TECNOLOGIA
Caravana Federativa apresenta investimentos e avanços em ciência, tecnologia e desenvolvimento em São Paulo
Investimentos, entregas e oportunidades para o estado de São Paulo (SP) foram celebrados nesta quinta-feira (19), durante a 17ª Caravana Federativa. O evento é organizado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI) e busca aproximar o Governo do Brasil dos municípios. Presente na iniciativa junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos, destacou investimentos da pasta na região.
Para ela, o Brasil precisa ser governado de perto, e em conjunto. “O Brasil não pode ser governado de gabinete, ele precisa ser construído no território, junto com quem faz a gestão pública acontecer todos os dias. E é isso que estamos fazendo hoje”, afirma. O presidente Lula reforçou a importância da atuação direta com os municípios. “Um presidente da República tem que ter a sua decisão em cima dos projetos, da importância dos projetos e dos benefícios que aquele projeto pode fazer ao povo daquela cidade”, afirmou.
Reunindo as principais entregas do Governo do Brasil em diferentes frentes, com iniciativas vinculadas ao Novo PAC, a Caravana Federativa materializa o compromisso do Estado com a população. Seguindo a onda de crescimento das demais pastas, o MCTI celebrou a busca pela soberania tecnológica, que promoverá mais independência e liderança em ciência, tecnologia e inovação para o País.
Entre os resultados apresentados, estão a conclusão de quatro linhas de luz do acelerador de partículas Sirius, do Centro Nacional de Pesquisa de Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas (SP). Os investimentos na estrutura somam R$ 230 milhões. Concluir uma linha de luz significa colocar em operação uma nova estação experimental do Sirius, ampliando a capacidade do País de realizar pesquisas avançadas em áreas como saúde, energia e meio ambiente.
Três dessas linhas (Quati, Sapucaia e Sapê) fazem parte da Fase I do projeto, iniciada em 2022, com investimento de R$ 200 milhões. A quarta linha integra a Fase II, iniciada em 2023 no âmbito do Novo PAC, com investimento de R$ 30 milhões, correspondente à linha Tatu. “O Sirius é como se fosse um supermicroscópio, que permite análises nos níveis de moléculas e átomos. Ele é a materialização de um país que acredita na sua própria capacidade de produzir conhecimento de ponta”, afirmou Luciana Santos.
Além do Sirius, a ministra destacou a construção do Orion, do CNPEM, um complexo laboratorial de máxima contenção biológica conectado a uma fonte de luz sincrotron. O complexo dá capacidade para que o Brasil estude vírus de alto risco, desenvolva vacinas e crie diagnósticos, produzindo respostas rápidas a emergências sanitárias. “Não existe projeto de nação soberana sem ciência. Não existe crescimento sustentável sem tecnologia e não existe futuro possível sem investir em conhecimento”, afirmou a ministra.
Recorde em investimentos
De 2023 a 2025, o investimento em ciência, tecnologia e inovação cresceu 131% em São Paulo, quando comparado ao período anterior. Foram mais de R$ 25 bilhões investidos na região, entre bolsas de pesquisa, financiamento de projetos, investimento em estrutura científica e injeção em desenvolvimento tecnológico. Luciana Santos deu exemplos concretos da evolução em investimentos.
“Estamos falando dos 766 projetos financiados pela Finep [Financiadora de Estudos e Projetos] no estado desde o início da nossa gestão, conectando universidades, institutos de pesquisa e empresas. Hoje, nossos projetos chegam a 139 municípios do Estado. Anteriormente, eles estavam concentrados em 59 cidades apenas”, disse.
Para Luciana Santos, esse crescimento é motivado e esclarecido — é um projeto importante de governo. “Tomamos uma decisão muito clara: retomar o investimento público em ciência, tecnologia e inovação como eixo estruturante do desenvolvimento brasileiro”, afirmou.
Segundo ela, fomentar essa área municia o País para diversos tipos de adversidades, posiciona a nação como desenvolvedora de novas tecnologias e lidera o rumo de todo um povo em busca da prosperidade. “A ciência está no remédio que chega ao SUS, na energia que move a economia, na inovação que gera emprego e renda. Ela está na capacidade do País de enfrentar desafios e construir soluções próprias. E é exatamente essa visão que orienta o trabalho do ministério: fortalecer nossa capacidade científica, trabalhar junto com estados e municípios, com a academia e o setor produtivo, para fazer deste um país mais desenvolvido, justo e sustentável”, finalizou.
