TECNOLOGIA
Casa da Ciência recebe reunião sobre impactos das mudanças climáticas na desertificação e degradação do solo
A Casa da Ciência, em Belém (PA), sediou nesta quarta-feira (19) a reunião Os Efeitos das Mudanças Climáticas no Processo de Desertificação e Degradação do Solo, reunindo especialistas, gestores públicos e representantes de instituições nacionais e internacionais. O encontro foi conduzido pela secretária-executiva adjunta da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD), Andrea Meza Murillo, e contou com a presença da diretora de Tecnologia Social, Economia Solidária e Tecnologia Assistiva, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Sônia da Costa; e da chefe-geral da Embrapa Caprinos e Ovinos, Ana Clara Cavalcante.
Durante a reunião, foram discutidos os impactos crescentes da desertificação, da degradação do solo e das secas prolongadas em diferentes biomas brasileiros, além da importância de estratégias integradas que unam saberes científicos, conhecimentos tradicionais e políticas públicas coordenadas. O momento também serviu para fortalecer articulações entre instituições presentes e preparar ações conjuntas para os próximos eventos internacionais relacionados ao clima e à desertificação.
Ao abrir o diálogo, Andrea Meza destacou a relevância do trabalho no Amazonas e a necessidade de abordagens amplas e integradas para enfrentar questões globais. “Os desafios que temos para combater, a degradação do solo, a desertificação, a perda da biodiversidade e as mudanças climáticas, precisam de focos multidisciplinares”, ressaltou.
Representando o MCTI, da Secretaria de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento Social (Sedes), Sônia da Costa, reforçou o caráter colaborativo da reunião e o papel das tecnologias sociais no enfrentamento da desertificação e das crises hídricas. “O principal ponto dessa reunião se traduziu numa construção conjunta entre várias instituições presentes”, afirmou.
Já a pesquisadora Ana Clara Cavalcante apresentou experiências da Embrapa em recuperação de áreas degradadas no semiárido brasileiro. “Uma das minhas áreas de atuação é essa questão de recuperação de áreas degradadas. Estamos num grande movimento interinstitucional que une forças e experiências para construir uma base sólida de propostas de recuperação”, detalhou.
Casa da Ciência
A Casa da Ciência do MCTI, no Museu Paraense Emílio Goeldi, é um espaço de divulgação científica, com foco em soluções climáticas e sustentabilidade, além de ser um ponto de encontro de pesquisadores, gestores públicos, estudantes e sociedade. Até o dia 21, ela será a sede simbólica do ministério e terá exposições, rodas de conversa, oficinas, lançamentos e atividades interativas voltadas ao público geral. Veja a programação completa.
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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