, explicou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Silva, destacou o esforço interministerial nas iniciativas de enfrentamento da mudança do clima. “É mais um instrumento poderoso que vai consolidando o conhecimento coletivo e ajuda quem está na ponta a resolver o problema nos territórios”, disse.
Passo a passo para consulta do Painel Cidades
A consulta às informações sobre risco climático por município é feita de modo simples e rápido. No menu principal, basta acessara aba Painel Cidades. Na sequência, selecione o estado e o município. Automaticamente, o sistema localiza o município no mapa, apresenta dados sobre bioma, área territorial e população. Abaixo do mapa, a plataforma apresenta tabela completa de classificação de risco para os 12 setores e subsetores estratégicos com o grau de risco. Na mesma página, ainda é possível visualizar os índices de riscos setoriais e os indicadores influenciadores.
Próximos desenvolvimentos do AdaptaBrasil
O plano de melhorias da plataforma contempla a incorporação de novos cenários com projeções climáticas atualizadas para o Brasil, de acordo com as trajetórias de aquecimento global, e de novos setores estratégicos, como zonas costeiras e calor.
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