Caravana Federativa aproxima governo e municípios em São Paulo
A Caravana Federativa reuniu representantes de mais de 400 municípios paulistas e concentrou, em um único espaço, serviços, orientações técnicas e atendimento direto de órgãos federais. A iniciativa busca dar agilidade a processos, destravar convênios e ampliar o acesso das prefeituras a políticas públicas e investimentos do Governo do Brasil. Entre as principais entregas anunciadas estão ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), equipamentos para Unidades Básicas de Saúde e cirurgias no SUS, além de moradias do Minha Casa, Minha Vida e a aquisição de ônibus elétricos para o transporte público na capital.
Também foram anunciados investimentos em áreas estratégicas como inclusão digital, com a doação de computadores para criação de pontos de acesso à internet; gestão pública, com cessão de imóveis e cooperação institucional; crédito para projetos de transição energética; apoio à agricultura familiar; além de ações voltadas à reciclagem, navegação e infraestrutura logística no estado. “A gente vem aqui para você ser atendido. Isso aqui é o poupatempo das prefeituras”, afirmou o presidente Lula.
Além dos anúncios, a Caravana funciona como espaço de articulação institucional, reunindo ministérios, bancos públicos e gestores locais para orientar projetos, facilitar o acesso a recursos e fortalecer a execução de políticas públicas nos territórios.
TECNOLOGIA
Projeto Entre Ciências seleciona seis propostas sobre sociobiodiversidade
Como cuidar melhor da floresta, da terra e da biodiversidade? Parte dessa resposta está no diálogo entre diferentes formas de conhecimento. Com o objetivo de fortalecer a participação de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares na produção de conhecimento sobre a sociobiodiversidade, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) vai selecionar seis iniciativas para o projeto Entre Ciências: Territórios de Saber em Diálogo.
Foram avaliadas 60 propostas de arranjos de pesquisa colaborativa, envolvendo comunidades e academia, vindas de diferentes regiões da Amazônia e do Cerrado. Os trabalhos foram selecionados por uma comissão formada por especialistas e representantes das próprias comunidades, levando em conta não só critérios técnicos, mas também a diversidade dos territórios e protagonismo de mulheres, jovens e anciãos.
Projetos selecionados
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Associação dos Seringueiros do Seringal Cazumbá. Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Acre (Ifac) — Campus Rio Branco;
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Associação Quilombo Kalunga. Parceiro acadêmico: Universidade de Brasília (UnB) – Programa de Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto a Povos e Terras Tradicionais (Mespt) e Programa da Licenciatura em Educação do Campo (Ledoc);
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Organização Baniwa e Koripako — Nadzoeri. Parceiros acadêmicos: UnB, Universidade Federal Fluminense (UFF) e Universidade de São Paulo (USP);
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Associação de Mulheres Indígenas em Mutirão (Amim). Parceiro acadêmico: Instituto Federal do Amapá;
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Centro de Agricultura Alternativa Vicente Nica. Parceiro acadêmico: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG) — Campus Almenara;
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Coletivo Mulheres Retireiras do Araguaia. Parceiro acadêmico: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), vinculado ao MCTI, e Instituto Juruá.
Com os novos arranjos selecionados, o projeto passa a apoiar oito experiências em diferentes territórios, ampliando uma rede que conecta ciência dos povos e comunidades com a ciência acadêmica, cultura e meio ambiente.
Para a secretária de Políticas e Programas Estratégicos do MCTI, Andrea Latgé, a iniciativa reforça a importância de integrar diferentes formas de conhecimento na produção científica. “O Entre Ciências mostra que o conhecimento também nasce nos territórios. Ao valorizar saberes de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares, fortalecemos uma ciência mais diversa e conectada aos desafios do País”, destaca.
O Entre Ciências aposta em uma ideia simples e poderosa: quem vive nos territórios também produz conhecimento. O projeto fortalece o papel de povos indígenas e comunidades tradicionais na pesquisa sobre biodiversidade, em temas prioritários para o próprio território, incentivando a parceria com atores acadêmicos comprometidos e com respeito às diferentes formas de conhecimento.
Além do apoio aos projetos, a iniciativa oferece formação, bolsas para pesquisadores locais das comunidades, intercâmbios e suporte para a gestão de dados e informações produzidas pelas próprias comunidades.
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